ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 28-04-2020 19:58 | 228
Renato Zupo
Renato Zupo Foto de Reprodução

Avanços e recuos
Morder e soprar é muito comum na política, que não suporta antagonismos e polêmicas mais radicais. Bons políticos não podem ter inimigos figadais, daqueles que se deseja que tenham dois dentes, um pra doer e outro pra abrir garrafa de cerveja. Nosso presidente pode ser excelente pessoa, mas é mau político, porque acirra ânimos ao invés de exortar o consenso. Espevita-se e cai em rompantes para depois atender a “turma do deixa disso” e dizer que não é bem assim... E quem diria, hein? A “turma do deixa disso” e dos panos quentes da República, o pessoal ponderado e sereno, é justamente a ala militar do governo. Esse Brasil nos surpreende sempre.

O fim da Quarentena?
Não dá pra sustentar mais um mês de quarentena, ela foi boa, mas se perseverar o país quebra. Está do seguinte jeito: ou ficamos em casa e quebramos e contraímos o COVID 19 mais cedo ou mais tarde, ou saímos de casa e trabalhamos e contraímos o COVID 19 do mesmo jeito. A quarentena é importante para dar tempo ao sistema de saúde para se adequar ao contágio em massa pelo CORONAVÍRUS. Para que a pandemia não vire um pandemônio. E deu certo, ou ao menos deu certo na medida do possível, porque estamos no Brasil... Melhor que está não vai ficar.

Autogolpe ou intervenção militar?
Já perdi horas e horas na internet, troquei farpas com afetos e desafetos e escrevi inúmeros textos tentando explicar a diferença entre golpe e revolução militar por ocasião da análise do “fenômeno” do AI-5, e não adiantou nada. Sabem por quê? Porque quem é de esquerda e socialista não vai mudar e vai permanecer execrando o militarismo. Quem é conservador e de direita vai permanecer exortando aqueles bons tempos que não voltam mais, segundo seu credo político. Então, agora não vou cair na mesma esparrela e sair explicando as impossibilidades e incertezas do “autogolpe”, com Bolsonaro minando a estrutura do próprio governo (ou não), ou da viabilidade de uma intervenção militar. Besteira explicar algo para alguém que já tem opinião formada e que não irá muda-la. O Brasil já está todo polarizado politicamente. Quem é de um lado “não vira” pra outro. 

De novo Rodrigo Maia
Rodrigo Maia é político à moda antiga. Tem o seu quadrilátero e seus eleitores garantidos a cada quatro anos, seja ou não um congressista eficiente ou simpático. Está acostumado aos sibilos e sussurros dos corredores das antessalas das cortes parlamentares e de justiça. Não grita porque sabe que os arroubos e bravatas não funcionam nessa sintonia fina de recados, conselhos e ameaças veladas com as quais aprendeu o exercício do poder, que agora dissemina. Saiba-se que presidente algum conseguirá governar sem pedir-lhe benção. Rodrigo Maia se prepara para tornar-se o novo ACM do Congresso Nacional, aquela eminência parda que a todos comanda sem aparecer muito – só tem aparecido porque do outro lado da Praça dos Poderes há um presidente da República que nada tem de compenetrado, estratégico ou delicado.  Um é o rei das meias palavras, o outro é soberano de uma autenticidade suicida.

Enquanto isso, nos EUA...
Curiosamente, Donald Trump permanece “assintomático” em suas ações presidenciais. Como se sabe, nos Estados Unidos há um verdadeiro regime presidencialista em que o dignatário máximo da nação é rei por quatro anos e pode fazer e acontecer durante este tempo. A fama e a vida pregressa de Trump não demonstram de jeito algum qualquer lado seu ponderado ou tranquilo e humilde. Seria de se esperar do presidente norte americano uma postura mais dominadora e senhora de si nessa época pandêmica, não  porque seja o melhor (e não seria o melhor), mas porque isso combina mais com o  atual líder do país mais poderoso do mundo e que dá as cartas na Casa Branca. No entanto, Donald Trump permanece ouvindo governadores e simplesmente manifestando sua opinião. Tem bons assessores e sabe que não é hora de brigar. Há um inimigo muito mais forte a combater e essa guerra contra a pandemia mal começou.

Carta dos Governadores.
Quem quer fazer política que tire férias do planeta e volte daqui a seis meses. A hora agora é de lutar contra a pandemia. Acontece que inúmeros governadores não sabem disso, ou fingem que não sabem, e aproveitam a crise (mais uma) existente entre a presidência da república e o Congresso Nacional  e resolvem tirar uma casquinha e aparecer gratuitamente na mídia. Assinaram uma mal fadada “Carta” contra a presidência e em defesa do Congresso Nacional. Péssima hora pra isso, o Congresso não está sendo atacado – somente alguns de seus exponenciais integrantes. A hora é de panos quentes. Tanto, que não dá pra criticar governadores que porventura não tenham aderido ao ato – estes fizeram certo.

O dito pelo não dito.
“O que eu espero senhores, é que depois de um razoável período de discussão, todo mundo concorde comigo.” (Winston Churchill, estadista inglês).

RENATO ZUPO, Magistrado, Escritor