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O dom de iludir

Por: Redação | Categoria: Cultura | 11-07-2020 17:20 | 109
Foto de Reprodução

Na minha infância era comum aparecer esses mascates aqui no centro de Paraíso, com malas tipo baú ou canastra, fazendo apresentação com pitadas de humor e magia, para vender seus produtos, como tônicos que diziam milagrosos afrodisíacos e óleos para dores musculares.

Para atrair o público à sua volta, o espetáculo iniciava na praça e estabelecia o pacto entre o apresentador e o público. Antes mesmo de começar a venda de seus produtos traziam na mala um lagarto que tinha até nome, era Dom Paschoal, e uma cobra da espécie jiboia, a Dona Catarina, dizendo que seria o ápice do espetáculo a briga entre esses dois pobres animais.

Difícil era não ficar espantado com esse mascate, com simples objetos como baralhos, lenços e moedas, com tamanha agilidade faziam sumir ou aparecer do nada. Efeitos que levam até os mais descrentes a um estado de encantamento.

Mas como conseguem enganar dessa maneira?

Criando ilusões, eles causavam uma bagunça em nosso campo visual, distorcendo a percepção e desestruturando a nossa lógica. Sabe-se que nos primórdios da Medicina Medieval o cirurgião-barbeiro, como era conhecido, precisava ser um bom malabarista para divertir o povo e vender suas poções.

Muitos desses profissionais foram executados a forca ou iam para a fogueira por práticas consideradas ou que assemelhassem  a bruxaria pela Inquisição no final do século XV.

Vocês devem lembrar-se de quando Mister M estreou um quadro no programa Fantástico, da Rede Globo em 1999. Com o rosto encoberto por uma máscara, o mágico revelou os segredos e os sofisticados truques de ilusionismo, explicando detalhes. A ideia não agradou profissionais do ramo, pois os segredos são guardados a sete chaves.

O ilusionista não ilude, ele ilusiona seu público através de sua arte.

Iludir é enganar

Ilusionar é criar uma nova realidade, levar o público a outra dimensão onde tudo se torna possível.

Essa é a verdadeira mágica.
Sebastião Pimenta Filho – membro da Academia Paraisense de Cultura