FURNAS

Rodrigo Pacheco pedirá perícia da PF para apurar desvio da água da represa de Furnas  

Por: Redação | Categoria: Brasil | 05-03-2020 13:46 | 4326
O líder do Democratas no Senado, Rodrigo Pacheco (MG)
O líder do Democratas no Senado, Rodrigo Pacheco (MG) Foto de Reprodução

BRASÍLIA - O líder do Democratas no Senado, Rodrigo Pacheco (MG), vai solicitar, ao Instituto de Criminalística da Polícia Federal, uma perícia para apurar se o baixo nível da Represa de Furnas, no Sul e Sudoeste de Minas Gerais, deve-se ao desvio da água do lago para ser usada no abastecimento da hidrovia Paraná-Tietê, em São Paulo. A decisão foi tomada pelo senador, que presidiu audiência pública, nesta quinta-feira (5), diante da falta de respostas conclusivas dos representantes do setor elétrico sobre o tema levantado.

Desde o ano passado, o senador questiona o Operador Nacional do Sistema (ONS) os motivos pelos quais a represa mantém níveis baixos de água, mesmo com Minas Gerais recebendo grande volume de chuva nos últimos meses.

Uma das justificativas oficiosas aponta que a água de Furnas estaria abastecendo a hidrovia Paraná-Tietê, em São Paulo. “A audiência de hoje foi muito enriquecedora, só que ela não fez chegar a uma conclusão precisa do porquê o nível da água de Furnas está tão baixo. Por isso, vamos avançar para uma perícia do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, que tem uma equipe técnica muito boa, e vai nos dar essa resposta com exatidão”, disse o senador.  

Presente na audiência, o diretor-presidente de Furnas, Luiz Carlos Ciocchi, reconheceu a situação “calamitosa” do lago e disse que a empresa apenas “cumpre” o que é estabelecido pelo ONS, não podendo produzir nem mais nem menos energia elétrica do que é determinado.

“O ONS tem a responsabilidade de fazer todo o despacho dessas usinas. É uma atividade complexa, mas, do ponto de vista de Furnas, nós apenas atendemos ao comando. Se Furnas produz mais do que nos determinam, somos questionados. Então, não cabe à usina decidir o quanto vai gerar de energia ou em que nível o reservatório será operado”, destacou.

Ao rebater a fala de Ciocchi, Rodrigo Pacheco disse que Furnas não pode se esquivar de seu dever perante a sociedade, especialmente do Sul e Sudoeste de Minas Gerais, e que o lago não é apenas para produção de energia, mas também para atividades econômicas importantes para a região.

O promotor de Justiça da 3ª Promotoria de Justiça de Varginha, Mário Antônio Conceição, também presente na audiência pública, lembrou que o Ministério Público de Minas Gerais entrou, em 2014, com uma ação civil pública contra Furnas e o estado de Minas para que seja emitida uma licença ambiental corretiva.

“Por meio desse processo, que se faça um estudo de todo o impacto ambiental e se possa quantificar se essa variação desse nível do funcionamento do reservatório de Furnas pode afetar o entorno e a população”, afirmou

Representando os prefeitos mineiros, o presidente da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), Hideraldo Henrique Silva, afirmou que a principal preocupação da população em relação ao reservatório está ligada ao significado econômico e social que ele tem para a região.

“A importância do Lago é muito grande para o turismo, gastronomia, hotelaria, aquicultura, piscicultura e irrigação das propriedades rurais”, disse.

Para ele, o objetivo do encontro é sensibilizar todos os entes envolvidos no processo para que se possa garantir a exploração do Lago de Furnas de maneira econômica e social.

Também participaram da mesa o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata Ferreira; o superintendente de Regulação dos Serviços de Geração da Aneel, Christiano Vieira da Silva; o diretor-substituto de Hidrologia ANA, Joaquim Guedes Corrêa Gondim Filho; além de deputados, prefeitos, vereadores e lideranças políticas do Sul e Sudoeste de Minas.
(Ascom senador Rodrigo Pacheco)