EUROPA

Paraisense se diz discriminada após retornar da Europa durante a pandemia do COVID-19

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Mundo | 21-04-2020 11:13 | 4618
Fabiana de Souza quando estava na Europa foi surpreendida pelo avanço da pandemia do coronavírus   
Fabiana de Souza quando estava na Europa foi surpreendida pelo avanço da pandemia do coronavírus   Foto de Reprodução

Neste fim de semana completa-se um mês que na maioria das cidades foi decretada a "quarentena" para que a população promovesse o isolamento social. A medida mudou hábitos e costumes de muita gente e tem deixado muitas pessoas preocupadas com a situação.  A jovem Fabiana de Souza é uma delas, que se diz vítima de preconceito após a declaração da pandemia que tem assolado o mundo inteiro. Ela estava na Europa e teve dificuldades para retornar ao Brasil e mesmo tendo conseguido chegar de volta a sua terra natal, São Sebastião do Paraíso, afirma que tem sofrido com as reações de outras pessoas.

O relato da jovem paraisense  Fabiana de Souza foi publicada pela agência de notícia "BBC News" onde ela relata o drama que viveu na Itália quando a crise do coronavírus se instalou. Em situação irregular naquele país ela perdeu emprego e sequer tinha onde ficar. Com dificuldades conseguiu um voo de volta ao Brasil e retornou para São Sebastião do Paraíso. Agora ela vive o preconceito e se diz discriminada por outras pessoas que a acusam de estar contaminada.

"De um dia para o outro fiquei sem emprego e sem ter onde ficar, porque estava trabalhando ilegalmente", relata Fabiana. Como faz há sete anos, a brasileira Fabiana de Souza foi para a Itália em janeiro deste ano para trabalhar por três meses no setor turístico, na região de esqui Vale D"Aosta.

"Com a chegada da epidemia de coronavírus, de um dia para o outro fiquei sem emprego e sem ter onde ficar, porque estava trabalhando ilegalmente", diz em entrevista à BBC News Brasil. "Pedi ajuda ao Consulado, porque eu estava sem dinheiro e não sabia como retornar ao Brasil. Eu estava desesperada, mas eles me disseram que não poderiam fazer nada para me ajudar."

"A orientação deles é para que a gente procure as instituições de caridade como a Proteção Civil, Caritas ou outras entidades religiosas." "Cheguei até a fazer uma vaquinha em redes sociais", conta.

"Dias depois, não sei como, a companhia aérea me telefonou dizendo que iriam me encaixar num voo que faria escala em Frankfurt e em Londres, e que levou mais 24 horas para chegar a São Paulo. Tive sorte em conseguir embarcar, porque muita gente ainda não sabe como voltar".

"Agora a minha luta é aqui na minha cidade, São Sebastião do Paraíso, enfrentando o preconceito das pessoas que acham que eu estou com o coronavírus", desabafa.