POLEPOSITION

Saída de Vettel e a escolha da Ferrari

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 17-05-2020 10:25 | 308
Passagem de Vettel pela Ferrari está  longe de ser fracasso, mas também  não deixará saudade nos torcedores
Passagem de Vettel pela Ferrari está longe de ser fracasso, mas também não deixará saudade nos torcedores Foto de Getty Images

A semana foi agitada nos bastidores da Fórmula 1 com o anúncio da saída de Sebastian Vettel da Ferrari ao final desta temporada que deve começar dia 5 de julho, na Áustria. 

As negociações não evoluíram depois que a Ferrari ofereceu apenas um ano de renovação de contrato e com significativa redução no salário milionário do alemão. Mas não foi a redução de salário, e sim, a duração da proposta, a causa de Vettel desistir de continuar na escuderia italiana. 

A verdade é que a Ferrari perdeu a confiança em Vettel. Isso fica claro quando no apagar das luzes de 2019, renovou o contrato de Charles Leclerc por cinco anos, até o final de 2024. Vettel vinha cometendo uma série de erros nos momentos mais decisivos, e a batida com Leclerc em Interlagos, ano passado, quando disputavam a 4ª posição que resultou no abandono dos dois, às portas fechadas deve ter sido a gota d água em Maranello. Assim, a forma mais rápida de se livrar do piloto que ela perdera a confiança, seria tirar de Vettel o status de primeiro piloto com um contrato chinfrim para um tetracampeão. Bingo(!), o alemão pegou o boné e vai embora.

Para o próprio Vettel, no seu íntimo, talvez tenha sido a ‘deixa’ que ele queria, uma vez que já não se sentia confortável na Ferrari desde a chegada de Leclerc, no ano passado, e via cada vez mais distante cumprir o plano que ele havia traçado de viver na Ferrari uma segunda versão do sucesso que alcançou nos tempos de Red Bull.

Mais: Uma nova temporada abaixo da crítica, diante de outra excepcional de Leclerc, só arranharia ainda mais a sua imagem já desgastada nos últimos anos. 

Não vejo a passagem de Vettel pela Ferrari como fracasso, afinal, ele é o terceiro piloto que mais ganhou corridas com a Ferrari (14), mas também não vai deixar saudade no coração dos torcedores da equipe italiana depois de falhar tantas vezes, dando margem para especulações se ele era mesmo piloto para quatro campeonatos mundiais, como os que conquistou de 2010 a 2013 com a Red Bull.

Ainda não se sabe (até o fechamento desta coluna) o que será do futuro de Vettel, se continua na Fórmula 1, ou se aposenta. Há uma vaga disponível na Renault deixada por Daniel Ricciardo que vai para a McLaren ocupar o lugar de Carlos Sainz Jr que substituirá Vettel na Ferrari. E caso Vettel tenha pretensões de continuar, terá a concorrência de outro nome de peso como candidato à vaga da Renault: Fernando Alonso que ainda não deu por encerrado seu ciclo na Fórmula 1. 

Mas, entre Daniel Ricciardo e Carlos Sainz Jr, por que a Ferrari teria ficado com a segunda opção? A resposta pode ser interpretada por dois motivos: 1) O espanhol é um piloto três vezes mais barato que o australiano que recebe algo em torno de US$ 25 milhões da Renault; 2) filosofia de trabalho! 

Eu fico com a segunda opção. Por mais que Ricciardo seja um sonho antigo da Ferrari, e o chefe, Mattia Binotto, sabe que o australiano tem capacidade de entregar mais resultados do que Vettel, Ricciardo fatalmente bateria de frente com Leclerc. E entre ter dois pilotos se digladiando, por vezes colocando em risco os objetivos da equipe, a Ferrari optou por Carlos Sainz Jr, piloto jovem (25 anos), promissor e experiente com 102 GPs, mas que num primeiro momento não deverá se opor a condição de primeiro piloto dada a Leclerc. Afinal, a Ferrari nunca foi de tratar seus dois pilotos em igualdade de condições. Faz parte da filosofia de trabalho da equipe.