CANADÁ

Engenheiro paraisense tem projeto de pesquisa aprovado em Congresso no Canadá

Por: Nelson de Paula Duarte | Categoria: Educação | 18-12-2020 16:02 | 4862
Engenheiro químico paraisense, Breno Mumic Sequeira
Engenheiro químico paraisense, Breno Mumic Sequeira Foto: Reprodução

O engenheiro químico paraisense, Breno Mumic Sequeira, 25 anos, desde janeiro está em Montreal, Canadá, onde faz mestrado na McGill University. Desenvolve um projeto de pesquisa em parceria com uma indústria canadense pelo qual recebeu premiação recentemente. Sua apresentação em um Congresso ficou entre as três melhores, e lhe rendeu além de premiação em dinheiro, estar entre os “2021 Changemakers”, ou seja, pessoas que estão realmente fazendo a diferença para ano de 2021.  

Breno estudou no Colégio Paula Frassinetti, de sua infância até o término do terceiro colegial. Tinha bolsa de estudos, de vez que sua mãe, Kátia Mumic, era professora naquela escola. Foi também através de bolsa de estudo do Prouni, equivalente a cinquenta  por cento, que cursou Engenharia Química na Universidade de Franca (Unifran), graduando-se em dezembro de 2017.

Neste período já pensava em intercâmbio. “Eu estava com minhas notas prontas em 2014 para fazer o Ciência  sem Fronteiras, mas o programa foi congelado. Como era um sonho desde que ingressei na universidade, em 2017 consegui pagar um intercâmbio para um curso de inglês, e estudei um mês em Toronto, no Canadá”, explica.

Breno desde sempre foi vocacionado para pesquisas. Quando cursava o segundo ano de Engenharia Química na Unifran, passou participar de programas de iniciação científica, e foram mais de dois anos fazendo pesquisas que foram apresentadas em vários congressos,  tendo se destacado. “Houve o PIBIC em 2014 e 2015 na Unifran nos quais são apresentados em torno de 80 projetos por ano (de todas as áreas da Universidade), e fiquei em primeiro lugar nos dois anos. Em 2015 também participei do Congresso Nacional de Iniciação Científica e fiquei em quinto lugar na minha categoria, isso entre mais de dois mil projetos”, salienta.

“Estava residindo em Franca e consegui uma oportunidade, um estágio remunerado no laboratório Físico, Químico e Biomecânico do SENAI, onde fiquei por quinze meses. Ia para o SENAI no período da manhã, fazia pesquisa científica no período da tarde, e estudava à noite. Sempre procurei ter as melhores notas na Universidade, estudava muito, fazia todos os exercícios, sempre além do que me era pedido.  Minha média final foi bem alta, 9.4 geral”, conta.

Com o currículo, iniciação científica e estágio, Bruno teve artigos científicos publicados em revista, e em parceria com um grupo de alunos da Unifran, em uma revista do Egito.

Quando cursava o último ano de Engenharia Química, Breno  foi trabalhar na Cevasa, indústria de açúcar e álcool, em Patrocínio Paulista.  “Achei que era melhor e deixei minha iniciação científica. Conversando com um colega de trabalho, soube que o filho dele estuda no MIT, nos Estados Unidos. Ele me disse que com meu currículo seria possível realizar meu sonho, e me aconselhou fazer de novo a prova de proficiência de inglês, e tentar. Fiz pesquisa vi quais eram consideradas asmelhores universidades em minha área, nos Estados Unidos e Canadá”.

Após concluir Engenharia, ele fez MBA na Faculdade Metropolitana de Franca, Coa-ching e Liderança para Gestão de Pessoas, por um ano.

Breno trabalhou na indústria até o fim de 2019 porque já estava estudando, tendo em vista um mestrado internacional que sempre viu como uma grande chance de se projetar. “Fiz provas e passei a entrar em contato com professores  que desenvolviam pesquisas nessas universidades. Alguns me responderam e fiz entrevistas por skype. Três deles tiveram interesse. Dois eram canadenses e outro da Arábia Saudita, de uma universidade chamada Kaust onde eu poderia iniciar meu projeto, mas somente em setembro de 2020 e estávamos em agosto de 2019”.

