ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 19-02-2020 19:46 | 148
Foto de Reprodução

O Oscar
Acho o Oscar, a maior premiação do cinema mundial, ao mesmo tempo ridícula e fascinante. Aquele glamour todo de tapete vermelho e roupas de marca, aliado a declarações pseudopolíticas proferidas por esquerdinhas caviar do mundo das celebridades, tudo isso me dá um asco tremendo.

Lá sim, naquele mundo, é que as estrelas estão representando, a si mesmas, em papéis batidos, manjados e enfadonhos. Qualquer pessoa com um mínimo de amor próprio deveria fugir do mundo das celebridades como cachorro foge de cobra, não importa a fama ou o talento que possua. 

Você vira uma imitação de si mesmo. Agora, também adoro o Oscar, porque simplesmente não consigo viver sem cinema e sem literatura e essas duas artes indispensáveis em minha vida se mesclam à perfeição em filmes maravilhosos que são divulgados, esmiuçados e comentados principalmente durante a cerimônia de premiação do Oscar.

O Brasil nunca ganhou o prêmio, muito embora já tenha concorrido na categoria de  melhor filme estrangeiro com Central do Brasil e O Pagador de Promessas – mereceu ganhar por este último, o primeiro era só um novelão, apesar de Fernanda Montenegro. Ganhasse nesta edição o documentário de Petra Costa, “Democracia em Vertigem”, estaríamos diante de mais uma injustiça.

O filme é uma sucessão de devaneios pessoais em versões capciosas e tendenciosas bem filmadas e com boa edição, e é só. E já imaginaram os caras do PT? Perderam a presidente da República impedida, o presidente vitalício do partido preso e condenado, mas sua discípula militante e cineasta ganha o Oscar com um documentário-propaganda! Uma baita contradição. Na verdade, o erro de Petra (que é talentosa) é o mesmo de José de Abreu e Gregório Duvivier: uma coisa é o artista ser politizado, outra, bem diferente, é se transformar em militante político.

As redes sociais estão produzindo artistas-militantes, o que lhes desperdiça o talento e destrói suas carreiras. Chico Buarque, por mais politizado que seja, nunca misturou os canais, nunca se tornou militante – esse exemplo deveria ser seguido pelo restante da classe artística.

Parasita
No Oscar ganhou o filme sul coreano “Parasita”, mas o parasita mais famoso da semana foi o termo empregado por Paulo Guedes para se referir à classe dos servidores públicos. Ou não? Ele chegou a pedir desculpas, o que eu não faria.

O que Guedes quis dizer qualquer pessoa minimamente letrada conseguiu entender muito bem e não foi qualquer ofensa generalizada aos servidores públicos. Nosso Ministro da Economia afirmou que o serviço público é caro e pelo serviço que entrega à população funciona como um parasita do Estado, que não pode ser um fim em si mesmo. Como bom economista, se prendeu à relação custo x benefício.

Nós, servidores, custamos caro aos contribuintes, e deste alto preço não resulta satisfação à altura. É preciso, sim, modificar essa situação, tornando o Estado e seus serviços mais baratos para a população, ou melhorando a eficácia dos serviços pelo Estado prestados. Ou ambos, preferencialmente. Em momento algum Paulo Guedes quis dizer que os servidores públicos são parasitas. Só não contava com a tropa de terroristas de internet que lá está o dia inteiro para tresler e distorcer fatos e palavras e provocar aquilo que já vem sendo chamado de “justiça social” – na verdade uma forma de humilhar e destruir a reputação de uma pessoa através da manipulação cultural de massa.

Nada que Lenin não tivesse ensinado aos seguidores do marxismo comunista cem anos atrás, só que repaginado.

Tropa de assalto
A rede de odiadores e “haters” de internet só existe porque não possuímos Lei de Imprensa vigente e eficiente atualmente, que abarque também todas as espécies de mídia.

As leis existentes resolvem tudo em banho-maria quando o assunto é coibir crimes contra a honra e indenizações por injustas ofensas midiáticas: tudo acaba em prestação de serviços comunitários ou condenações ao pagamento de valores irrisórios a título de reparação por danos morais, quantias que não doem no bolso do malfeitor e que muitas vezes jamais são de fato recebidas pelas vítimas.  É por isso que tem muito blogueiro do mal e arruaceiro de rede social falando o que bem entende contra quem quer que seja.

Décadas atrás conheci um jornalista que cobrava de políticos e celebridades para não falar mal deles – uma chantagem, e não venda de material publicitário. Parece que pessoas magoadas de si, ignorantes e invejosas, descobriram este mesmo filão lucrativo através das redes sociais. Não necessariamente ganham vantagem econômica direta em troca do assassinato de reputações, mas angariam a simpatia dos poderosos que lhes interessam de momento, a atenção de gente obtusa que lhes confere alguma credibilidade passageira e vã, e agregam maledicência a um caos social que lhes apraz como agrada a um palhaço ver o circo pegar fogo.
RENATO ZUPO, Magistrado, Escritor.