POLEPOSITION

Melhor que a encomenda

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 16-08-2020 07:00 | 795
Verstappen venceu em Silverstone e quebrou a sequência de vitórias da Mercedes
Verstappen venceu em Silverstone e quebrou a sequência de vitórias da Mercedes Foto de F1 / Divulgação

Foram duas corridas consecutivas em Silverstone em que a tônica foram os pneus. Em ambas a Mercedes sentiu na pele os maiores efeitos, ainda que Lewis Hamilton tivesse vencido a primeira com apenas três rodas já que o dianteiro direito estourou na última volta. 

Para cada prova o modelo W11 da Mercedes reagiu de forma distinta. Na primeira quando os compostos eram os mais duros da gama de pneus fornecidos pela Pirelli, os dianteiros direitos tanto de Bottas quanto o de Hamilton estouraram devido ao desgaste excessivo da borracha já que ambos, assim como a maioria do grid havia parado para a troca antes do previsto, aproveitando-se de um safety car na pista. Carlos Sainz, da McLaren, foi outro que também teve o mesmo pneu estourado.

Para a segunda prova, no domingo passado, a questão era outra. A Pirelli forneceu pneus mais macios que os da primeira corrida, as temperaturas do asfalto estavam mais altas, e para evitar que os pneus estourassem novamente, a fornecedora determinou o aumento da pressão dos pneus, o que causou nos carros da Mercedes um aumento da temperatura interna desses pneus, provocando as tais bolhas que a equipe ficou sem entender as causas, já que os efeitos não foram sentidos nos carros da Red Bull que venceu com Max Verstappen.

A vitória de Verstappen contrariou as expectativas de domínio da Mercedes e começou a ser construída na segunda parte do treino de classificação quando o holandês fez seu melhor tempo com os pneus mais duros e os demais pilotos estavam calçados com os compostos médios. Eles são obrigados a largar na corrida com esses mesmos pneus do Q2 (a segunda parte do treino).

A tática foi tão certeira que Verstappen respondeu com certa ironia ao pedido do engenheiro para que cuidasse dos pneus: “não vou ficar guiando como uma vovó”! E a determinação do jovem holandês ao ultrapassar Valtteri Bottas imediatamente ao fazer seu primeiro pit stop foi fundamental para pavimentar o caminho da vitória que em sã consciência ninguém imaginava ser possível diante da superioridade das Mercedes numa pista cujas características casam bem com a eficiência de seus carros.

Por conta do atraso causado pela pandemia, a F1 está em Barcelona neste final de semana para o GP da Espanha. É a sexta corrida em 7 finais de semana, e agora numa pista que também costuma ser dura com os pneus. É por isso que o engenheiro-chefe da Mercedes, Andrew Shovlin, disse no domingo passado que tinha pressa em entender o que havia acontecido na corrida para não fazerem papel de bobos na Espanha.

Este será o 50º GP da Espanha, prova que normalmente é disputada em maio quando as temperaturas ainda não são tão altas como agora, em agosto, um problema a mais para fazer os engenheiros coçarem a cabeça na hora de planejar as estratégias de corrida. Os ensinamentos de Silverstone devem fazer com que duas paradas para troca sejam o caminho mais indicado pela Pirelli que levou para esta corrida os mesmos compostos mais duros que estouraram nos carros de Hamilton, Bottas e Sainz. Outro detalhe que vai ser interessante observar neste final de semana é o nível de desenvolvimento que cada equipe atingiu de fevereiro para cá, seis meses depois dos testes de pré-temporada realizados nesta mesma pista.

O Circuito da Catalunha tem uma estatística curiosa que torna ainda mais importante a disputa pela pole position no treino de hoje: das 29 provas disputadas nesta pista, em 22 o vencedor largou da primeira posição do grid.