TERRA NOSTRA

Dante Alighieri

Por: Manolo D´Aiuto | Categoria: Cultura | 26-08-2020 01:42 | 2441
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Hoje falaremos sobre o último grande personagem da Idade Média italiana, Dante Alighieri.

Para muitos, Dante é considerado o maior poeta de todos os tempos, um homem com uma cultura extraordinária que viveu numa época de conflitos e mudanças, tratando dos mais variados temas, desde a política, ao amor, à filosofia e teologia.

Durante di Alighiero degli Alighieri nasceu em Florença da família Alighieri (Florença, entre 21 de maio e 21 de junho de 1265).

Ele é considerado o pai da língua italiana; sua fama se deve eminentemente à paternidade da Comédia, que ficou famosa como a Divina Comédia, o adjetivo “Divina” foi atribuído a ela por Boccaccio, outro grande poeta do século XIV junto com Petrarca, e universalmente considerada a maior obra escrita em italiano e uma das maiores obras-primas da literatura mundial.

 Expressão da cultura medieval, filtrada pela letra da Dolce ainda novo, a Comédia é também um veículo alegórico da salvação humana, que se concretiza no toque dos dramas dos condenados, das dores do purgatório e das glórias celestes, permitindo a Dante oferecer ao leitor um visão da moral e da ética.

Dante, com Boccaccio e Petrarca, sem dúvida deu o maior contributo para o nascimento da língua italiana, através da utilização do doce stilnovo, assim chamado a distinguir-se do toscano-siciliano que se destacou no século XIII.

Antes de continuar, devemos falar brevemente sobre a luta entre os guelfos e gibelinos.

As origens dos nomes remontam à luta pela coroa imperial após a morte do imperador Henrique V, ocorrida em 1125, entre as famílias bávaras e saxãs dos Welfen, daí a palavra “Guelph”, com a palavra suábia dos Hohenstaufen, senhores do castelo de Waiblingen, anteriormente Wibeling, daí a palavra “gibelina”. Posteriormente - visto que a família suábia comprou a coroa imperial e, com Frederico I Hohenstaufen, tentou consolidar seu poder no Reino da Itália - nesta esfera política a luta passou a designar quem apoiava o império (gibelinos) e quem oposição apoiando o papado (Guelfos). Nos castelos da época as ameias das paredes eram guelfos se quadradas e os gibelinos se encaixavam.

No ano de 1300, Dante foi eleito um dos sete priores para os dois meses de 15 de junho a 15 de agosto. Apesar de pertencer ao partido Guelph, facção de brancos encabeçada pela família de círculos de origem comum e oposta aos negros liderados pelos Donati, ele sempre tentou se opor à interferência de seu arquiinimigo Papa Bonifácio VIII, visto pelo poeta como o emblema supremo da decadência moralidade da Igreja.

 As relações entre Bonifácio e o governo branco pioraram ainda mais a partir de setembro, quando os novos priores (que sucederam ao colégio ao qual Dante pertencia) revogaram imediatamente a proibição aos brancos, mostrando seu partidarismo e dando assim o legado papal cardeal de Acquasparta maneira de lançar o anátema em Florença.

Com o envio de Carlos de Valois a Florença, enviado pelo papa como novo pacificador (mas na verdade conquistador) no lugar do cardeal d’Acquasparta, a República foi enviada a Roma, na tentativa de desviar o papa de seus objetivos hegemônicos, um embaixada da qual Dante também era uma parte essencial.

Dante estava, portanto, em Roma, aparentemente retido por Bonifácio VIII, quando Carlos de Valois, na primeira turbulência da cidade, assumiu o pretexto de colocar Florença ao fogo e à espada com um golpe de sua mão. Em 9 de novembro de 1301, os conquistadores impuseram Cante Gabrielli da Gubbio como podestà. Este último, pertencente à facção dos guelfos negros de sua cidade natal, iniciou uma política de perseguição sistemática aos expoentes políticos brancos hostis ao papa, que acabou resultando em sua morte ou expulsão de Florença. Com duas condenações sucessivas, a de 27 de janeiro e a de 10 de março de 1302, que atingiu também numerosos membros das famílias Cerchi, o poeta foi condenado, à revelia, à fogueira e à destruição das casas. A partir daquele momento, Dante nunca mais viu sua pátria novamente.

Foi um duro golpe para o Poeta, que amava profundamente sua cidade. Assim começou uma longa jornada que o levou a Ravenna, onde morreu em setembro de 1321.

Como disse, Dante é sinônimo de língua italiana ou vulgar, como ele mesmo a define, de vulgo ou povo então língua do povo, que para o Poeta é o único meio adequado para difundir o pensamento humano a todos os povos.

