PROFESSORES

Sind-UTE anuncia greve de professores na volta às aulas nas escolas do Estado

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Educação | 08-02-2020 09:57 | 1031
Foto de Reprodução

A volta às aulas nas escolas estaduais, marcada para acontecer na próxima terça-feira,11 de fevereiro, poderá não ocorrer conforme programado pela Secretaria de Estado da Educação. Na última quarta-feira,5, trabalhadores em Educação, aprovaram greve por tempo indeterminado. A principal reivindicação da categoria é a implantação do Piso Salarial Nacional, enquanto que em Nota Oficial o governador Romeu Zema anuncia que já cumpre a medida.

A assembleia da categoria realizada no meio de semana ocorreu no pátio da Assembleia Legislativa, quando a greve foi aprovada por tempo indeterminado. A categoria reivindica propostas de pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional, direito respaldado pela Lei Estadual 21.710/2015 e pela Lei Federal 11.738/2008. Outro pleito é o cumprimento estrito do repasse de 25% da receita corrente líquida do Estado para a Educação, valor que não teria sido cumprido pelo governo ano passado.

De São Sebastião do Paraíso, além da coordenadora da Subsede do Sind-Ute, Liliam Aparecida Oliveira Gonçalves outros servidores se juntaram aos colegas da região e compareceram a mobilização em Belo Horizonte. "Acompanhamos tudo de perto e infelizmente a greve é o último recurso para tentarmos ver atendidas as nossas reivindicações. Não é bom para nenhum lado, os dias parados precisam ser repostos, mas é fruto da falta de diálogo do governo para com os nossos representantes do sindicato que vem tentando negociar desde o ano passado", observa.

Liliam informou que na manhã deste sábado,8, a partir  das 9 horas haverá reunião na subsede para todos os interessados. "Vamos repassar aos nossos colegas aqui o que foi deliberado na assembleia na capital para que todos possam estar cientes da realidade", relata. Ela também destaca que serão traçadas as metas de trabalho e a agenda do que deverá ser feito nos próximos dias. "Acredito que já de início, nem todos irão parar, mas vamos trabalhar a adesão, a mobilização vai ser importante para todos", acrescenta.

A coordenadora teceu críticas ao governo na mesma linha do Sind-Ute que contesta o novo sistema de matrículas que o Estado tentou implantar. "Ficou claro que isso não deu certo, tanto é que muitos alunos não conseguiram efetivar matrícula e tiveram que voltar atrás autorizando que fosse feito no modelo anterior", conta. A medida segundo os sindicalistas é prejudicial à categoria e junto com outras medidas governamentais tem trazido desemprego. "Isso sem conta a falta de critério na forma de tratamento entre os próprios servidores, uns são privilegiados outros massacrados, não concordamos, não concordamos com isso e queremos isonomia para todos", completa.

Os educadores também reivindicam a quitação do 13º salário de 2019, a interrupção de políticas que dificultam o acesso à Educação, como sistema de pré-matrículas online, Plano de Atendimento, fusão de turmas, demora na publicação das remoções e resolução de designação.

O Governo de Minas informa que já pagou o 13º a 75% da categoria. Quanto ao sistema on line de pré-matrículas, a informação da Secretaria Estadual de Educação é de que ao todo, 97% dos alunos foram alocados em uma das três primeiras unidades de ensino que apontaram e destes 70% conseguiram a vaga na primeira opção. Esta é a primeira vez que o processo foi realizado totalmente online garantindo mais comodidade no momento de escolher uma vaga.

Durante a assembleia a categoria aprovou algumas atividades que serão desenvolvidas a partir da próxima quinta,6, e na sexta-feira,7. Nestas datas serão realizadas rodas de conversa sobre a conjuntura enfrentada pela Educação mineira e visita às escolas. No dia 10, está prevista a realização de conversas com pais e estudantes nas escolas; enquanto que no dia 11, iniciará a greve por tempo indeterminado.

A expectativa de representantes do sindicato dos Trabalhadores em Educação é promover mobilizações nas escolas e realização de assembleia locais e regionais nos dias seguintes. Posteriormente no dia 14 de fevereiro já está agendada uma nova assembleia para avaliar a evolução do movimento e traçar novas metas. A programação será desenvolvida dentro do que vem sendo chamado de "Calendário de lutas" a ser desenvolvida na capital e também possivelmente no interior.