POLEPOSITION

Vilões de Silverstone

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 09-08-2020 18:01 | 403
Pneus dianteiro esquerdo foram os vilões do GP da Inglaterra
Pneus dianteiro esquerdo foram os vilões do GP da Inglaterra Foto de F1 / Divulgação

O GP da Inglaterra seguia em banho-maria até que os pneus resolveram bagunçar o final da corrida que caminhava sem nenhuma surpresa numa pista veloz que casa bem com os (quase) perfeitos carros da Mercedes de 2020.

Ainda no sábado Carlos Sainz havia alertado para o desgaste do pneu dianteiro esquerdo da McLaren durante os treinos, e antes da metade da prova Kimi Raikkonen reclamou pelo rádio que seus pneus estavam acabando. “Muita gente reclamando”, respondeu o engenheiro da Alfa Romeo. Era a senha para o que viria nas voltas finais.

Para entender o que aconteceu no domingo passado, em Silverstone, é preciso voltar aos treinos livres da sexta-feira sob calor intenso, fora dos padrões da Grã-Bretanha, com as temperaturas na casa dos 36ºC e 50ºC no asfalto. A Pirelli havia escalado os compostos mais duros de sua gama para a corrida, os C1 (duros) de faixa branca, os C2 (médios) de faixa amarela, e os C3 (macios) de faixa vermelha. E o treino da sexta-feira acabou não servindo pra nada porque a previsão do tempo apontava queda brusca de temperatura no sábado e no domingo, que acabou se confirmando. E sem referência do comportamento dos pneus duros no asfalto mais frio, as equipes foram para a corrida às cegas, apostando numa única parada.

O que ninguém contava era com o safety car logo no começo da prova, entre as voltas 12 e 13 quando todo mundo parou, aproveitando-se da batida de Daniil Kvyat. Some-se a isso o fato de a entrada dos boxes de Silverstone ser a mais longa de todas as pistas do campeonato, ninguém quis perder a oportunidade de trocar os pneus em bandeira amarela. O único que arriscou foi Romain Grosjean que largou do fundo do grid, chegou andar em entre os 10 primeiros por bom tempo, e só parou na volta 35. Depois disso se perdeu e terminou apenas em 16º.  

Mas, se os médios de Grosjean aguentaram 35 voltas, por que os duros, que pelo próprio nome já diz ser mais resistentes, suportaram apenas 37 voltas no caso dos três pilotos que tiveram os dianteiros esquerdos furados? Primeiro há de se destacar que os carros da Haas não estão entre os mais rápidos do grid, e consequentemente o nível de stress sobre os pneus acaba sendo menor que a energia colocada nos pneus dos carros mais velozes. E segundo porque Silverstone tem um traçado com várias curvas velozes onde o pneu dianteiro esquerdo é submetido a maior carga, e quem força mais, sofre maior desgaste. 

É a lei da física, quando você entra numa curva à direita em alta velocidade, todo o peso do carro é transferido para o pneu dianteiro esquerdo, e depois de 37 voltas esses pneus já estavam na lona. Por esse motivo nem dá para dizer com segurança se Max Verstappen teria vencido a corrida se não tivesse parado na penúltima volta para colocar os macios e fazer a volta mais rápida.

A F1 que tanto busca encontrar uma fórmula que traga mais competitividade entre as equipes, tem a receita mais caseira e barata possível para tornar as corridas movimentadas. Basta acabar com os treinos da sexta-feira. O assunto tem sido colocado em pauta, mas sempre esbarra na falta de unanimidade, uma exigência para que mudanças de regras sejam aprovadas.

É verdade que o GP da Inglaterra esteve longe de ser emocionante e só foi salvo da monotonia pelos pneus nas últimas três voltas. Mas ficou a lição mais uma vez de que sempre quando as equipes perdem a referência, as corridas acabam bagunçadas.

A F1 prossegue neste final de semana na mesma Silverstone, agora denominado “GP dos 70 anos da F1” e desta vez os pneus serão de compostos mais macios (C2, C3 e C4) que darão tempero à corrida e dor de cabeça aos engenheiros. E a previsão do tempo aponta calor, mais um ingrediente para colocar fogo na quinta etapa do Mundial. 

Envio forte abraço ao meu pai pelo seu dia. E prudente que a gente não se abrace nesses dias, mas um café, juntos, está valendo. Feliz dia dos pais!