Dante é um grande conhecedor não só da sua época, a que se refere continuamente, mas também das grandes obras do passado como a Eneida, a Ilíada e a Odisseia, mas é a princípio que se sente mais ligado, tanto a ver com o seu autor Virgílio, seu guia durante a primeira parte de sua jornada na Comédia.

Outro personagem recorrente de grande importância é o de Beatrice.

Beatriz, por quem Dante se apaixonou ainda jovem, cuja morte prematura chocou o poeta, e tanto Musa quanto Angelo, representa o amor crnal e espiritual capaz de converter Dante à terra.

As obras mais famosas de Dante são, sem dúvida,: La Vita Nova, Il Convivio, De vulgaris Eloquentia, De Monarchia e a Commedia.

A Vita Nova pode ser considerada o “romance” autobiográfico de Dante, que celebra o seu amor por Beatriz, apresentado com todas as características do estilnovismo de Dante.

Um conto da vida espiritual e da evolução poética do Poeta, interpretado como exemplum, a Vita Nova é um prosímetro (uma passagem caracterizada pela alternância entre prosa e verso) e está estruturada em quarenta e dois (ou trinta e um) capítulos de prosa conectados em uma história homogênea o que explica uma série de textos poéticos compostos em épocas diferentes.

O Convivio (escrito entre 1303 e 1308) do latim convivium, ou “banquete” (da sabedoria), é a primeira das obras de Dante escritas imediatamente após a remoção forçada de Florença e é o grande manifesto do propósito “civil” que literatura deve ter no consórcio humano. A obra consiste num comentário a vários cantos doutrinários colocados na abertura, uma verdadeira enciclopédia dos saberes mais importantes para quem pretende dedicar-se à actividade pública e civil sem ter concluído os estudos regulares. Portanto, é escrito em vernáculo para ser compreendido por aqueles que não tiveram a oportunidade de estudar latim anteriormente. As palavras iniciais do Convivio deixam claro que o autor é um grande conhecedor e seguidor de Aristóteles; este último, de fato, é mencionado com o termo “O Filósofo”. O incipit, neste caso, explica a quem se dirige este trabalho e a quem não se dirige: só devem acessá-lo quem não conheceu a ciência. Isso foi evitado por dois tipos de motivos:

  • interno: malformações físicas, vícios e malícia;
  • externos: família, assistência civil e defeito do local de nascimento.

Dante considera bem-aventurados os poucos que podem participar da mesa da ciência, onde se come o “pão dos anjos”, e infelizes os que se contentam em comer o alimento das ovelhas. Dante não se senta à mesa, mas foge de quem come o pasto e recolhe o que cai da mesa dos eleitos para criar outro banquete. O autor preparará um banquete e servirá uma refeição (os poemas em verso) acompanhada do pão (prosa) necessário para assimilar sua essência. Só serão convidados a sentar-se os que foram impedidos pela família e pelos serviços públicos, enquanto os preguiçosos ficarão a seus pés para recolher as migalhas.

Contemporâneo ao Convivio, o De vulgari eloquentia é um tratado escrito em latim. Consistindo de um primeiro livro inteiro e 14 capítulos do segundo livro, a intenção inicial era incluir quatro livros. Embora abordando o tema do vernáculo, foi escrito em latim porque os interlocutores a que Dante se dirigia pertenciam à elite cultural da época, que, graças à tradição da literatura clássica, considerava o latim indubitavelmente superior a qualquer vernáculo, mas também para conferir para o vernáculo, uma dignidade maior: o latim na verdade era usado apenas para escrever sobre direito, religião e tratados internacionais, ou seja, tópicos da maior importância. Dante lançou-se em uma defesa apaixonada do vernáculo, dizendo que ele merecia se tornar uma língua ilustre capaz de competir senão igual à língua de Virgílio, argumentando, entretanto, que para se tornar uma língua capaz de lidar com tópicos importantes, o vernáculo tinha que ser:

  • ilustre (na medida em que é brilhante e, portanto, capaz de dar prestígio a quem o usa por escrito);
  • cardinal (de tal forma que os vulgares regionais giravam em torno dele como uma porta em torno da dobradiça);
  • cortês (tornado nobre por seu uso erudito, como para ser falado no palácio);
  • curial (como a linguagem dos tribunais italianos, e para ser usado nos atos políticos de um soberano).