A princípio professores da Mc Giil disseram que não tinham bolsa de estudos. No entanto, por volta de setembro a minha atual supervisora, Anne-Marie Kietzig, entrou em contato comigo dizendo que um dos alunos dela, de mes-trado, havia desistido, e perguntou seu eu queria assumir o projeto que estava com apenas seis meses.

Entrei bem no começo. Recebi bolsa em parceria com uma indústria de polímeros . Meu projeto é transformar plásticos  de injeção de molde em plásticos antiaderentes, ou super hidrofóbicos. Plásticos como coletores de lixo, containers  de plásticos de manteiga, iogurtes.  Sendo antiaderentes ganha-se não desperdiçando produtos  porque não se consegue aproveitar todo os produtos desses containers.  Havendo restos de alimentos nos embalagens, não se consegue reciclar os plásticos,  e meu projeto é visando isso”, explica Breno.

Em setembro 2019, ainda no Brasil ele já passou a estudar o projeto. “Cheguei  ao Canadá em janeiro. Fiz cursos obrigatórios no mestrado obtive boas notas, e ao término Anne-Marie disse que gostaria que eu participasse do Congresso de Engenharia Sustentável e Designer do Departamento de Engenharia da Universidade. Tinha que apresentar meu projeto em três minutos, e o mesmo deveria se encaixar na categoria de sustentabilidades. Fui eleito um dos  changemakers 2021 o que dizer “agentes de mudança”.

Os projetos foram analisados por comitê integrado por seis professores,  levando em conta tanto a parte de apresentação, comunicação, desenvolvimento dos slides, como o impacto do projeto . O júri foi integrado por três professores de diversas áreas de engenharia,  o ganhador do prêmio em 2016, e dois gerentes industriais, sendo um comitê bastante diverso”.

Como prêmio Breno recebeu mil dólares canadenses e terá oportunidade de apresentar seu projeto no ano que vem, de maneira mais completa, o que lhe dará maior visibilidade. No mesmo dia em que recebeu a premiação como agente de mudança, recebeu também prêmio por graduação de excelência da Faculdade de Engenharia,  por sua aplicação na parte acadêmica e pesquisa, o que lhe rendeu quatro mil dólares.

“Estou me destacando e fico muito feliz. Atribuo esse reconhecimento a alguns fatores, ou seja, o amor com que faço, minha ambição em ir atrás e desenvolver  projetos audaciosos.  Faço pontes comunicando-me com outros alunos, e há também o fator humildade. A gente tem que valorizar nossas origens, e disso nunca vou esquecer, independente aonde chegar. Ambicioso sim, nunca ganancioso”, ressalta Breno.

Também atribuo a nunca nos limitarmos. Acredito que os maiores sabotadores  não são outras pessoas, mas nós mesmos. Eu poderia ter pensado que não consegui estudar em universidade federal ou estadual no Brasil, então como iria conseguir uma Top 50 no mundo.  No entanto, aqui o sistema é diferente, não se analisa através de provas, sim de sua dedicação, trajetória,  notas , atividades extracurriculares, como você se destacou. Pensei, existe um mundo lá fora, outras pessoas conseguiram e também consigo.

A McGill University é considerada a 35.ª melhor do mundo. De muita tradição, e vários professores dela já ganharam o Prêmio Nobel. Estou muito feliz de estar aqui, gosto de fazer e por isso estou me destacando.  Hoje vejo isso de maneira muito clara, é só ter determinação, resiliência que todos nós devemos desenvolver, saber das adversidades que vamos enfrentar, enfim, nem tudo são flores. Ter mente de “resolvedor de problemas”. Sempre tenho esta maneira de pensar, conclui Breno Mumic Sequeira.

Breno é filho da professora Kátia Mumic e de Luiz Carlos Costa Sequeira.