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Wilson Paschoini há 62 anos no comércio paraisense

Por: Nelson de Paula Duarte | Categoria: Comércio | 07-02-2021 10:38 | 777
Foto de Tiel / Jornal do Sudoeste

A Casa Paschoini, na Mocoquinha, em São Sebastião do Paraíso, é um daqueles estabelecimentos onde costuma ser encontrado praticamente de tudo. Especializada em ferragens, ferramentas, materiais hidráulicos, elétricos, da base ao acabamento de construções. Começou como empório de secos e molhados, mas com a chegada dos supermercados houve mudança de rumos, e a variedade de produtos comercializados foi se ampliando. Tanto é que, quando alguém está à procura de algo e pergunta onde poderá encontrar, a resposta é, “lá no Wilson Paschoini deve ter”.

Wilson Paschoini aos nove anos de idade começou aprender o ofício de marceneiro na Fábrica de Brinquedos Cacique, montada em grande barracão na rua Pinto Ribeiro quase na esquina com a rua Alferes Patrício, em frente onde foi instalada a Telemig, e ainda hoje existe uma central de telefonia. O proprietário era Higino Costa, o Petito, que tempos depois foi instrutor na Escola Profissional São José, montada por Monsenhor Mancini. Petito foi também instrutor no Aeroclube em Paraíso.

Wilson trabalhou como marceneiro na fábrica de móveis de Walter Braghini, e também na de Dr. João Ribeiro, e se foram doze anos exercendo a profissão. Em 29 de dezembro de 1958 seu pai José Paschoini lhe disse que havia decidido fechar o empório, sugerindo que o adquirisse. “Eu não tinha o dinheiro ele me propôs e ficou acertado, que pagaria trinta mil cruzeiros, sem prazo, da forma como eu pudesse. Eu pagava quatrocentos cruzeiros por mês, sendo trezentos de juros, e cem cruzeiros de aluguel. Iniciei as atividades no dia 2 de janeiro de 1959 e tinha cem cruzeiros de capital. Estou aqui até hoje”, conta.

Habituado a vender produtos de qualidade, e ainda mantêm em estoque nacionais e importados, Wilson diz ter predileção em comerciar ferragens. “Gosto e entendo”, salienta.

Cita que uma das melhores fábricas de ferramentas do Brasil era a marca Corneta. “Ganhei uns cinco prêmios porque no interior mineiro o varejista que mais comprava daquela indústria era eu. Apenas em Belo Horizonte havia quem comprava mais”, conta.

Ao comentar sobre qualidade, Wilson observa ter mudado muito. Cita como exemplo que atualmente em nosso país há apenas três indústrias brasileiras que produzem fechaduras, “o restante vem tudo da China”, segundo ele, “de terceira linha”.

A Casa Paschoini continua em seu lugar de origem, na avenida Angelo Calafiori, 863. “O prédio era uma casa construída no sistema pau a pique. Quatro anos depois de eu ter adquirido o empório, faltava um mês para eu me casar, meu pai faleceu e foi um transtorno. Sem ter nenhum centavo tive que comprar o imóvel dos demais herdeiros por dois milhões de cruzeiros. De alguns tive prazo, outras partes precisei pagar à vista, numa época difícil financeiramente falando, período que houve muita quebradeira aqui em Paraíso”, explica Wilson.

Passei por esse período, no maior aperto. Assim que terminei de pagar a casa, ela começou a cair. Quando fiz o projeto para iniciar as atuais instalações uma pessoa me perguntou o que eu iria fazer. Respondi que seria um pedaço da casa, e que o custo ficaria em torno de doze mil cruzeiros. Perguntou-me quanto eu tinha, respondi que nenhum tostão. Era um amigo meu, já falecido, e me disse que o que precisasse poderia procura-lo.

Aos 83 anos de idade, dos quais 62 como proprietário da Casa Paschoini, Wilson vivenciou muitos fatos acontecidos na Mocoquinha. Recorda-se que quando iniciou sua atividade comercial ainda não havia calçamento (pavimentação) na avenida Angelo Calafiori,

Um dos acontecimentos pitorescos, conforme conta, foi no dia da inauguração do posteamento de energia elétrica que se estendia colocado bem no meio da avenida, quando o prefeito era Geraldo Froes.

O atual Posto do Colega se chamava Posto Paraíso e o proprietário era da família Pelucio. Ele tinha um automóvel Pac-kard. Um funcionário do posto saiu no veículo em alta velocidade, contornou a avenida, e quando foi novamente entrar no posto tinha um poste em frente, e ele o estreou. O restante da história não preciso explicar, disse.

Wilson observa que muitos clientes chegam ao seu estabelecimento sem saber ao certo o que querem, ou seja, acabam trocando o nome do produto. E com sua experiência, quando percebe que pode haver equívoco, ele pergunta: “O que você vai fazer”, ou “vai utilizar no quê”? – para em seguida, indicar o mais apropriado.

Um desses equívocos conforme conta, ocorreu com seu amigo, o saudoso Padre Geraldo Rezende, pároco na Igreja de Nossa Senhora da Abadia que ligou solicitando que lhe mandasse entregar uma chibanca, ferramenta apropriada para cavucar. Foi entregue. E Padre Geraldo retornou a ligação me perguntando se com tantos anos no comércio eu ainda não havia aprendido. Me deu na cabeça que na realidade ele queria era uma enxadinha, chamada chacho, para utilizar em jardim. E era.

Wilson ressalta nada ter a pedir, somente a agradecer. Pela união e suporte familiar vindo de sua esposa Ivani Carvalho Paschoini, “pessoa preparada, humilde”, e das “três filhas maravilhosas”, Marina e Giovana médicas, e Edilza formada na área administrativa contábil que compartilha com ele o dia a dia na Casa Paschoini. “São presentes que Deus me deu”, afirma.

Meu lema é esse, “trabalhar honestamente, não tenho ganância. Tenho uma clientela boa. Tudo está ótimo”, conclui.