Com esses termos, ele se referia à dignidade absoluta do vernáculo também como língua literária, não mais como língua exclusivamente popular. Depois de ter admitido a grande dignidade do ilustre siciliano, primeira língua literária assumida à dignidade nacional, ele passa em revista todos os outros italianos vulgares, encontrando em um alguns, no outro as qualidades que somadas deveriam constituir a língua italiana. Dante vê em italiano a panthera redolens de bestiários medievais, um animal que atrai sua presa (aqui o escritor) com seu perfume irresistível, que Dante sente em todo o vernáculo regional, e em particular no siciliano, sem nunca poder vê-lo materializar : ainda existe uma língua italiana utilizável em todos os seus registros, por todos os estratos da população da península itálica. Para fazê-lo reaparecer, portanto, foi necessário recorrer às obras dos escritores italianos que apareceram até agora, tentando assim delinear um cânone linguístico e literário comum.

De Monarchia foi composto por ocasião da descida à Itália do imperador Henrique VII de Luxemburgo entre 1310 e 1313. Consiste em três livros e é a síntese do pensamento político de Dante. No primeiro, Dante afirma a necessidade de um império universal e autônomo e reconhece esse império como a única forma de governo capaz de garantir a unidade e a paz. No segundo, reconhece a legitimidade da lei do império pelos romanos. No terceiro livro, Dante demonstra que a autoridade do monarca é uma vontade divina e, portanto, depende de Deus: não está sujeita à autoridade do pontífice; ao mesmo tempo, porém, o imperador deve mostrar respeito ao pontífice, Vigário de Deus na Terra. A posição de Dante é em muitos aspectos original, uma vez que se opõe decisivamente à tradição política narrada pela doação de Constantino: o De Monarchia está em contraste com os defensores da concepção hierocrática e com os defensores da autonomia política e religiosa dos soberanos nacionais. ao imperador e ao papa.

La Comedìa - título original da obra: posteriormente Giovanni Boccaccio atribuiu o adjetivo “Divina” ao poema de Dante - é a obra-prima do poeta florentino e é considerada o testemunho literário mais importante da civilização medieval, bem como uma das maiores obras da literatura universal. É definido como “comédia”, pois é escrito em um estilo “cômico”, ou seja, não cortês. Outra interpretação se baseia no fato de que o poema começa com situações cheias de dor e medo e termina com a paz e a sublimidade da visão de Deus. Dante começou a trabalhar na obra por volta de 1300 (ano jubilar, tanto que data em 7 de abril daquele ano, sua jornada na floresta escura) e continuou pelo resto de sua vida, publicando os cânticos à medida que os completava [166]. Há relatos de cópias manuscritas do Inferno por volta de 1313, enquanto o Purgatório foi publicado nos dois anos seguintes. Paradise, talvez iniciado em 1316, foi publicado à medida que as canções foram completadas nos últimos anos de vida do poeta. O poema está dividido em três livros ou cânticos, cada um composto por 33 canções (exceto o Inferno que tem 34, já que o primeiro serve de prefácio para todo o poema) e aos quais correspondem os três estilos da Rota Vergilii; cada música é composta de trigêmeos de hendecasílabos (trigêmeos de Dante).

A Comédia tende a uma representação ampla e dramática da realidade, distante da pedante poesia didática medieval, mas imbuída de uma nova espiritualidade cristã que se mistura com a paixão política e os interesses literários do poeta. Fala de uma viagem imaginária aos três reinos da vida após a morte, em que o bem e o mal do mundo terreno são projetados, realizada pelo próprio poeta, como um “símbolo” da humanidade, sob a orientação da razão e da fé. O caminho tortuoso e árduo de Dante, cuja linguagem se torna cada vez mais complexa à medida que ele sobe em direção ao Paraíso, também representa, sob metáfora, o difícil processo de amadurecimento linguístico do ilustre vulgar, que se emancipa das estreitas fronteiras municipais para fazer o O vulgar florentino acima das demais variantes do vulgar italiano, enriquecendo-o ao mesmo tempo com seu contato. Dante é acompanhado no Inferno e no Purgatório por seu mestre Virgílio; no Paraíso, de Beatriz e, por fim, de São Bernardo.

Para falar da Comédia precisaremos de anos e certamente este não é o lugar certo, mas convido vocês, leitores, a lerem este livro no qual, tenho certeza, encontrarão muitas coisas interessantes e que os farão refletir e refletir.

Caros leitores, hoje saímos da Idade Média e mergulhamos no Renascimento, faremos uma breve menção a outro ilustre compatriota, Cristóvão Colombo, e visitaremos o período mais florescente da arte italiana onde trabalharam gênios absolutos como Leonardo e Michelangelo.

Ciao

Manolo D’Aiuto/Il Vero Italiano