ELA por ELA

Beatriz Augusto

Por: Reynaldo Formaggio | Categoria: Entretenimento | 07-02-2021 10:27 | 891
Beatriz de Jesus Augusto
Beatriz de Jesus Augusto Foto de Arquivo Pessoal

Beatriz de Jesus Augusto é uma mulher de muitas camadas. Filha do saudoso Sr. Geraldo Augusto, paraisense e de Dona Maria Augusto, do Serro, Bia, como é carinhosamente chamada, nasceu aos 3 de julho de 1974 na capital paulista mas se considera mineira e paraisense de coração. Artista visual, influenciadora digital, mulher feminista que equilibra a força no olhar e a suavidade na voz. Tem opiniões convictas, mas sempre aberta ao diálogo. Bia é uma mulher de muitas facetas e algumas delas são reveladas nesta entrevista.

Bia, conte-nos sobre suas primeiras memórias.
Filha única, das muitas lembranças que tenho, são marcantes as recordações da minha infância mágica, de crescer em meio a natureza e das viagens com meu pai à Serra da Canastra, em um lugar que hoje se chama Paraiso Perdido. Meus pais sempre me ensinaram a respeitar a vida em geral.

Qual sua formação profissional e quando a arte entrou em sua vida?
Sou artista visual, faço de tudo um pouco, restauração, ilustração de livros infantis (que é minha paixão), pinturas.  Desde pequena meus pais me apresentaram a arte no geral, meu pai com a musicalidade e minha mãe me incentivando a desenhar, sempre me levando a exposições, museus, cinema, teatro. Desde então a arte está em minha vida atuando de todas as formas.

Quais livros já ilustrou e o que este trabalho significa para você?
A Gata Esperta e o Cão Vigilante (José Hilton Rosa), Lis e o Guará (Lilavati Oliveira Rosa), também dois trabalhos que estão na plataforma do Consulado Italiano de Belo Horizonte, Histórias para Brincar - Homenagem a Gianni Rodari. Trabalhar com ilustrações é meu prazer, faço de corpo e alma. Ver as pessoas sorrindo, interagindo com a estória é magnifico.

Você é uma mulher de fé? Se sente livre para exercer sua religiosidade? Crê que vivemos realmente em país laico?
Muita fé! Sou umbandista e em Paraíso sinto-me livre para exercer a minha religião. É claro que já encontrei algumas pessoas com um certo preconceito. Quanto ao país não acredito que seja laico, principalmente nesse momento onde recebo notícias que estão atacando terreiros de Umbanda e Candomblé no Rio de Janeiro e São Paulo e evangelizando os índios.

Recentemente você postou em rede social que há um ano, no último Natal, tinha seu pai, não sabia que estava doente e não sonhávamos com a pandemia. A vida te surpreendeu?
A vida me surpreende todos os dias. Mas com o amadurecimento, hoje enxergo de outra maneira. Tudo acontece para nossa evolução, assim acredito.

Você enfrenta com muita coragem e um sorriso no rosto o tratamento contra um câncer. Como tem sido essa luta e o que diria para outras mulheres que estão passando pelo mesmo?
Escolhi a felicidade e a fé para me acompanhar. A luta é árdua, sem certezas, pois o nosso corpo é uma caixinha de surpresas, mas a aceitação deixa o tratamento mais leve. Confesso que é uma batalha diária, primeiro comigo mesma e com o preconceito de algumas pessoas em relação à perda dos cabelos (que hoje pra mim se tornou minha marca, estou amando minha careca). Deixo essa mensagem para todas as mulheres que se cuidem e as que estão passando pelo mesmo tratamento que tenham amor próprio e fé que tudo vai passar.

