USINA

Advogado ocupa tribuna e pede permanência de usina de álcool em Paraíso

Por: João Oliveira | Categoria: Política | 16-12-2020 09:23 | 867
 Advogado manifestou preocupação com a quantidade de empregos que não serão gerados se empresa for embora
Advogado manifestou preocupação com a quantidade de empregos que não serão gerados se empresa for embora Foto de ASSCAM

O advogado Sebastião de Oliveira Matheus fez uso da tribuna na Câmara Municipal para pedir mobilização de todos os setores da sociedade a fim de garantir a permanência da usina de álcool em São Sebastião do Paraíso. De acordo com ele, a Comissão de Direitos Humanos tomou conhecimento que a usina foi vendida, e quem adquiriu é de outro Estado e que será desmantelada. Ressaltou os impactos que isto gerará para o município, uma vez que, segundo ele, é uma empresa que gera cerca de 800 empregos diretos e três mil indiretos.

Conforme o advogado, “esses equipamentos que lá estão servem unicamente para moagem de cana, e essa matéria-prima é encontrada em nossa região. Porém tomamos conhecimentos que os compradores da usina não têm conhecimento da nossa estrutura. Precisamos de toda a sociedade, do Judiciário, dos vereadores, do atual, e próximo prefeito que aqui se encontra, para que juntos não deixemos que esta empresa vá embora do nosso município”, destacou.

Sebastião acrescentou ainda que em face do prejuízo alegado por ele mediante ao desemprego que o desmonte da usina irá causar, foi protocolado na mesma data da sessão ordinária uma ação civil pública. “Estamos esperando um posicionamento do Judiciário no sentido de que proíba que o equipamento seja retirado de lá, uma vez que o equipamento é de difícil desmontagem e para ser transportado é outro problema. Nosso intuito é pressionar esses compradores, se for o caso tentar até uma audiência pública e trazer esses compradores aqui para mostrar que existe em São Sebastião do Paraíso mão de obra qualificada”, disse.

 O advogado alega ainda que não se sabe se nessa usina que foi montada no município se existiu alguma subvenção por parte da administração pública. “Tudo isso poderia manter essa indústria aqui e com essa indústria todos irão ganhar, por isso eu venho nesta Casa pedir um apoio dos vereadores e da sociedade”, acrescentou.

O vereador Lisandro José Monteiro explicou a usina foi adquirida em leilão, e mesmo antes já havia comprador interessado. Sebastião falou que ação civil pública tem o intuito de chamar a atenção dos compradores da usina a fim de mostrar que no município há condições de mantê-la aqui. Outro ponto destacado pelo advogado, é que não se sabe o que houve se subvenção por parte do município para que ela fosse instalada em Paraíso.

O vereador Sérgio Aparecido Gomes comentou que também tomou conhecimento da situação, e que ele já foi muito questionado sobre o assunto no sentido de intervir para que a empresa não deixe o município. O vereador leu alguns comentários falando sobre os benefícios que a empresa trazia para a região entre outros questionamentos.

O vereador Marcelo de Morais, também se manifestou sobre o tema, questionando a manutenção de uma empresa que provoca queimadas mesmo havendo projeto de lei que proíbe queimadas em São Sebastião do Paraíso. “É controverso. Quando a usina veio para Paraíso, isso foi bem recebido, mas o prefeito da época colocou normas para que os caminhões não circulassem dentro da cidade, dificultando para a empresa; fez-se uma lei proibindo queimadas, outra dificuldade. O empresário vai fazer o que? Ir embora”, pontuou.

Morais questionou ainda a atuação do poder público para que a empresa fosse mantida no município e o que foi feito no passado para que ela pudesse continuar gerando renda. “Foram criadas dificuldades. Acredito que esta discussão não tem que ser somente em relação a usina, mas todas as empresas que queiram vir para Paraíso. O que o município está fazendo para gerar renda, quais são os incentivos, o por quê estamos perdendo empresas para Guaxupé. Precisamos ampliar o debate”, acrescentou.

O vereador Valdir do Prado comentou que o município paraisense não tem vocação para a cultura de cana. “Dificilmente sobrevive aqui uma usina de cana. Em Paraíso é café, laranja e gado. A 70 quilômetros daqui tem a Cevasa, para onde é escoada a maioria da produção canavieira que restou no município. Está dentro da quilometragem que não gera prejuízo para esses produtores. Dificilmente uma empresa dessa vai permanecer na cidade. Sabemos da dificuldade financeiras que eles sofreram na época, além do que não existe a quantidade suficiente de arrendamento para tocar essa usina”, destacou.

O vereador ressaltou ainda que em relação às queimadas para o corte da cana, isto não é mais usual. “Existem outros métodos, e isto não é só em Paraíso. É proibida a queimada da cana. Acho que dificilmente uma empresa dessa ficaria na cidade”, destacou.

Morais reforçou que o debate deve caminhar no sentindo de que essa vocação para o cultivo de cana seja um pouco mais forte. “Acredito que a ideia do advogado Sebastião é muito interessante, e mostra que temos condições de recebê-los e, de repente, quem sabe eles têm um outro empreendimento que possa ser instalado aqui, esses empresários mexem com tantas coisas”, finalizou.