ELY VIEITEZ LISBOA

O texto e suas leituras

Por: Ely VIeitez Lisboa | Categoria: Entretenimento | 10-04-2020 16:58 | 431
Foto de Reprodução

O bom texto admite várias leituras, que não são subjetivas, mas alicerçadas na linguagem. Isto é muito importante, principalmente nos textos do gênero da poesia, porque os bons poemas devem ter uma linguagem figurada rica e aprimorada.

Exemplifiquemos com um texto simples, um ensinamento baseado na filosofia oriental, que diz, na sua essência: Quem quer lucro rápido, planta hortaliças; o que procura algo mais ´solido, durável, planta árvores; os idealistas e sonhadores, preocupados com a felicidade dos seres humanos, plantam homens.

A opção depende, portanto, da filosofia de quem planta, de sua cosmovisão, de seus valores em relação aos homens e seu destino.

Os capitalistas, os apegados em demais ao dinheiro, os ambiciosos, todos acabam sendo plantadores de hortaliças. Para eles, o dinheiro, o lucro rápido são o bem maior a ser conquistado. Em sua filosofia, homens importantes e felizes são os ricos.

Basta uma breve análise para se comprovar a fragilidade dessa primeira opção. O dinheiro é fundamental, merece respeito, propicia conforto, ajuda muito, mas jamais compra preciosidades como saúde, amor, amizade. Pode parecer ingenuidade, há argumentos contrários que tentarão desmentir a assertiva.

Quem é o plantador de árvores? É aquele que acredita na boa formação dos filhos, na orientação da juventude, nos bons exemplos, cujas raízes demoram em se formarem.

O último semeador, aquele que planta para que se vejam os resultados em um futuro longínquo, são os idealistas e os sonhadores. Não serão eles que colherão os frutos, nem seus filhos ou netos, mas as gerações futuras. Os que lutam por ideais e grandes sonhos são o fermento da possibilidade de melhora das pessoas, das cidades, dos Estados, dos Países, do Universo.

Se Deus esperasse resultados imediatos, não seria o Criador, faria apenas experiências menores, efêmeras, fugazes, de parca importância. É     bem verdade que sua receita desandou, sempre houve sabotagem e interferências malignas. Todavia, o havido e acontecido, até hoje, não será para valorizar o bom resultado da receita original?

Depois deste texto simples e meio filosófico, seria interessante que o querido leitor se perguntasse: você tem plantado hortaliças, árvores ou é um idealista, plantador de homens?
(*)Ely Vieitez Lisboa é escritora
E-mail: elyvieitez@uol.com.br