Como se sentiu ao posar para o calendário “Dammas - Grupo de Apoio às Mulheres com Câncer de Mama” do Hospital do Câncer de Passos? E o que o trabalho do hospital e do grupo representam pra você?
Foi uma honra participar do calendário 2021 do Hospital Regional do Câncer de Passos. Foi uma experiência linda, conheci mulheres fantásticas, o dia foi mágico! Ganhei amizades eternas. Fazer o Tratamento no HRC é um presente pois é uma equipe única, são maravilhosos, humanos, amigos e amigas. Todos sem exceção trabalham para o bem-estar do paciente da forma mais humanizada. Fiz amizade com todos, do primeiro ao quinto andar. Confesso que sou loucamente apaixonada por todos aqueles anjos que cuidam de mim com muito amor. Tanto o pessoal do hospital quanto o grupo Dammas representam a força, o carinho, o amor que o ser humano pode fazer pelo próximo. E quero ressaltar também o trabalho do Gapop, a casa de apoio aos pacientes com câncer de Passos que nos auxilia com acomodações e alimentação com o mesmo carinho e respeito. São todos anjos que dedicam suas vidas para o melhor ao próximo. Minha eterna gratidão a todos!

Atravessamos uma grande pandemia mundial. Consegue ver um lado positivo em tudo que estamos vivenciando?
Sim, vejo como um grande aprendizado. Hoje entendo muito mais o valor da vida. Exercer a empatia é maravilhoso! E se conseguirmos enxergar que a vida é mais que bens materiais, os dias se tornam mais prazerosos, os encontros importantes, o quanto o abraço é revigorante, o quanto essa troca de energia é boa pra alma. Os relacionamentos nos fazem melhores e a solidão também nos faz refletir, nos tornarmos nossos melhores amigos e a melhor companhia.  Vi o quanto a natureza se renova, naqueles momentos que o isolamento fez os animais livres, os rios se limpando. Estou aprendendo muito.

Você também é uma influenciadora digital ativa, sempre postando vídeos de moda, dançando e transmitindo mensagens otimistas e alegres. De onde vem a inspiração e essa vontade de se comunicar?
Sou uma mulher muito empoderada e com autoestima elevada (risos), feminista, mas já passei por momentos onde fui agredida e tive relacionamentos abusivos que me colocaram no fundo do poço. Consegui me reerguer e ver o meu potencial. Sou uma mulher livre! A minha inspiração são as mulheres que encontro todos os dias, na luta, mulheres como minha mãe e das que sou fã como Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, enfim, muitas mulheres maravilhosas. Amo a comunicação e faço tudo isso com amor, com o foco de levar minha mensagem, que é viver plenamente todos os dias como seres livres. Não precisamos ser escravos da ditadura que muitas vezes a sociedade impõem pois não existe idade para ser feliz! E viva a liberdade!!!

Se pudesse ser outra pessoa por um dia, quem seria e o que faria?
Doutora Margareth Dal-colmo, médica, pneumologista, pesquisadora da Fiocruz. Iria aprender muito com todo conhecimento que ela carrega.

Nossa cidade está prestes a completar seu bicentenário. Na sua opinião o que temos de melhor e o precisa mudar?
São Sebastião do Paraíso é uma cidade linda! São muitas coisas boas aqui, mas é claro que precisa mudar muitas coisas também e uma delas é ampliar a visão do quanto Paraíso tem potencial. Mas infelizmente tem algumas pessoas no poder que querem continuar com o conservadorismo estrutural onde restringe o crescimento econômico, cultural e social da cidade.

O que te move?
O amor que tenho pela vida, os amigos, animais, a natureza, as estrelas, as paixões efêmeras, o cantar dos pássaros, o cheiro das flores e o desejo de fazer a mudança e evoluir como ser humano.

Qual seu maior sonho?
São tantos (risos) e ando realizando todos! Ultimamente tenho sonhos diversos, viajar para Europa e África, ter meu programa (caseiro) de entrevistas, lançar meu livro de ilustrações sobre o câncer de mama (já está em andamento), conquistar um moço pelo qual me apaixonei há um ano, esse é o mais difícil (risos), reformar a minha casa e construir meu atelier. Tudo é questão de tempo e dedicação. Logo tudo se realizará e novos sonhos irão surgir para que se realizem todos novamente.