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Liberdade nos Tempos de Pandemia

Por: Redação | Categoria: Do leitor | 28-03-2020 01:44 | 513
Foto de Reprodução

"Aprendi que coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista esse medo" (Nelson Mandela).

A quarentena foi estabelecida, e é um dever de cada cidadão fazer a sua parte, em benefício próprio e de toda uma sociedade que está extremamente vulnerável perante um inimigo invisível e perigoso. Mas podemos enfrentá-lo. Estamos presos; literalmente presos.

Nossa contribuição neste momento crucial da vida do país, não deve ser simplesmente acatar religiosamente as orientações dos especialistas, mas também de ajudar se isto nos for pedido. Vamos exercer nossa cidadania em toda sua plenitude e colaborar, ficando em casa. Ali estaremos protegidos e protegeremos nossos semelhantes. De nosso comportamento pode depender a vida de muitas pessoas. É hora de nos unirmos nos pensamentos, nas orações e no amor ao próximo, acreditando que dias melhores virão. Mas reflitamos sobre as lições que podemos tirar de um momento tão doloroso e peculiar.

Estamos avaliando hoje o quanto é bom poder abrir a porta e ganhar a rua, sentir o vento no rosto e o cheiro de uma flor que cresce no jardim da praça, poder abraçar um filho, um neto, um irmão, um amigo. Sentar em um barzinho, pedir uma cerveja e jogar conversa fora. Falar de política, futebol, economia e resolver todos os problemas do mundo com um palpite certeiro, dado ao amigo de ocasião. Como é bom poder ir à padaria, ao banco, ao mercado, ao botequim, ao trabalho, à igreja, sem nenhum medo e sem receio de estarmos cometendo um delito. Como é prazeroso exercer nossos direitos em toda sua plenitude, professar nossa fé e cultivar nossos sonhos de plena liberdade. Mas o famoso vírus nos tirou tudo isto; somos hoje uma sociedade refém do medo e do efetivo perigo. Perdemos o direito até de sairmos de nossas casas, sem que fizéssemos qualquer movimento para isto. E hoje isolados socialmente, sentimos muita falta do gosto macio e estimulante de uma liberdade plena e estamos experimentando uma mudança total em nossos conceitos.

         Foi preciso uma epidemia para nos mostrar o quanto é necessária uma reflexão equilibrada, uma reavaliação de valores, a falta que nos faz nossos semelhantes e uma liberdade total e sem limites. Assusta, portanto, a defesa por pequena parcela radical da população, de um golpe de estado. Isto não tem nenhum amparo legal em um pais democrático, e nenhuma justificativa. Sabemos que qualquer regime não democrático, para se implantar, primeiramente cerceia a liberdade.

Pelas consequências que estamos sentindo no nosso cotidiano, em nosso recolhimento involuntário, esperamos que nossa sociedade aprenda o efetivo valor do contato entre as pessoas, abrace novos valores e defenda intransigentemente a nossa liberdade tão duramente conquistada, e pare com o absurdo de pedir que nossa democracia seja violentada. Liberdade tem de ser entendida com toda a força do significado desta palavra. Se somente um cidadão perder sua liberdade por motivos fúteis e injustos, isto já será um crime.

Só damos o devido valor ao que possuímos, quando perdemos.

Que daqui a alguns dias ou algumas semanas, possamos abraçar nosso próximo e cantar com alegria:

Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós. (Dudu Nobre)

"A grandeza da vida não consiste em não cair nunca, mas em nos levantarmos cada vez que caímos". (Nelson Mandela). 

Tudo passa.
João Batista Mião