POLEPOSITION

Vitória épica para não deixar dúvidas

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 22-11-2020 07:53 | 495
O cumprimento de Sebastian Vettel a um emocionado Lewis Hamilton que igualou Schumacher numa atuação épica
O cumprimento de Sebastian Vettel a um emocionado Lewis Hamilton que igualou Schumacher numa atuação épica Foto de F1 / Divulgação

Os críticos dizem que Lewis Hamilton ganha tudo porque tem um carro muito superior ao dos demais pilotos e que com esse carro da Mercedes, 90% do grid fariam o que ele faz.

Não é bem assim, e para quem aprecia a arte de pilotar, o GP da Turquia que coroou Hamilton como novo heptacampeão, igualando os 7 títulos de Michael Schumacher, não poderia ter vindo em melhor hora para derrubar a tese de que qualquer piloto faria o que Lewis faz com a Mercedes.

Hamilton chegou à Turquia numa posição muito confortável para conquistar o título por antecipação. Bastava terminar a prova na frente de Valtteri Bottas, ou impedir que o finlandês somasse 8 pontos a mais que ele. Só não estava no script os problemas que a Mercedes enfrentou desde os treinos livres da sexta-feira no final de semana mais complicado para a escuderia alemã que em momento algum esteve em igualdade de condições para competir contra a Red Bull, Racing Point e até a Ferrari.  

E foi com essa desvantagem técnica que Hamilton fez uma de suas melhores corridas da carreira, para não deixar dúvidas de que sua extrema capacidade de pilotar vai muito além de ter o melhor equipamento nas mãos. Ter um bom carro é fundamental para o desempenho de todo piloto, mas eu sempre digo que no caso de Hamilton é consequência do sucesso.

Estava tão difícil encontrar o melhor acerto que Hamilton não passou da sexta posição no treino de sábado - sua pior posição de largada desde o 5º lugar no grid do GP dos Estados Unidos do ano passado -, e Bottas foi apenas 9º na largada e cometeu um festival de erros com várias rodadas e ainda tomou uma volta do próprio Hamilton na corrida.

O favoritismo era todo de Max Verstappen que dominou os treinos, mas na hora H perdeu a pole position para um surpreendente Lance Stroll, da Racing Point, que eu até brinquei nas minhas redes sociais que no dia em que a Mercedes não teve carro para andar na frente, a “Mercedes-rosa” deu conta do recado(!), em alusão à semelhança dos carros cor-de-rosa com a Mercedes. 

E Stroll esteve com a vitória nas mãos até a volta 34 quando a equipe errou na estratégia ao chamá-lo para colocar um novo jogo de pneus intermediários quando o certo era permanecer na pista com os mesmos pneus. Apenas Lewis Hamilton, e Sergio Pérez, companheiro de Stroll, na Racing Point, fizeram essa leitura da corrida. Os demais trocaram pneus e se deram mal; assim como a carruagem de Stroll que virou abóbora.

E foi a partir desse momento que Hamilton começou avançar, saindo da 6ª posição em que se encontrava para assumir a ponta ultrapassando o próprio Pérez e cruzar a linha de chegada com impressionantes 31s de vantagem sobre o 2º colocado e com os pneus no bagaço.

Hamilton havia trocado os pneus de chuva por um jogo de intermediários (usado no sábado) na volta 8 e fez eles durarem 50 voltas! Pérez parou duas voltas depois e colocou um jogo de intermediários novo que durou 48 voltas. 

Mas o que impressiona é a forma com que Hamilton avançou e imprimiu um ritmo forte numa pista em condições precárias de aderência e com os pneus no limite; tão no limite que pareciam slicks (de pista seca) quando ele desceu do carro emocionado como jamais visto.

Vale ressaltar que toda essa confusão foi fruto de um asfalto novo que ficou pronto quinze dias antes da corrida; da chuva que tornou a pista ainda mais escorregadia, e das baixas temperaturas que dificultou os pneus atingirem a temperatura ideal de funcionamento.

E é nessas condições adversas que a capacidade do piloto sobressai às vantagens mecânicas que possui. Hamilton igualou a marca de Schumacher com uma exibição digna do tamanho de sua importância; Uma vitória que eu fiz questão de me levantar do sofá e aplaudir de pé.