POLE POSITION

Repeteco na Áustria e volta de Alonso

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 12-07-2020 07:55 | 650
A irreverência de Fernando Alonso encenando tomar sol em Interlagos. Volta em 2021 será bem-vinda para a F1
A irreverência de Fernando Alonso encenando tomar sol em Interlagos. Volta em 2021 será bem-vinda para a F1 Foto de Getty Images

Lewis Hamilton tem neste final de semana a chance de se redimir dos erros que cometeu na corrida de estreia da F1 e melhorar seu retrospecto no circuito Red Bull Ring. Pelo quarto ano seguido ele ficou fora do pódio - domingo passado por conta de uma punição de 5s pelo toque em Alex Albon e caiu da 2ª para a 4ª posição.

Valtteri Bottas que tem bom retrospecto nesta pista também terá a chance de repetir o bom resultado - pole e vitória de ponta a ponta, e quem sabe poder lutar em igualdade de condições com o companheiro de Mercedes pelo título. Não dá para comparar o talento de Bottas com o de Hamilton, mas é em oportunidades como a do final de semana passado que o finlandês precisa criar e se agarrar já que o campeonato será mais curto e cada ponto passa a ser de extrema importância.

As impressões deixadas pelo GP da Áustria apontam para a Mercedes como a grande favorita aos títulos de pilotos e de construtores, e se Bottas repetir o que Nico Rosberg fez em 2016, fazendo das tripas coração, terá uma pequena chance de se sobressair melhor que Hamilton que cometeu uma série de erros na semana passada. Há quem diz que o hexacampeão estava muito focado nas causas sociais em que luta contra o racismo, o preconceito e pela maior diversidade na própria F1 e tenha perdido o foco.

Não faz sentido acreditar que isso tenha sido a causa dos erros de Lewis na abertura do campeonato. Vou mais além: um Hamilton ferido torna-se um adversário perigoso, e ele tem a grande ambição de superar ainda neste ano as 91 vitórias de Michael Schumacher e igualar os 7 títulos do alemão, o que prova o quanto está focado no campeonato.

A Red Bull que seria esperança de ameaça ao reinado da Mercedes ficou aquém das expectativas na semana passada numa pista que é de sua propriedade, e a impressão nem foi pelo abandono de Max Verstappen ainda no começo da corrida. Me chamou atenção a declaração do holandês após o treino de sábado quando foi o único a traçar estratégia diferente com o jogo de pneus médios para a largada e dizer que “não tinha nada a perder”. ‘Nada a perder’ na primeira corrida do ano atesta que já sabia que seria impossível bater as Mercedes em condições normais de corrida.

E a Ferrari vai ter um ano duro pela frente com um carro que segundo o chefe, Mattia Binotto, perde 0s7 nas retas e 0s3 nas curvas, ou seja, 1s por volta mais lento que a Mercedes, além do clima ruim que paira entre a equipe e Sebastian Vettel.

Por conta do coronavírus a F1 permaneceu na Áustria para a segunda corrida, agora denominada GP das Estírias, nome da região onde fica o Circuito Red Bull Ring, algo inédito na história de 70 anos da categoria realizar duas corridas numa mesma pista no mesmo ano.

Mas a semana foi chacoalhada pela notícia da volta de Fernando Alonso no ano que vem pela Renault. Não chega a ser surpresa porque desde que deixou a F1 no final de 2018, Alonso nunca fechou as portas para um possível retorno. O que surpreende é que aos 39 anos, Alonso não encontrará a mesma Renault dos seus dois títulos de 2005 e 2006, e a Renault não encontrará também o mesmo Alonso daquela época. Mas não deixa de ser interessante para a F1 a sua volta. Alonso é garantia de notícias, mesmo que o retorno passe a impressão de ser menos ambicioso e mais por diversão, ele certamente alimentará as mídias com cenas como aquela em que encenou um banho de sol em Interlagos, insatisfeito com a situação que vivia na McLaren. Mas se mesmo assim os resultados ficarem muito abaixo da crítica, não será surpresa se ele gritar pelo rádio “motor de GP2”- antigo nome da F2 -, como fez no Japão, humilhando a Honda em sua própria casa. A F1 precisa de pilotos controversos como Alonso.