TRANSPORTE PÚBLICO

Empresário fala sobre desafios de prestar serviço de transporte público em Paraíso

Por: João Oliveira | Categoria: Transporte | 30-09-2020 09:51 | 443
Empresário Waldir Antonio Teixeira faltou sobre situação envolvendo o transporte coletivo no município
Empresário Waldir Antonio Teixeira faltou sobre situação envolvendo o transporte coletivo no município Foto de ASSCAM

O empresário Waldir Antonio Teixeira ocupou a Tribuna Livre da Câmara nesta semana para prestar esclarecimento acerca da situação envolvendo rotas e horários dos ônibus no município de São Sebastião do Paraíso. A convocação havia sido feita pelo vereador Valdir do Prado que, devido a um compromisso, precisou se ausentar da sessão. O empresário destacou os prejuízos que a empresa vem sofrendo e reforçou a necessidade de uma licitação para que a Viação Leopoldinense possa investir com segurança no transporte coletivo.

O vereador Luiz Benedito de Paula tomou frente e fez alguns questionamentos ao empresário. Segundo relatou, moradores têm feito contato para questionar sobre os horários de ônibus em alguns bairros, entre eles Jardim Diamantina, Veneza e Belvedere.

Luiz questionou se existiria alguma programação para reestruturação de horários para atendimento desses bairros, além de outros. Acrescentou, ainda, que existem reclamações sobre a distribuição dos pontos de ônibus no município. O vereador citou, como exemplo, o ponto na rua Dr. Placidino Brigagão, no cruzamento com a Geraldo Marcolini, sendo o próximo ponto na Angelo Cala-fiori, próximo ao Posto Colega.

Conforme o vereador, são muitas a inadequações que precisam ser corrigidas para bem atender à população. Diante dos questionamentos, Waldir ressaltou que em relação aos pontos de ônibus, é uma situação que demanda um trabalho por parte da Prefeitura. Em relação aos poucos horários, o empresário destacou que estes estão relacionados à demanda, motivo pelo qual as linhas para Guardinha e Marques não estão em funcionamento.

“A empresa sobrevive do transporte desses passageiros. A minha vontade é ter 20 ônibus rodando na cidade. Todavia, a demanda está baixa, isso muito antes da pandemia da Covid-19. A situação piorou muito. Na realidade, temos documentos que comprovam, estamos praticamente pagando para rodar. É este o motivo: a demanda está muito baixa”, explicou.

O empresário reforçou que é de total interesse da empresa fornecer esse transporte, uma vez que sobrevive do transporte do passageiro. Luiz chegou a observar que, devido à baixa demanda, caso aumente-se os horários, aumenta-se também a despesa, todavia reforçou se existe algum estudo para dar uma atenção maior aos bairros por ele citado.

De acordo com Waldir, já foram feitos estudos, tendo inclusive sido colocados ônibus nessas rotas, mas que não houve o movimento esperado. “Isso é pagar para rodar”, destacou o empresário. O vereador José Luiz das Graças destacou que o cidadão espera da empresa mais agilidade no transporte, seja para trabalhar ou realizar seus compromissos, e questionou o que é preciso para se oferte isto, a fim de que seja cobrado, posteriormente, da administração pública.

O empresário Waldir ressaltou que o transporte é um direito do cidadão, e que a empresa não presta nenhum favor à comunidade, e que é de interesse da Viação Leopoldinense oferecer um transporte mais rápido, ágil e com tarifa mais acessível para atrair mais à população. Reforçou, ainda, que quanto menor esta tarifa, maior é o número de passageiros, todavia, que são muitos os obstáculos.

“Encontramos várias barreiras que prejudicam o transporte. Por exemplo, atualmente estamos rodando  por meio de contrato emergencial. Ainda não foi feita a licitação. Como eu invisto no transporte se amanhã ou depois é realizada essa licitação e eu perco o contrato e todo o investimento que foi realizado”, questionou Waldir.

O empresário ressaltou também que questão preocupante são transportes alternativos que não são regulamentados. “Há espaço para todo mundo, estes que não são regulamentos não há fiscalização. Esses meios alternativos têm entrado na frente dos ônibus para pegar passageiros. Isso pode perguntar a qualquer motorista da empresa”, ressaltou.

Waldir chamou a atenção para necessidade da regulamentação e apontou que a empresa é obrigada, por lei, a cumprir a gratuidade do transporte para idosos, o que não acontece, segundo ele, com esses meios de transporte alternativos. O empresário destacou que, se fosse feito um estudo tarifário para o transporte, essa tarifa passaria a R$ 6, apontou ainda que em última licitação, esse valor era R$ 5,50.

“Que empresário tem condições de rodar por esse valor? Não tem lógica. Tem que se criar um mecanismo de regulamentação dos transportes alternativos, para incentivar o uso do transporte público. Tudo é possível, inclusive, resultando na redução da tarifa”, acrescentou. O empresário disse, ainda, em resposta a outro questionamento, que algumas linhas o ideal seria veículo menores, como microônibus.

Waldir reforçou que, antes da pandemia, em janeiro, foram transportados, aproximadamente, 58 mil pagantes e 11 mil gratuidades, faturando, desta forma, R$ 162 mil. Em relação aos gastos, com combustível foi R$ 96 mil, folha de pagamento sem impostos, R$ 93 mil, tendo a empresa tido um prejuízo de R$ 27 mil. Em abril, já considerando a pandemia, foram transportados aproximadamente 18 mil pagantes e duas mil gratuidades, faturando-se R$ 54 mil e tendo um gasto com combustível de R$ 22 mil, folha em R$ 56 mil, tendo um prejuízo de R$ 24 mil.

O vereador Marcelo de Morais destacou que é evidente a falha do poder público nesse processo, e ressaltou mudanças que precisam ser feitas para melhorar o transporte para a população, como a necessidade de um bilhete único e a baldeação de passageiros no Centro. Destacou a necessidade de se fazer um estudo de origem e destino para atender, principalmente, a população carente. Morais chegou a questionar as razões da empresa continuar na cidade, mesmo diante de sucessivos prejuízos.

Sobre isto, Waldir disse que acredita em mudanças, que a licitação é uma esperança para a recuperação da empresa. Destacou que nenhum outro empresário quer vir para o município, e que eles já estão aqui há anos. Ressaltou que presta serviço em outros municípios e que não existem queixas quanto ao transporte.

Waldir disse que tem feito o máximo possível para atender a população, mas que é preciso de ajuda. Ele espera que, com nova gestão, que haja mudanças positivas e que possa ajudar a empresa a prestar um serviço de maior qualidade ao povo paraisense. “Se não tiver, não vai ter como rodar mais. Se está ruim para o passageiro, é porque está ruim para a empresa também. Nosso interesse é conseguir baixar a tarifa, quando mais baixa, mais usuários teremos. Nosso desejo é atender o melhor possível a população”, completou.