ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 01-07-2020 02:12 | 106
Entretanto Renato Zupo
Entretanto Renato Zupo Foto de Reprodução

O Caso Queiroz
Fabrício Queiroz, você já sabe, era assessor de Flávio Bolsonaro na Câmara dos Deputados do Estado do Rio, e amigo antigo de todos da família do Presidente da República. A acusação que pesa contra ele é a de ter manejado dinheiro desonesto que depositava de bocado em bocado na conta de Flávio, o filho 01, além de pagar-lhe contas pessoais com dinheiro vivo. O caso era para ser estarrecedor se não vivêssemos em um país repleto de escândalos políticos, o que transforma Queiroz em um personagem coadjuvante em um enredo de segunda linha sem quaisquer atrativos maiores, não fosse pelo fato de que, com ele, (finalmente para alguns) se conseguem indícios que podem vir a incriminar um dos filhos do Presidente odiado por facções extremistas de militantes de esquerda e setores poderosos da imprensa nacional. Esse pessoal sabe fazer o serviço muito bem feito: primeiro arrumaram um jeito de afastar o queridinho Sérgio Moro do planalto, depois criaram uma zanga da Polícia Federal com Bolsonaro, em seguida tiraram dele qualquer hipótese ainda possível de coexistência pacífica com o STF. Em suma, quebraram suas pernas, retirando-lhe o último dos apoiadores midiáticos, a polícia e o Poder Judiciário. Agora (pensam) é bater em bêbado. Enganam-se.  Assisti a uma transmissão ao vivo de Bolsonaro semana passada, destas que se chamam “Live” em tempos de pandemia. Impressionante, ao lado da tela, a velocidade das tuitadas dos apoiadores, milhares em minutos, e talvez seja por isso que os detratores do presidente tenham se esmerado em golpear-lhe também os apoiadores em redes sociais. Para que caia e não se levante. Só esqueceram-se do povo, mas aqui há um conglomerado televisivo caprichando para pouco a pouco ir dilacerando a imagem presidencial aos olhos de seus eleitores.

“Anticiência”
O STF agora quer “cuidar” das “pessoas anticiência”. Gostaria de me encontrar com o Ministro Luiz Fux, autor do neologismo, e lhe perguntar o que cargas d´água seria uma pessoa anticientífica. Alguém avesso à ciência? Então teremos que investigar, e buscar e apreender computadores, de diversos religiosos do país inteiro. Atenção, se você é evangélico, vai sobrar para você se por acaso defende a teoria criacionista de que viemos de Adão e Eva e não dos primatas. Já imaginaram prender um terraplanista porque contesta a circularidade do planeta? O sujeito vai ser colega de presídio da Sara Winter, esta perigosa agitadora que joga fogos de artifício defronte ao STF, outro crime bárbaro de pessoas anticientíficas. O que me preocupa não é o cidadão leigo crer nisso tudo como a voz da razão e da democracia – o povo brasileiro sempre foi massa de manobra ao longo do tempo, e é por isto que não há políticas sérias de educação com qualidade para a população pobre neste nosso melancólico país. O que verdadeiramente me enoja, me enche de asco, é presenciar a classe de juristas brasileiros permanecer impávida, calada, omissa e covarde diante do extermínio dos princípios republicanos mais basilares existentes na Constituição Federal, sob o pretexto de deter um suposto presidente autoritário, ele muito mais vítima do fascismo do que seu representante. Isso me faz lembrar mais do que nunca o mártir negro Marthin Luther King: “O que me apavora não são os gritos dos maus, mas o silêncio dos bons”.

Weintraub já vai tarde
Gostaria de ter Abraham Weintraub como convidado em minha casa. Iria fazer um churrasco para ele e seus familiares, tomaríamos umas cervejinhas, contaríamos piadas, nos divertiríamos bastante. Ele é o tipo do sujeito boa praça e que fala o que pensa. Acho que Lula também seria um bom convidado nesse meu churrasco, ele que é tão espirituoso quanto conhecedor de boas histórias que sabe contar como ninguém. Talvez eu até ousasse mais: convidaria aos dois, o ex-presidente da república petista e o ex-ministro da educação encrenqueiro para a mesma reunião festiva. Acredito que iriam se dar superbem fora do alcance das câmeras abelhudas da imprensa e dos acirramentos políticos de Brasília. Afinal, um amigo meu viu Lula indo prestigiar Maluf no aniversário de 80 anos do eterno político paulista criador de polêmicas. Esses caras só brigam para a mídia ver e para agitar as manchetes dos sites, blogs e jornais. O que não seria possível é suportá-los (de novo) no governo. Aí não basta ser simpático, carismático, bom contador de histórias ou ser um boêmio divertido. É preciso trabalhar para as próximas gerações, e disto Lula se esqueceu, preocupando-se em angariar eleitores para eternizar seu partido no poder. É preciso gerar consenso em torno de metas, sem perder o foco com discussões desnecessárias, e tudo que Weintraub mais fez foi hostilizar seus desafetos. Durante sua breve passagem por Brasília pode não ter dito nenhuma mentira, pode ter acertado em suas boas intenções, pode ter sido transparente. Mas não basta isso tudo. Tem que haver respeito pelos poderes da República, tem que haver bom senso e prudência para governar.

O Dito pelo Não dito.
“A liberdade é uma coisa tão preciosa que deveria ser racionada”. (Vladmir Lenin, ditador comunista russo).