ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 18-12-2020 10:26 | 51
Renato Zupo
Renato Zupo Foto de Reprodução

O uivo das esquerdas
O filósofo britânico Roger Scrutton afirma, com integral razão, que as esquerdas estão sempre em luta, ainda quando estejam no poder, porque sem a empolgação de uma batalha em andamento não conseguiriam atrair as massas para suas utopias, como eficientemente o fazem. Essa luta toda me faz pensar nos vinte anos em que a esquerda dominou o Brasil, de FHC até Dilma, passando evidentemente por Lula. Quase duas décadas, e o que estes ícones do socialismo resolveram, quais males extirparam, quais graves problemas sociais foram contidos e solucionados? Nenhum, porque nunca lhes interessou resolver os males dos quais reclamam. Lembram-me dois exemplos, um de anedota e outro verdadeiro. Na piada,  o velho médico forma o filho em medicina e o traz para sucedê-lo na clínica de uma cidadezinha, onde o herdeiro já cura logo de cara antigo paciente crônico que alimentava os lucros do pai e pagava as contas da família com seu tratamento sem fim e sem cura. O médico-pai, bravo com o filho, se sente traído pela ingratidão: afinal, tão logo formado o moleque quebrava seu negócio curando um paciente cuja doença resolvia as finanças familiares. Na história verdadeira, eu tinha um amigo vereador de vários mandados e que mantinha casa de pau a pique, por terminar de construir e ainda no reboco, entra eleição, sai eleição. Perguntei-lhe certa feita porque não terminava a construção da casa e ouvi a resposta absurda: se a obra fosse concluída perderia eleitores. Precisava demonstrar miséria, pobreza, penúria financeira para angariar votos. A esquerda é assim, ideologicamente dependente de uma causa. Soluções não lhe resolvem os problemas.

Lei de Godwin
Quem me lê já ouviu falar do Marxismo cultural, principal arma comunista desde Antonio Gramsky, e que inocula em formadores de opinião, jornalistas, celebridades, estudantes e intelectuais os ideais socialistas, criando uma revolução de cima para baixo, de tal forma que todos nos tornemos marxistas sem o saber – a frase é de Gramsci. O estranho é que muitos ainda duvidem, ou afirmem duvidar, desta perigosa disseminação ideológica. Não só duvidam, como ofendem como teóricos da conspiração, direitistas histéricos, fascistas, aqueles que denunciam as inúmeras tentativas de dominação que sofremos diariamente através da imprensa, da cultura e das artes, dos (de)formadores de opinião. É quase como se fosse de propósito! Não podem nos calar, então o negócio é o assassinato de reputações – esta é mais uma armadilha do marxismo cultural. Mas há outras: o comunismo domina as redes sociais, e por duas vezes hackers invadiram o facebook e tiraram do ar a página de Olavo de Carvalho. Isto quando não o ofendem e injuriam, chamando-o (no mínimo) de maluco: isto porque foi Olavo quem denunciou a existência do Foro de São Paulo na mídia, e esta se calou e fingiu que não era com ela por mais de dez anos. E há outras armas. Já ouviu falar da Lei de Godwin? Quando for discutir com um intelectual de esquerda, que se chama no marxismo de “intelectual inorgânico”, vai perceber que a boa educação e o respeito acadêmico do seu interlocutor somente irão durar até o ponto em que ele não tenha mais respostas para suas indagações. Aí ele vai te chamar de fascista ou, mais facilmente, de nazista, compará-lo com Hitler, etc... Lembrou de Ciro Gomes? Pois é. Esta é a Lei de Godwin. 

Emancipação da Amazônia
O caso do apagão no Amapá demonstra aquilo que Bolsonaro e outros políticos conservadores vêm afirmando: não se trata de degradar a Amazônia, mas é necessário ocupa-la. Sem distribuir população e meios de subsistência por aquela imensa reserva florestal, a área toda vai se desprender do nosso continente rapidinho. Vai virar “domínio internacional”, como se propaga lá fora, ou alcançará sua independência, ou será fragmentada e, de qualquer modo, perderemos nossa soberania sobre a maior floresta tropical do planeta. Talvez não seja ruim: desde criança ouço falar das riquezas amazônicas e do futuro venturoso que seus segredos preciosos nos reservaria. O Brasil sairia do atoleiro econômico “graças” à Amazônia, era o que se dizia desde então, e lá se vão quase cindo décadas em que não aconteceu nada de relevante por lá, não se descobriu nenhuma jazida abundante de metais preciosos, nenhum combustível que resolva o problema energético mundial, nenhuma cura para doença alguma. De lá pra cá, só me lembro do Açaí se popularizando, e olhe lá. Passou da hora de desmistificar, e emancipar, a Amazônia. Ela deve ser ocupada, mas aí começa o problema: o torvelinho de leis e tribunais nos impede de simplesmente irmos desenvolvendo estradas e linhas férreas e indústrias praquele lado, porque tudo esbarra em terras indígenas e vegetação nativa. O Amapá ficou sem energia por semanas porque está isolado de Brasília e do Sudeste, e temos no meio da floresta uma capital com mais de dois milhões de habitantes, Manaus, sem acesso por via terrestre ao resto do Brasil. Vamos e convenhamos: a situação é de bomba relógio prestes a explodir.

O dito pelo não dito.
Quando uma ideologia fica bem velhinha, vem morar no Brasil.” (Millor Fernandes, escritor e humorista brasileiro).
RENATO ZUPO – Magistrado, Escritor.