CRÔNICA HISTÓRICA

Capela de Santa Cruz do Baú

Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cultura | 18-04-2020 23:32 | 1014
A Tradicional festa do Bahú - Jornal Vida Moderna. São Paulo. 1911
A Tradicional festa do Bahú - Jornal Vida Moderna. São Paulo. 1911 Foto de Reprodução

As mais antigas referências sobre a Capela de Santa Cruz do Baú, em São Sebastião do Paraíso, polo da cafeicultura do Sudoeste Mineiro, pertencem aos últimos anos da monarquia. Corria o ano de 1887, quando o cônego Thomaz de Affonseca e Silva exercia o cargo de pároco do matriz local, atuando para o progresso material e espiritual da sociedade paraisense. Fervoroso defensor da libertação dos escravos, cujo nome está na história de São Tomás de Aquino e de outras localidades da região, o referido pároco tomou a iniciativa de solicitar ao Bispado de São Paulo autorização para que a referida Capela fosse reconhecida como templo vinculado à matriz de São Sebastião do Paraíso.

No livro publicado em 1945, pelo ilustre advogado José de Souza Soares, constam os resultados da pesquisa que ele realizou nos arquivos paroquiais, sobre as origens da antiga Capela que existiu sobre o Morro do Baú, hoje localizado bem próximo à área urbana da cidade, na saída para Belo Horizonte. Essa antiga Capela, infelizmente, foi destruída por um incêndio ocorrido no dia 24 de novembro de 1944, conforme o referido escritor.

Em documento de 17 de janeiro de 1887 consta a licença concedida pelo bispo Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, do Bispado de São Paulo, para que a Santa Missa pudesse ser celebrada no modesto templo, no qual reuniam moradores da região, então inserida na zona rural do município. Essa autorização resultou de uma solicitação feita pelo cônego Affonseca e Silva. Desse modo, em qualquer dia que não fosse proibido pelas leis da Igreja, estava autorizada a celebração, porque, conforme avaliação feita pelo pároco, tratava-se de um lugar salubre, limpo e devidamente organizado.

Desse modo, toda a comunidade estava autorizada a frequentar o templo, famílias da região, agregados, escravos libertos e pobres da vizinhança, desde que essas pessoas não cometessem abusos e observassem as disposições litúrgicas. Finalmente, consta que o local estava provido dos ornamentos indispensáveis para receber uma benção provisória, concedida por um período inicial de cinco anos.

Alguns anos depois, consta o juramento de José Leite de Vasconcelos, proferido com a mão direita estendida sobre a Bíblia, assumindo as funções de zelador da mesma Capela, diante do escrivão Carlos Jacob Ferreira de Menezes. Tratava-se de uma reunião realizada na casa paroquial sob a direção do então pároco padre Cassiano Ferreira de Menezes, nomeado em 2 de janeiro de 1891. Perante o pároco e alguns membros da comunidade local, o zelador prometeu tudo fazer para a boa preservação daquele espaço espiritual cuja memória ficou na história da cidade. A todos mencionados nesta crônica, as nossas reverências em nome da história de São Sebastião do Paraíso.