CRÔNICA HISTÓRICA

Primeira empresa telefônica de Paraíso

Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cultura | 10-02-2021 16:28 | 780
Foto de Reprodução

A história da primeira empresa telefônica de São Sebastião do Paraíso, Sudoeste Mineiro, começou em 16 de setembro de 1907, quando a Câmara Municipal aprovou um requerimento assinado por Damião Buson e João Braia, solicitando o direito de privilégio para a exploração do serviço.

Um projeto desafiador que exigia capital, capacidade administrativa e contratação de profissionais especializados, até então inexistentes na região. Razão pela qual, os vereadores aprovaram a solicitação, sem mesmo mandar publicar edital de concorrência, e ainda concederam um subsídio municipal no valor de um conto e quinhentos mil reis para a criação da primeira empresa de telefonia da cidade.

A cidade estava passando por um período de franca expansão de suas bases culturais, resultado da riqueza proporcionada com os sucessivos recordes de produção de café. Em fevereiro de 1907, foi inaugurado o Ginásio Paraisense, estava circulando o jornal “O Paraisense”, sob direção do professor Gedor Silveira, com crônicas redigidas pelo jovem poeta José da Mata e companhias de teatro das capitais começavam a fazer temporadas rápidas no Cine Biju.

Entretanto, havia uma dificuldade considerável a ser vencida, entre a obtenção política do privilégio de exploração do serviço e a efetiva concretização do projeto. Era preciso comprar equipamentos importados dos Estados Unidos, construir as instalações, colocar os postes e fios até chegar às casas dos usuários e ainda contratar profissionais entendidos do assunto.

O direito de privilégio foi então transferido para o fazendeiro e empresário José de Oliveira Rezende, que criou a primeira empresa de telefonia em São Sebastião do Paraíso, que funcionou em 1910. Na continuidade, conforme previa a contrato de privilégio, a companhia local deveria estender os fios até Monte Santo e Posses, visando a conexão com a linha de Mococa. Cláusula essa que não foi atendida, conforme as condições iniciais do contrato.

Passados vários anos, em 31 de agosto de 1928, a Companhia Telefônica Brasileira comprou a Empresa Telefônica de São Sebastião do Paraíso, que já havia ampliado a rede, mantendo centros telefônicos em Guardinha, Capetinga, São Tomás de Aquino e Espírito Santo da Pratinha, com cerca de 350 telefones em funcionamento. Seis anos depois, no dia 20 de agosto de 1934, quando a cidade estava sob a administração do prefeito José Honório Vieira Júnior, foi inaugurado o serviço de ligações interurbanas. Evento esse que foi tema de uma crônica já publicada no Jornal do Sudoeste, no ano passado.

Para finalizar, em março de 1972, foi noticiado na revista Sino Azul, do Rio de Janeiro, que estava prosseguindo os trabalhos do início da automatização da rede telefônica em São Sebastião do Paraíso, prevendo a instalação de mil aparelhos com discagem direta. Em outros termos, estava terminando o período de atuação da telefonistas que, por mais de meio século, foram profissionais de fundamental importância para viabilizar a conexão entre os usuários da rede.