ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 08-07-2020 05:21 | 178
Renato Zupo
Renato Zupo Foto de Reprodução

Terça livre
O Programa Terça Livre, jornalismo independente comandado pelo apresentador e repórter Allan dos Santos, agraciou o nosso programa Entretanto com bastante divulgação por ocasião de um vídeo que postamos sobre as incoerências do Ministro Alexandre de Moraes. Agradeço aqui os elogios: na verdade, a notoriedade é dada aqui pela imparcialidade do comentário, como é a prática do Entretanto. Aqui, falamos das coisas do Brasil e do Mundo à luz do Direito, um bate papo ameno e agradável, sem partidarismos. Ou seja, o negócio aqui é informar sem deformar. O Allan e o pessoal do Terça Livre viram isso. Tem muita gente no Brasil vendo isso, o que não impede, no entanto, de que pessoas insistam em apontar os nossos comentários como tendenciosos, aquela velha tendência infelizmente ainda existente de queimar o carteiro por causa da carta. Ou de achar que a pessoa, o comentarista, o comunicador ou analista, tem obrigatoriamente que tomar partido. Nos tolhem o direito da imparcialidade, como se fossemos obrigados a nos contaminar à direita ou à esquerda do conflito. Algo assim como “se não estiver do nosso lado, está contra nós” – típica fala cafona de filme de bang bang antigo. Mas que ainda cola. Na ausência de um lado claro, presumem que você é o inimigo e saem te saraivando de críticas. Ora, temos que aprender a discordar civilizadamente! Como disse recentemente o jornalista Alexandre Garcia:  já pensou como seria chato se a gente só pudesse conversar com quem concorda com a gente? Ia ser tedioso demais! O negócio é conversar com quem discorda de nós!

Meu Malvado Favorito
O “perigosíssimo” jornalista Oswaldo Eustáquio, blogueiro independente e segundo alguns, militante bolsonarista, foi preso. Com ele, mais as medidas contra Sara Winter e Allan dos Santos, se está atacando mais a classe jornalística do que em período de AI-5. Será que ninguém vê isso? Já exortei aqui aos operadores do Direito que por favor, por gentileza, esqueçam brigas políticas e voltem a se concentrar nos alfarrábios, nos livros jurídicos, na doutrina e nos precedentes jurisprudenciais. Vamos voltar a ser técnicos, por favor. Todos aprendemos que a Lei de Segurança Nacional está em desuso e perdeu, por isto, legitimidade. Ela não pode servir para prender quem quer que seja, para buscar e apreender, muito menos sob o pretexto de que manifestações políticas de apreço ou desapreço sejam fake News provenientes do “gabinete do ódio”. Que ódio é esse, onde está esse ódio? Gente, a democracia é pendular  em todo o mundo civilizado. Hoje ganho eu, amanhã você. Eleição é igual olimpíada, é igual Copa do Mundo: de quatro em quatro anos tem. Para que exista uma esquerda, tem que haver uma direita. Um país sem estes dois lados da política é um país democraticamente doente, em que há algo de podre rondando os bastidores do poder. A esquerda tem que parar com essa história de aplaudir decisões aberrantes e medidas tumultuárias à democracia, só porque são contra a direita no poder. A esquerda tem que parar com essa história do filminho, de que este ou aquele ministro do STF é seu “malvado favorito” – ou seja, está errado, fez errado, judiou, mas porque foi contra o presidente da República, tudo bem, viva a decisão errada! Vamos parar com isso. A proteção constitucional é para todos, indistintamente, e não importa a sua vertente ideológica, o seu pensamento ou o seu lado político.

Polícia é pra quem entende de polícia!
O Ministro Edson Fachin determinou que operações de polícia em favelas cariocas durante a pandemia devam se restringir ao absolutamente necessário. É claro que é visível a redundância: operações policiais caras e perigosas em comunidades carentes atraem problemas, mortes e prisões, sem contar o oba oba. Nenhum chefe de polícia as iria realizar se não houvesse necessidade premente de fazê-lo. Isto é óbvio. E o Ministro também não explica o que seria, em sua opinião, a necessidade a justificar a medida policial tolhida. Acabou, na prática, impedindo a apuração de crimes vários que necessitam de intervenção operacional pronta da polícia nos morros do Rio.  E a polícia, claro, para não incidir em crime de responsabilidade, fica quietinha esperando o senhor ministro se pronunciar. Tivesse ele se adestrado em comarcas do interior como juiz de carreira estadual, tivesse ele trabalhado em cidades pequenas e médias do Brasil, antes de testar suas atribuições na mais alta corte de justiça do Brasil, saberia que de serviço policial, de segurança pública, quem entende é a própria polícia. O Poder Judiciário não pode e nem deve ensinar como fazer. Deve cobrar quando é mal feito. E como juiz não detém conhecimento enciclopédico, não entende de tudo um pouquinho, deve reconhecer suas limitações e parar de governar, deixando esta atribuição para o Poder Executivo (e as suas polícias). Sempre que um poder se intromete onde não é devido, sempre que um profissional tenta fazer o que não sabe, dá problema. E quem paga o pato é o povo.

O Dito pelo não dito.
Ninguém pode mudar o mundo. Mas podemos mudar uma pequena parcela dele: essa parcela que chamamos de ´eu´. Não é fácil. Nem rápido. Mas vale a pena tentar.” (Alexandre Garcia, jornalista brasileiro).