GILBERTO AMARAL

Geisel demite frota e gera uma crise militar no governo

Por: Gilberto Amaral | Categoria: Brasil | 14-10-2020 01:24 | 201
Geisel e Figueiredo
Geisel e Figueiredo Foto de

Geisel demite frota e gera uma crise militar no governo
Numa segunda-feira Santa, como a de hoje, Dia de N. S. Aparecida, Padroeira do Brasil, em pleno feriado nacional, o presidente Ernesto Geisel chega às 8h30 no Palácio do Planalto e manda ligar para o seu ministro do Exército, Sylvio Frota (foto), que ficou surpreso com a chamada. Geisel também pediu para convocar os quatro comandantes militares, sendo que o ministro Frota havia tomando a mesma decisão. E agora vou contar como foi o dia 12 de outubro de 1977, que entrou para a história da revolução no país.

Hhavia um ano, Sylvio Frota comportava-se como um ostensivo adversário da política de liberalização do regime, conduzida por Geisel. Os dois sentaram-se à mesa de reuniões do salão de despachos do presidente. As relações entre eles jamais haviam sido afetuosas, mas ultimamente estavam gélidas.

À cabeceira da grande mesa de reuniões do gabinete, com um retrato de Dom Pedro I às costas, Geisel abriu a conversa:

- Frota, nós não estamos mais nos entendendo. A sua administração no ministério não está seguindo o que combinamos. Além disso você é candidato a presidente e está em campanha. Eu não acho isso certo. Por isso preciso que você peça demissão.

- Eu não peço demissão - respondeu Frota.

- Bem, então vou demiti-lo. O cargo de ministro é meu, e não deposito mais em você a confiança necessária para mantê-lo. Se você não vai pedir demissão, vou exonerá-lo. Em menos de cinco minutos a audiência estava encerrada.

Frota, que chegou a reunião acompanhado de seu fiel escudeiro, o meu amigo coronel Murilo Mendonça, tinha como seus aliados os comandantes das tropas do sul e do nordeste. Geisel tinha além de Golbery do Couto e Silva (foto) - o maior articulador do regime -, todos os demais comandos. Os generais de Frota acordaram tarde e os de Geisel, de véspera. A batalha se deu com o uso de telefones. No final, todos, menos Frota, estavam com Geisel. A grande expectativa agora era saber para qual lado penderia o general Antônio Bandeira, homem forte dentro das Forças Armadas.

Desde o início da manhã, quando foi chamado ao Palácio, Frota estava preso em uma armadilha tecida por Golbery. E mais, para ele, esse seria o segundo golpe de sua carreira. Geisel, que fizera o primeiro lance, jogava com profundo conhecimento.

Participara de quatro golpes vitoriosos, em 1930, 1937, 1945 e 1964. Sabia como se ganha. Por ter perdido em outras três ocasiões - 1955, 1961 e 1965 - sabia onde e como se fracassa. Dizia com frequência: “Esse negócio de golpe é muito difícil. Vi sete, posso falar”.

Isolado, Frota pediu passagem para a reserva e foi substituído no cargo pelo general Fernando Belfort Bethlem (foto), em tese um de seus aliados. Frota fazia parte da grande leva de coronéis que chegara ao generalato, logo depois de 64, graças ao expurgo de centenas, talvez milhares, de oficiais.

Com a demissão sacramentada, Geisel (foto) assumiu o controle de sua sucessão na área militar e abriu caminho para seu escolhido, o general João Baptista Figueiredo (foto). Assim terminou a última tentativa de golpe no Brasil. São 43 anos sem tentativas. Há algum indício de que os generais estejam se digladiando? Sem eles, podem colocar o que desejarem na rua....

RAICE

Casas de videiras
As casas do futuro poderão ser construídas com um material sustentável feito de resíduos de videiras. Pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, estão transformando os restos da produção de vinho em painéis utilizados na indústria de construção. A viticultura mundial dispõe de 42 milhões de toneladas de mudas de videira e as podas representam uma importante fonte de resíduos agrícolas. Hoje esses resíduos são enterrados ou queimados, com impacto direto no efeito estufa quando essa matéria se decompõe.

Vinho e diplomacia
A China é o maior parceiro comercial da Austrália e, no entanto, as relações entre os dois países continuam a se deteriorar. Pequim acusa Camberra de concorrência desleal e lança uma enquete anti-dumping visando os vinhos australianos engarrafados em 2019. Em julho passado, após as manifestações em Hong Kong, a Austrália suspendeu o tratado de extradição com a região administrativa. Do outro lado, a China impõe impostos de 80% sobre a carne bovina e a cevada. Agora nem o vinho desceu redondo, engasgando as relações comerciais entre eles.

eco-Ruinart
Está disponível no mercado Europeu a nova embalagem da Maison Ruinart. Agora as cuvées R, R Millésimé, Rosé et Blanc de Blancs vêm numa segunda pele. Um packaging ecológico com zero plástico, 100% reciclado, ultraleve, feito de fibras de madeira naturais de florestas europeias com gestão ecológica. O champanhe deseja revolucionar o mercado e implicar a indústria de bebidas num planeta mais green. Fruto de dois anos de trabalho, a nova embalagem será gradualmente comercializada na Europa Ocidental substituindo os coffrets existentes.

Amor não é turismo
Fronteiras são abertas para casais binacionais separados pela Covid-19. O governo francês começa a emitir as primeiras autorizações para a entrada no país. Devido a pandemia, diversos países europeus fecharam as fronteiras e casais sem união formal ficaram separados por meses. O coletivo Love is not tourism, criado nas redes sociais, com mais de 34 mil pessoas, conseguiu fazer pressão e a França passou a emitir autorizações de viagens aos “amoureux”. Para obter o “laissez-passer”, os casais devem comprovar que se conhecem há no mínimo seis meses antes do fechamento das fronteiras e que o relacionamento não é apenas virtual.