POLE POSITION

A força de Hamilton, e o caos da Ferrari 

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 19-07-2020 05:00 | 389
89ª pole position de Hamilton entra para a lista das mais fantásticas da F1
89ª pole position de Hamilton entra para a lista das mais fantásticas da F1 Foto de F1 / Divulgação

A vitória de Lewis Hamilton no GP da Estíria foi o resultado mais previsto da ainda curta temporada da F1. E não foi pelo fato de a Mercedes ter um carro muito superior ao da Red Bull, mas porque Hamilton estava ferido pelos raros erros que havia cometido e punições que recebeu na abertura do campeonato uma semana antes na mesma Áustria.

E a resposta não poderia ter vindo em maior estilo. Uma pole position conquistada com uma das atuações mais fantásticas que um piloto poderia ter na mais precária condição de visibilidade e aderência da pista. 1s2 (um segundo e dois centésimos) mais rápido que o outro especialista no molhado, Max Verstappen, da Red Bull! 

Na chuva o braço do piloto faz mais diferença que a superioridade do carro. Isso por si só já neutralizaria a vantagem que a Mercedes tem sobre a Red Bull, haja vista que George Russell com a capenga Williams arrancou um brilhante 12º lugar e ficou menos de um décimo de entrar para a parte final do treino. Teria sido “o cara” da classificação não fosse a soberba atuação de Hamilton.

E o Hamilton implacável da classificação – na minha modesta visão o piloto que mais se aproxima do estilo e da capacidade de Ayrton Senna em extrair tudo de um carro - converteu na corrida o resultado mais esperado: a vitória sem dar chances a ninguém. É certo que ainda é cedo - chegamos apenas à terceira etapa do Mundial e não sabemos ainda quantas corridas teremos pela frente por causa das dificuldades que a F1 vem tendo para organizar o calendário -, mas dá pra dizer com toda segurança que pintou o campeão de 2020. Pintou o novo heptacampeão ao lado de Schumacher e que provavelmente se tornará ainda neste ano o maior vencedor de toda a história da F1. Com mais seis vitórias Hamilton supera as 91 do alemão.

Se a Mercedes esbanja da organização e da força mental de seu principal piloto, a Ferrari é o caos neste começo de campeonato. Que fase(!); O modelo SF1000 já se sabia desde a pré-temporada ter nascido lento e o tempo que a F1 ficou em quarentena por causa da pandemia não pode ser aproveitado pelo pessoal da fábrica, em Maranello, contornar as deficiências de um carro lento e desequilibrado. A Ferrari é cerca de 1s por volta mais lenta que a Mercedes, segundo o próprio chefe, Mattia Binotto, que se não bastasse os problemas técnicos do carro, terá que contornar o clima ruim que criou com Sebastian Vettel.

Qual a motivação Vettel terá em seu ano de despedida com um carro horrível e magoado por ter sido demitido por telefone? Domingo passado ele não teve culpa na batida que levou de Leclerc, mas para colocar mais lenha no fogo, eu diria que o alemão teve lá, sim, sua (pequena) parcela ao largar muito mal da 10ª posição e ficar na mira de Leclerc que exagerou no otimismo em tentar passar onde não dava. A corrida da Ferrari durou apenas 26 segundos (!) e pela segunda vez em 4 provas (a primeira foi em Interlagos, no ano passado), seus pilotos se aniquilaram de forma bizarra.

Vai ser difícil para Binotto administrar essa crise interna num ano histórico para a Ferrari que vai completar em Mugello, daqui a seis corridas, sua 1000ª participação em corridas de F1.

A F1 está na Hungria seguindo um protocolo ainda mais rígido imposto pelo governo húngaro para evitar que alguém de fora leve o Covid-19 ao país que conseguiu controlar bem o avanço da doença.   

Este será o 35º GP da Hungria, prova que no ano passado foi marcada pela primeira pole position de Max Verstappen e vencida por Lewis Hamilton num show de pilotagem do inglês, e do estrategista da Mercedes em dar um nó tático na Red Bull.