TERRA NOSTRA

No telhado do mundo

Por: Manolo D´Aiuto | Categoria: Entretenimento | 03-02-2021 17:19 | 44
Foto de Reprodução

A década de 80 do século XX foi caracterizada por grandes tensões entre as duas superpotências dos EUA e da URSS. Essa tensão, que levou à aproximação de um terceiro conflito  mundial, teve repercussões também no campo esportivo.

Em 1980, Moscou se apresentou como a cidade-sede das Olimpíadas, com a clara intenção, como havia sido a edição de 36 em Berlim, de mostrar ao mundo a nova Rússia capaz de rivalizar com todos os países ocidentais e, sim, de superá-los. Mas, infelizmente, a intenção não teve sucesso devido ao boicote de muitos países, incluindo os EUA, Japão, China, Alemanha Ocidental e muitos outros do bloco ocidental, que mostraram sua oposição ao apoio soviético às tropas afegãs. Em todo este cenário, as Olimpíadas Soviéticas foram para a Itália, que com França, DDR e Grã-Bretanha participaram, uma das melhores do ponto de vista dos sucessos, dando-nos alguns nomes desportivos que permanecem arraigados no firmamento mundial.

Entre estes, Sara Simeoni sem dúvida se destaca. Simeoni já havia mostrado sua habilidade nas Olimpíadas anteriores de Montreal, onde havia conquistado a prata, e chegou à nomeação em Moscou com a força do recorde mundial estabelecido por duas vezes, a primeira no encontro de Brescia e a segunda na Europa de Praga.

Ao contrário de outras disciplinas, onde a falta de atletas aderentes ao boicote se fez sentir, na competição de Salto Feminino estiveram presentes, além da nossa Simeoni, as alemãs orientais Rosemarie Ackermann e Ulrike Meyfarth. Simeoni, que há anos dominava nacionalmente e era a campeã europeia, nunca teve sorte no campeonato mundial, onde apenas conquistou a prata de Montrael. Mas em Moscou as coisas eram diferentes, graças a uma garra fora do comum e uma excelente técnica, nossa Atleta conseguiu romper seus adversários e chegar ao topo do mundo com o recorde de 1,97 m das Olimpíadas. Mas a história de Sara não termina com Moscou, quatro anos depois em Los Angeles, onde o bloco soviético boicotará os jogos, aos 31 ela poderá subir até 2,00 me conquistar a medalha de prata, com a honra de ser a alfire da Delegação Italiana.

Na cultura italiana, Simeoni representou a figura feminina do esporte por excelência, tanto que foi eleita atleta centenária junto com o grande esquia-dor Alberto Tomba. Saindo do papel de atleta, Simeoni continuou a se manter dentro do esporte, ocupando diversas posições federais e regionais, sempre com o mesmo sorriso, determinação e dedicação, que mostrou aos adversários na pista.

Ciaooo.
Manolo Daiuto