SUSPEITA TRÊS HOMICÍDIOS

Suspeita de ser mandante de três homicídios planejava o sequestro da própria irmã

Por: Redação | Categoria: Polícia | 17-02-2020 18:21 | 8406
Aruan (à esquerda) estava envolvido na morte de Ronaldo (à direita)
Aruan (à esquerda) estava envolvido na morte de Ronaldo (à direita) Foto de Reprodução

As investigações do caso da mulher de 49 anos, que foi presa pela Polícia Civil em São Sebastião do Paraíso, após apurações darem conta de que ela seria a mandante de três homicídios (um deles o de seu próprio pai registrado julho de 2019 em Jacuí), revelou uma história que, não fosse a ação da Polícia Civil, poderia ter culminado com mais uma tragédia: a mulher planejava o sequestro da própria irmã.

A história envolvendo o caso de S.A.M deu muitas voltas até que a polícia conseguisse fazer a ligação entre os crimes. O estopim para que isso fosse possível foi uma investigação que acontecia a fim de apurar um dos dois homicídios registrados neste ano em Paraíso em menos de duas semanas. O primeiro de Ronaldo Cardoso do Nascimento e o segundo, de Aruan Brochado da Silva, através do qual se chegou à elucidação do homicídio registrado em Jacuí.

Conforme narra o delegado de polícia Vinícius Zamó, foi um caso complexo que envolveu muito empenho da equipe de investigação da 4.ª Delegacia Regional de Polícia Civil em São Sebastião do Paraíso. Zamó aponta que até então não se fazia nenhuma ideia que três casos de homicídio pudessem ter uma interconexão.

“Apuramos que a filha havia encomendado a morte do pai. Os envolvidos, que agiram naquele crime, foram os mesmos que agiram em outro crime registrado em Paraíso”, conta.

Ronaldo Cardoso do Nascimento foi encontrado morto com sinais de violência no dia 8 de janeiro, em uma estrada vicinal que dá acesso ao distrito de Guardinha pelo bairro Rosentina. Durante apurações, descobriu-se que a própria mandante havia informado à família onde estaria o corpo.

A partir deste crime, a Polícia Civil realizou apurações que ligavam às duas mortes. Pouco tempo depois, Aruan Brochado da Silva foi encontrado morto em uma estrada vicinal de acesso ao distrito de Guardinha pela BR-265. “Ficamos surpresos com as ligações que havia entre os crimes, já que não é muito comum em menos de sete meses, três mortes arquitetadas pela mesma pessoa por motivos de vingança. Na nossa região isso é muito estranho”, ressalta o delegado.

De acordo com ele, o modus operandi das três mortes foi praticamente o mesmo, todas a facadas e corpos carbonizados, com exceção do caso registrado em Jacuí. “A vítima de Jacuí não teve o corpo carbonizado, mas chegaram a atear fogo na residência. Esse modo de matar semelhante, nos levou a suspeitar que poderia ter uma relação. Foi o que conseguimos apurar”.

A mulher suspeita de cometer o crime, bem como o responsável pela morte de Aruan, que seria seu comparsa nas mortes que envolveram o pai da mulher e de Ronaldo, também foi preso. “A investigação está em andamento, mas uma das mulheres, que seria parceira de um desses responsáveis pelas duas primeiras mortes chegou a ser presa. Todas as provas e as investigações estão correndo conforme o planejado, uma apuração feita de forma brilhante pelos nossos investigadores a fim de identificar todo o conjunto criminoso. Temos que ressaltar também a atuação da PM que nos ajudou muito na obtenção de informações”, destaca.

CULCULISTA E FRIA
O delegado conta que a mulher, durante as oitivas, não manifestou nenhuma reação de arrependimento, pelo contrário, mostrou-se completamente fria. “Eu não posso afirmar nada sobre o perfil psicológico desta mulher, mas dentro do meu trabalho e parco conhecimento médico-legal que tenho, vislumbro nela uma pessoa totalmente psicótica e que se tornou obcecada pelo crime. Isso não é normal”, avalia o delegado.

Conforme ressalta Zamó, neste momento S.A.M, como técnica possivelmente a ser apresentada pela defesa, se mostra como alguém com algum tipo de disturbo mental.

QUARTO CRIME EM ANDAMENTO: IRMÃ ERA A VÍTIMA
O delegado Vinícius Zamó acrescenta ainda que um quarto crime estava sendo planejado. Segundo conta, durante as investigações foram apreendidas cartas onde a mandante dos homicídios arquitetava o sequestro da própria irmã. “Foram apreendidas cerca de 40 cartas, em uma delas, a mulher planejava sequestrar a irmã”, completou.

Além disto, o delegado conta que a mulher planejava colocar uma bomba na casa da irmã porque esta não a havia convidado para o aniversário da sobrinha. As investigações apontaram ainda que a irmã da mandante dos crimes vinha sofrendo ameaças e chegou a ser abordada para entrar em um carro, mas havia se recusado.

AS INVESTIGAÇÕES
O investigador Roney Vilaça conta detalhes das investigações sobre o caso. Ele explica que graças às imagens de câmeras de vigilância, puderam determinar o roteiro que foi feito com a vítima, o Ronaldo, até seu leito de morte. “Uma vez identificado esses três autores, investigação começou a apertar e os suspeitos revelaram o nome da mandante e que eram pagos para executar o crime”, conta.

Segundo o investigador, Aruan e o comparsa receberam R$ 5 mil para executar o pai da mandante e R$ 7 mil para executar Ronaldo, que segundo informações cumpria pena em regime semiaberto por estupro.

“O dinheiro foi conseguido após a mandante conseguir ludibriar o marido, criando uma história de que precisava de dinheiro. A motivação do crime inicialmente teria sido um suposto furto que teria lhe causado um prejuízo de R$ 30 mil, mas esse crime nunca aconteceu.

“Porém, ela chegou a citar que Ronaldo deveria morrer por ter sido condenado por crime de estupro, fazendo uma conexão com o crime envolvendo seu pai, já que ela alega que foi abusada na infância. Durante as investigações, descobrimos que ela também estava tentando incriminar outra pessoa que ela tinha uma desavença antiga”.

A investigadora Mayara Cruvinel conta que quando Aruan, envolvido no assassinato de Ronaldo, foi encontrado morto a PC já tinha conhecimento que ele tinha desavenças no mundo do crime, mas a princípio as investigações não se voltaram para os próprios comparsas.

“À medida que fomos investigando, chegamos à autoria do crime e de que os responsáveis seriam pessoas próximas a ele. A motivação, conforme apurado, é de que Aruan começou a pedir mais dinheiro após perceber que as investigações do homicídio de Ronaldo estavam chegando a ele, começou a pedir mais dinheiro e ameaçar de entregar todo mundo caso fosse preso. Deste modo, a mulher e os comparsas de Aruan planejaram a morte dele”.

A investigadora conta que a mandante dos crimes conhecia a esposa de Aruan, que trabalhava até então em um comércio popular no Centro, sendo ela, inclusive cliente da mulher. Como Aruan já tinha envolvimento em outros crimes, ela usou disto para planejar esses homicídios”, completa.

OUTROS CRIMES SOLUCIONADOS
Além desses crimes, a Polícia Civil conseguiu elucidar outros três casos de homicídio. Um deles o de Rodrigo Donizete da Silva, 36 anos, morto a tiro no bairro Veneza. O suspeito acabou sendo preso por crime de tráfico, mas também será indiciado por homicídio. Os demais casos registrados neste ano, os suspeitos foram presos em flagrantes e conduzidos ao presídio.