CRÔNICA HISTÓRICA

São Tomás de Aquino nos idos de 1938

Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cultura | 03-06-2020 10:38 | 845
Donizetti Santana Figueiredo Prefeito Municipal de São Tomás de Aquino Revista Nação Brasileira, RJ, Maio de 1938.
Donizetti Santana Figueiredo Prefeito Municipal de São Tomás de Aquino Revista Nação Brasileira, RJ, Maio de 1938. Foto de Reprodução

Esta crônica registra informações para a escrita da história do Sudoeste Mineiro, focalizando a cidade de São Tomás de Aquino, antigo distrito de São Sebastião do Paraíso, criado no final do século XIX, um dos famosos municípios cafeeiros da região. Trata-se de reproduzir anotações publicadas na revista carioca Nação Brasileira, de maio de 1938, inseridas numa reportagem sobre o progresso então vivenciado pela cidade, cuja emancipação política, naquele momento, tinha ocorrido há pouco mais de uma década. Essa matéria foi destacada com seguinte manchete: “O grande progresso do município de São Tomás de Aquino e o Grupo Escolar Olegário Maciel”.

O cenário desse momento histórico regional foi descrito nos seguinte termos: “O município de São Tomás de Aquino, hoje sob a direção esclarecida do prefeito Donizetti Santana Figueiredo, tem tomado um forte impulso e progredido sensivelmente. Seus melhoramentos na cidade, dignos de nota, são a luz elétrica, água encanada, rede de esgoto e calçamento em projeto, jardins públicos, cinema, clubes recreativos etc.”

Ficou registrado ainda que a cidade contava com uma movimentada agência de Correio e com os serviços da Companhia Telefônica Brasileira, sendo que o município alcançava a população de 14 mil habitantes dos quais quatro mil moravam na cidade e os outros dez mil na zona rural, cuja principal base econômica era a cafeicultura. A população do município estava sendo servida por empresa de auto-ônibus, ligando a cidade com São Sebastião do Paraíso e com Franca, no Estado de São Paulo.

O orçamento anual do município alcançava a “elevada cifra” de cem contos de reis, bem superior à receita de outros municípios da mesma região. Na plano cultural ficou registrado que o Grupo Escolar Olegário Maciel, sob a direção da professora Maria Maciel Braia, estava proporcionando instrução pública primária da melhor qualidade. O corpo docente tinha 14 professoras para atender 450 alunos matriculados.

Uma foto ilustrativa da referida reportagem registrou a instalação, em 31 de julho de 1937, do Termo Judiciário de São Tomás de Aquino, com a seguinte identificação: “Ao centro, o Juiz de Direito da Comarca de São Sebastião do Paraíso, Amphiloquio Campos do Amaral, ladeado por José de Oliveira Brandão, prefeito municipal de São Sebastião do Paraíso, Donizetti Santana de Fi-gueiredo, prefeito de São Tomás de Aquino; Francisco Herculano Duarte, promotor da Comarca de São Sebastião do Paraíso e o pároco de São Tomás de Aquino, padre Ubirajara Cabral.

O primeiro juiz municipal nomeado para dirigir o termo jurídico de São Tomás de Aquino, vinculado à comarca de São Sebastião do Paraíso, foi o Dr. Dul-cídio Menezes, sendo adjunto de promotor, o tenente Francisco de Chagas Barros; delegado de polícia, Armindo dos Santos; escrivão do crime, Durval Freire Cavalcanti; escrivão de registro civil, Francisco Sotero do Couto e oficiais do 1º e 2º ofícios, respectivamente, José Porfírio Borges e João Potenciano. A todos esses cidadãos que há mais de oito décadas foram protagonistas da vida social aquinense nossas reverências em nome da história do Sudoeste Mineiro.

Revista Nação Brasileira, RJ, maio de 1938