CORONAVÍRUS

Médico esclarece dúvidas sobre coronavírus e orienta para cuidados frente à pandemia

Por: João Oliveira | Categoria: Saúde | 28-03-2020 19:55 | 684
Foto de Reprodução

O médico emergencialista da UPA e referência técnica dos médicos das USFs em São Sebastião do Paraíso, Daniel Tales de Oliveira, em transmissão via redes sociais realizada pela prefeitura, esclareceu dúvidas da população em relação à pandemia do Covid-19, o novo coronavírus. Ele falou sobre os processos de infecção da doença, medidas que devem ser tomadas para evitar o contágio, sintomas, além de tranquilizar a população em relação os riscos da doença, mas alertou a importância de se respeitar o isolamento social neste momento de crise e manter a higiene.

Um dos primeiros questio-namentos que o médico elucidou, foi em relação a contração da doença e reincidência. Daniel citou um caso registrado no Japão, em que uma pessoa que contraiu a doença se curou, voltou as atividades e acabou adoecendo novamente pelo coronavírus. "Isso não é comum. O coronavírus é uma doença nova, temos muito o que aprender com essa doença, mas o que podemos falar é que houve alguns casos em que o paciente se contaminou novamente", citou.

Ele explica que tudo depende do estado imunológico do paciente, que após criar resistência à doença, dificilmente vai adoecer novamente. "À princípio, temos alguns relatos de pacientes que pegaram o coronavírus, se curaram e voltaram a contrair a doença".

Em relação às sequelas, o médico destacou que ainda não há como afirmar, mas voltou a ressaltar que tudo dependerá da imunidade e que a doença pode levar ao óbito. Ele lembrou que existem grupos de risco: pessoas acima de 60 anos e com doenças crônicas degenerativas.

Segundo o médico, esse grupo de risco é mais propenso a ter complicação provocada pelo Covid-19. "Por isso é importante se cuidar. Essas pessoas de cuidados continuados, a evolução da doença pode ser pior. Se há sequelas ou não por causa da doença, ainda é muito cedo para dizer o que ela pode deixar para cada indivíduo após ter sido curado e recuperado da doença". O médico destacou ainda que o contágio é muito rápido e que é preciso tomas as medidas de prevenção como manter distância de um metro e meio de outras pessoas, e isolar grupos de risco.

GRIPE COMUM OU CORONA?
O médico explica que os sintomas do coronavírus são muito similares a gripe comum e que, diante disto, pode passar como se fosse um resfriado comum, assim como a maioria dos casos. No entanto, ele destaca que em pessoas que compreendem o grupo de risco, ou seja, em maior proporção os idosos, a doença pode evoluir desfavoravelmente.

"Não é todo idoso que isto pode acontecer. Há idosos que têm hábitos de vida saudável, fazem caminhadas, atividades físicas, se alimentam bem e fazem uso correto dos medicamentos, então essas pessoas que têm a saúde controlada e hábitos de vida saudáveis, talvez a doença não se desenvolva tão gravemente como naquelas que tem o estado de saúde debilitado", ressalta.

DIAGNÓSTICO
O médico esclarece que não existem exames de imagem que possam detectar o coronavírus, a detecção é feita por meio da coleta de secreção da pessoa suspeita e encaminhado para laboratório onde é feita a análise ou por coleta de sangue. "Os testes rápidos são feitos por meio de coleta do sangue, que em poucos minutos identifica ou não se a pessoa com casos suspeito tem o coronavírus".

TRATAMENTO
O especialista explica que o tratamento é feito independente do resultado. Ele destaca que são tratados os sintomas como tosse seca, febre, dor de garganta e dor no corpo, com medicação adequada. "Então, nós usamos os antitérmicos, e muita hidratação. Igual ao resfriado comum, o cononavírus nos casos mais leves são tratados como se fosse uma gripe comum. O tratamento também é o isolamento, repouso e muita hidratação. Nos casos de piora dos sintomas, como tosse e febre intensa, ela deve procurar os profissionais de saúde para reavaliar o seu quadro".

GESTANTES
Daniel explica que as gestantes entram no grupo de risco, assim como os idosos, porque é um período em que a imunidade da mulher está mais baixa até o final da gravidez. "Caso a gestante contraia o coronavírus, os efeitos podem ser piores do que naquele que estão com a imunidade normal. Consideramos as grávidas grupo de risco, não por haver algo específico em relação ao corona, mas pelo estado em que elas se encontram".

O médico lembrou ainda que o atendimento às grávidas e às crianças em período de puericultura, ou seja, consultas para crianças em desenvolvimento logo após o nascimento, continuam. "Essas crianças são acompanhadas e devem ser acompanhas. A avaliação médica é feita mensalmente, então toda a rotina de pré-natal continua. Todo o cuidado, não apenas para a gestante e criança, se mantém. A população está sendo cuidada com muito carinho", acrescenta.

DOENÇAS CRÔNICAS
O médico destaca que doenças como renite, sinusite, bronquite, faringite, laringite e afins não se enquadram no grupo de risco porque, segundo ele, são doenças que não debilitam tanta a saúde da pessoa. "Para a OMS e Ministério da Saúde, essas doenças crônicas não se enquadram em grupo de risco, assim como não se enquadram nos casos de H1N1. Grupo de risco são condições pulmonares crônicas que tem uma depleção bem grande da função do pulmão", esclarece.

PACIENTES ONCOLÓGICOS
Nos casos de pacientes oncológicos, o médico destaca que tudo depende do quadro imunológico do paciente e das condições do seu tratamento, como uso de medicação e rádio e quimioterapia. "Alguns tipos de canceres, como o de pele, que não tem comprometimento sistêmico, talvez não entre no grupo de risco. Mas podemos dizer que esses pacientes, assim como as crianças, tenham cuidado especial, principalmente se a doença estiver debilitando o estado imunológico da pessoa".

CUIDADOS
Alerta, também,  que o uso de máscara não garante 100% a proteção do indivíduo. Conforme destaca, a mascara tem um prazo de validade e tem que ser trocada de quatro em quatro horas. "Não adianta usar a máscara e não ter os cuidados básico com a higiene como lavar bem as mãos com água e sabão. Quem puder se manter em isolamento neste momento, melhor. São medidas que irão fazer que com que continuemos sem o coronavírus", completa.