ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 23-09-2020 02:11 | 483
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E a pandemia?
Todos os prognósticos realizados até aqui sobre o espectro da propagação da Covid 19 esbarram na inexpugnável barreira que é a inevitabilidade da morte. Quando nasci, homens brasileiros possuíam uma expectativa de vida de 55 anos. Hoje chegamos facilmente aos oitenta e há países em que perecer nessa idade ainda é morrer cedo. Com isso, queremos viver para sempre, porque estamos vivendo muito, e bem. Um proletário brasileiro atualmente ingere mais e melhores calorias diárias do que um aristocrata francês do Século XV. Nossa sofisticação trata a morte como intrusa indesejável, quando ela é uma amiga natural, muito embora não tenhamos pressa alguma de encontra-la. A pandemia assusta porque nos relembra a inevitabilidade da morte – a doença que mata e que não tem cura. A ciência, é claro, reconhece outros males incuráveis, mas eles não são contagiosos e decorrem muitas vezes de hábitos evitáveis da vida. Mas a danadinha da Covid anda por aí pegando todo mundo. Com ela, não há garantias. Você pode parar de fumar que ela te contagia assim mesmo. Você pode ficar ilhado em seu apartamento, no isolamento pandêmico, que ela também poderá vir inexorável. No entanto, a estamos vencendo, a duras penas. A humanidade, Deus e a ciência derrotarão o Corona.

A tal da OMS
Trump falou o que se descobriu logo em seguida: a OMS é desastrosa durante a pandemia e não alertou ou orientou como deveria aos seus países membros ou à população mundial. Vão reparar que os pronunciamentos de Thedros Adanom e sua turma minguaram até desaparecer das mídias, porque até mesmo a classe jornalística engajada e que trata toda informação do ponto de vista político descobriu que ouvir a OMS não esclarece nada. Muito antes pelo contrário, aumenta dúvidas e incertezas. Seus representantes hesitam em dar declarações necessárias com receio de impertinências de linguagem, com medo do politicamente correto (essa praga). Temem criticar governos ou políticas de saúde. E de tanto medo, não dão alento ou segurança em suas manifestações. Justamente no momento em que a OMS era mais necessária, ela nos falhou.

Está chegando a vacina
Gigantes do mercado de laboratórios avançam velozmente em pesquisas e na verdade já descobriram a vacina que impede a proliferação do novo Coronavírus. O que faltam são testes para verificar a segurança do novo medicamento.  Então, se está sendo testada, é porque a vacina existe – sem falar na vacina russa já no mercado, apesar da descrença ocidental. Fora a politização indevida da crise, a imensa maioria dos governos dos países, aí se incluindo o Brasil, soube se mobilizar e criou mecanismos e ferramentas para lidar com a pandemia. Há exageros? Claro. Há reflexos econômicos indesejáveis? Evidente. Mas queriam o quê? Toda guerra tem resultados trágicos e faz vítimas inocentes.

Vacinação obrigatória?
Mais uma indagação importante para o STF legislar: o governo pode obrigar o cidadão a se vacinar? Eu, humilde escriba e magistrado que sou, não posso criar leis. Resta-me opinar como cidadão e, nessa condição, esclareço que a saúde é pública, assim como a segurança. Isto não quer dizer somente que o governo deve nos dar médicos e hospitais de graça. Também significa que devemos nos submeter a regras comuns e zelar pela nossa saúde e a dos outros. Não há tese religiosa ou acadêmica que suplante o direito à vida e quando ele é afetado compete ao poder estatal impor regras de convívio e conduta que permitam, se não solucionar, ao menos suavizar as arestas desse convívio. Quando eu não me vacino, contribuo para a propagação de vírus e a proliferação de doenças. Para preservar a todos, vez ou outra devemos suprimir Direitos. Só em ditaduras há liberdades sem limites, ainda que só para o rei e os amigos do rei.

Pegadas na areia
O que seria de nós sem a tecnologia atual, no momento do isolamento social e da pandemia? Já imaginou ter que ficar em casa sem home office, sem live e sem videoconferência? Nossos filhos sem videogames, todos sem internet e aplicativos de mensagem? Aí sim, o problema seria muito maior do que é hoje. Graças a Deus temos uma vida virtual tecnológica que nos permite trabalho e diversão à distância, sem sair de casa. Mais ou menos como na fábula do fiel caminhando sozinho pela praia e, vendo somente suas pegadas na areia, reclama a Deus que este não o esteja acompanhando quando, na verdade, explica-lhe o criador, as pegadas vistas são as de Deus, que o carrega nos braços durante os  momentos difíceis. É como no brocardo popular: “Deus dá o frio conforme o cobertor”. A Covid aparece quando a ciência impede o caos total com a tecnologia da informação eficiente, a internet veloz, e trabalho e diversão ao alcance de todos, ainda que à distância.   

O Dito pelo não dito
Discutir com o ignorante é uma das tarefas mais difíceis deste mundo”. (Olavo de Carvalho, pensador e escritor brasileiro).