POLEPOSITION

Pá de cal em F1no Rio

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 14-11-2020 14:47 | 231
Novo contrato entre prefeitura de São Paulo e Liberty Media garante F1 em Interlagos pelos próximos cinco anos  
Novo contrato entre prefeitura de São Paulo e Liberty Media garante F1 em Interlagos pelos próximos cinco anos   Foto de Sergio Magalhães

Parecia o fim de uma rica história que começou em 1972, mas o GP do Brasil ganhou vida novamente com a permanência de Interlagos no calendário da F1 dos próximos anos. 

Desde que o consórcio Rio Motorsports, de intenções duvidosas, mergulhou de cabeça num plano não menos duvidoso de tirar a F1 de São Paulo com o apoio do presidente da República que chegou dizer que a corrida estava 99% garantida no Rio de Janeiro, eu comecei a contagem regressiva para quanto tempo haveria GP do Brasil. Mas foram tantas irregularidades no projeto para a construção de um autódromo em Deodoro e a falta de licenças ambientais para a derrubada de 70 mil árvores em área de Mata Atlântica que até agora não saiu do papel e tenho lá minhas dúvidas se algum dia vai sair. 

Nesta semana a Rio Motorsports sofreu mais uma derrota com a rescisão do contrato que dava ao consórcio o direito de negociar a transmissão da F1 no Brasil, e agora a própria Liberty Media colocou a Globo novamente na mesa de conversas por um novo contrato. Em setembro a mesma Rio Motorsports havia perdido os direitos sobre a cobertura da MotoGP por não cumprir contrato com a categoria.  Menos mal que Interlagos continuará como sede do GP do Brasil pelos próximos cinco anos, colocando uma pá de cal nesse projeto duvidoso desde o começo das conversas de levar a F1 para o Rio de Janeiro. 

2020 é o último ano de um contrato que foi assinado em 2014 e no final de 2016 costurado entre o promotor do evento, Tamas Rohonyi, e o então ex-chefão da F1, Bernie Ecclestone, que permitia ao Brasil realizar o GP sem pagar as altas taxas para a realização do evento. Foi uma espécie de camaradagem de Ecclestone para contrabalançar os gastos com as reformas feitas no autódromo de Interlagos, mas quando a Liberty Media o assumiu o controle da F1 no ano seguinte, este contrato passou a ser visto com maus olhos pela nova dona da categoria e este foi um dos pontos de partida para a investida da Rio Motorsports. 

O Brasil é um mercado importante para a F1 e é daqui que sai 23% da audiência televisiva, a maior dentre todos os países que transmite as corridas no mundo todo. Reflexo de uma paixão criada por aqui desde os tempos de Emerson, Piquet e Senna; E eu friso o que sempre tenho dito que: “se a F1 sair de Interlagos, ela vai embora do Brasil em pouco tempo”. 

Dito isto, a F1 está na Turquia neste final de semana que era a data oficial do GP do Brasil, cancelado por conta da pandemia assim como outros 12 GPs. O Circuito de Istambul Park que fez parte do calendário de 2005 a 2011 é mais uma das seis praças inseridas ao calendário revisado por força do novo coronavírus. A corrida marcou a carreira de Felipe Massa com três poles e vitórias seguidas de 2006 a 2008, com a Ferrari.

Da última corrida na Turquia, apenas Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Sergio Pérez permanecem em atividade, e Hamilton pode conquistar o heptacampeonato por antecipação, igualando também aos 7 títulos de Schumacher. A matemática é simples, basta que Hamilton termine na frente de Valtteri Bottas em qualquer posição na corrida que terá a largada mais cedo que o habitual, às 7h10 da manhã deste domingo. 

Depois do GP da Turquia, no Circuito Istambul Park, famoso pela Curva 8, uma das mais técnicas da F1, vão restar apenas três corridas para o encerramento da temporada: Duas no Bahrein, e uma em Abu Dhabi.