ÔNIBUS

Transporte interestadual de ônibus é retomado gradativamente

Por: Redação | Categoria: Transporte | 30-05-2020 11:26 | 1176
Viagens interestaduais com ligações ao interior paulista são retomadas, mas setor reclama que movimento caiu 80% do que antes da pandemia
Viagens interestaduais com ligações ao interior paulista são retomadas, mas setor reclama que movimento caiu 80% do que antes da pandemia Foto de Roberto Nogueira

A pandemia do novo Coronavírus, interrompeu e limitou os horários de ônibus interestaduais que circulam na região. As medidas de restrições e de isolamento social afetaram as linhas que ligam São Sebastião do Paraíso com cidades do estado de São Paulo. Nesta semana um dos últimos trechos que estavam com o serviço paralisado foi retomado parcialmente com a volta do transporte de passageiros para Franca (SP), mesmo com oferta reduzida de horários.

Assim que houve o decreto de calamidade pública determinada pelo governador Romeu Zema em 20 de março, o transporte de passageiros interestadual foi interrompido. De Paraíso foram interrompidas as viagens para cidade como Mococa, Campinas, São Paulo, Ribeirão Preto e Franca que são as que possuem maior movimento. Ônibus que fazem linhas com origem em Belo Horizonte com destino a Campo Grande e conexões com interior paulista e cidades do centro-oeste também deixaram de circular.

A medida prejudicou muitas pessoas que utilizam deste tipo de transporte para diversas atividades. "Minha mãe faz tratamento de saúde em Campinas e parou tudo o transporte e o tratamento. Há um mês voltou a ter ônibus, mas o hospital não está atendendo", diz José Maurício de Souza. Para a enfermeira Rosângela Silva que trabalha em Ribeirão Preto a situação só foi normalizada há cerca de 20 dias. "Tive de ficar na casa de parentes, porque não havia transportes, por um lado foi até bom para evitar qualquer possibilidade de contágio. Agora as viagens para Paraíso ocorrem somente no fim de semana", conta.

Reginaldo Domingos, reside em Claraval (MG) mas para visitar familiares em Paraíso que fica a cerca de 90 quilômetros tem a passagem por Franca como a melhor rota. "É o caminho mais curto e mais barato, mas só nesta semana é que voltou a ter ônibus ligando as duas cidades", diz. Se fosse vir por Minas teria de passar por cidades como Ibiraci, Cássia e Itaú de Minas antes de chegar a sua terra natal.

Embora as viagens interestaduais estejam sendo retomadas gradativamente, o número reduzido de passageiros, tem feito com que as empresas mantenham acesa a luz de alerta. Com isso os horários das viagens estão reduzidos. De Paraíso para Franca, por exemplo, o ônibus agora vai às 7h da manhã e só retorna às 17h. Antes da pandemia, havia um retorno de Franca às 10h e uma ida às 14h30, com regresso às 18h, além dos horários extras aos sábados, domingos e feriados.

Situação semelhante ocorreu com a retomada das viagens para Ribeirão Preto. A empresa que faz a linha é a São Bento, a mesma que vai para Franca. Devido a situação de pandemia os horários disponibilizados foram reduzidos. De Ribeirão até Paraíso há uma partida às 8h e outra às 18h45. No sentido contrário o ônibus saem do Terminal Rodoviário Angelo Scavazza, às 10h10 e também às 18h10.

O Expresso União também já havia retomado as viagens para Ribeirão Preto no final de abril. A viagem tem início em Passos, passa por Itaú de Minas e São Sebastião do Paraíso. Também no mesmo período reiniciaram-se as viagens para São Paulo. 

Além da redução da quantidade de passageiros, as empresas argumentam que estão tendo maiores gastos em função da higienização dos ônibus. Segundo a Anatrip (Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros) o movimento de passageiro que já vinha sofrendo quedas, teve uma queda de 80% no período de pandemia. Segundo a entidade o setor gera cerca de 100 mil empregos diretos e grande parte corre risco frente a paralisação das atividades.

A estimativa da associação é de que o colapso das empresas poderá prejudicar 80 milhões de usuários de baixa renda que dependem do serviço para se locomover. O setor já está se mobilizando e reivindica ajuda do governo para a promoção de ações de ajuda para o transporte interestadual, sem as quais as empresas não conseguirão manter os empregos e, provavelmente, não terão outra saída a não ser fechar as portas.

Entre as reivindicações já apresentadas consta a suspensão por 180 dias da cobrança do PIS-Cofins e da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) incidente nos combustíveis e do ICMS sobre o diesel e o que é cobrado dos passageiros nos estados.