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Balé Flávia Junqueira

Por: Nelson de Paula Duarte | Categoria: Cidades | 21-02-2021 07:59 | 440
Flávia de Paula Junqueira
Flávia de Paula Junqueira Foto de Reprodução

A ribeirãopretana Flávia de Paula Junqueira tem proporcionado memoráveis espetáculos de dança em São Sebastião do Paraíso, com requintado bom gosto na coreografia e figurino, via de regra, nos finais de ano. Tem o dom de transmitir o que com muita persistência, e sensibilidade, tem aprendido desde os doze anos de idade, quando foi assistir a uma aula de balé com uma amiga e se encantou com tudo.  Sua academia se prima em ensinar dança e ao transmitir valores éticos e culturais às suas alunas.

A empresa Balé Flávia Junqueira  foi estabelecida em  2003, à rua Dr. Placidino Brigagão, 2.234, próximo à Lagoinha, mas Flávia passou a compartilhar seu amor e dedicação ao balé  ao mudar-se para Paraíso em 1986.  “A Ana Luíza Alvarenga e Lúcia Montans Alvarenga (Laticínios Aviação), souberam que eu tinha feito balé e, quiseram que eu desse aulas para suas filhas, Luciana e Marina. Montaram para mim uma casa com barras, espelho, na rua dos Antu-nes, e não me cobraram aluguel”, conta.

Flávia lembra que como havia parado há algum tempo, resolveu voltar a fazer aulas em Ribeirão, de como dar aulas, se reciclar. “Antes quando eu estava com 14 anos, juntamente com uma amiga, dei aulas em um orfanato e uma pré-escola o Jardim Encantado”.

Em Paraíso posteriormente lecionou no Clube Paraisense, na Olimpionike,  na academia da professora Edyna Maldi Borges e, durante sete anos, na Energy. “Foi muito bom porque os proprietários Márcio e Agnaldo foram muito bancas comigo, sempre”, enfatiza.

Um dia Flávia estava na Energy e pensava: “Quando vou ter minha própria escola. Vi uma porta entreaberta, atravessei a rua e era um galpão. E pensei, será que não poderá ser aqui?”, lembra-se.

“Foi em 2003 e surgiu o Balé Flávia Junqueira, um lugar muito gostoso com uma energia muito boa, onde foi a loja Martoni. Realmente, sou muito feliz naquele local”, afirma.

Foram muitos cursos e aprimoramento constante, que levaram Flávia Junqueira  ter a satisfação de dirigir uma academia, cujo reconhecimento foram traduzidos em premiações em nível internacional. 

E tudo começou no dia em que ficou encantada ao presenciar aula de balé de uma amiga, em Ribeirão. “Parecia ser um mundo que faltava em minha vida. Falei com minha mãe que gostaria de fazer o curso. Ela não concordou. Disse que eu já havia iniciado algumas atividades e parado. Argumentei que iria buscar uma bolsa de estudo, e ela então concordou pagar”.

E não parei mais como aluna. Nunca fui bailarina de dançar em companhias. Desde então, comecei dançar e fazia muitas aulas, conta.

O início foi com a professora Regina Pagano Menezes, em Ribeirão Preto. “De muita importância em minha vida porque além da dança, o que ela mais ensinou foi o amor ao balé”.

Depois de Regina Menezes, Flávia teve continuidade de seu aprendizado  com o bailarino do Municipal de São Paulo, Wandilson Montenegro e o argentino Carlitos Aguero (um de balé  outro de jazz) que mudaram-se para Ribeirão. “Cursei com eles até me ingressar na Faculdade de Ecologia na Unesp em Rio Claro. Nesta época uma vez por semana ia cursar balé no Estúdio 45, em Piracicaba, muito conceituado”, pontua.

Essa pandemia que tem assolado o país, ocasionou “um grande choque”, diz Flávia Junqueira. “A partir de nove anos acima, não saiu ninguém, porque conforme disse, Paraíso dá muito valor ao nosso trabalho, mas abaixo de oito anos perdemos cinquenta por cento de minhas alunas”.

As aulas on line foram iniciadas inclusive um mês antes que escolas em Ribeirão, que dispensaram professores. “Continuamos com nossos professores (três são de Ribeirão), sem sequer ter diminuído seus salários, ficamos muito honrados também” , enfatiza Flávia, admitindo que  “não tem sido fácil, está bem no limite, mas temos conseguido honrar nossos compromissos”.

Em Passos, por exemplo, uma escola que existia há vinte anos foi desativada, foi para Belo Horizonte porque nas aulas on line não sobrou quase ninguém. Você vê que São Sebastião do Paraíso dá valor à arte. As pessoas perguntam, como eu consegui ter um trabalho. Afirmo ser porque Paraíso dá valor. “Acho que a cidade tem nela, a arte na música, dança, pintura, gosto muito de Paraíso”, observa.

Temos muita preocupação com a formação de nossas alunas, não só no balé, mas para a vida delas na questão do comprometimento, da disciplina, companheirismo, de fazer bem feito, o máximo que você pode de si mesmo, de ter uma posição de saber que você evolui e produz, diz Flávia.

Espetáculos  apresentados pelo Balé Flávia Junqueira  já resultaram em muitos prêmios para Paraíso, e conforme ressalta “traz para as alunas uma sensação, de que “eu me esforço e tenho de volta reconhecimento”.

Os pais na plateia no final de ano são importantes. Sabemos que pais acham bonito, valorizam e se orgulham de suas filhas, mas sair e conseguir prêmios fora, primeiro lugar no Passo de Arte que é internacional, concorrendo com paraguaias e argentinas no sapateado, que é trabalho em grupo e virou uma família, é muito importante, uma emoção muito grande, reflete Flávia Junqueira.

Outra premiação de destaque foi conseguida em Ribeirão, o que também é um diferencial. “É importante estarmos no meio da técnica do balé, da dança, precisamos de comparação, e os festivais competitivos são muito importantes para a gente se situar e querer melhorar. Sempre há cursos que fazemos e nossas alunas fazem”, explica.

Flávia observa que balé, o esporte, a arte como um todo, mudam a vida das pessoas, são canais que você tem para se expressar de uma forma que nem sempre se consegue na vida comum. Vira uma forma de se expressar e ali você se encontra. É um trabalho gratificante.

Agradeço Paraíso por nos acolher, a Deus por dar um trabalho tão importante. Várias garotas já chegaram até nós relatando o quanto o balé lhes ajuda nas profissões escolhidas. São médicas, advogadas, engenheiras, arquitetas. No balé você aprende qual é o seu papel, porque  o tempo todo você lida  com seus limites, tenta superá-los mas também aprende aceitar,

É muito gratificante trabalhar aqui. É o que me prende a Paraíso, além dos muitos amigos que fiz nesses trinta e cinco anos, é o balé. É uma escola realmente diferenciada, muito importante em minha vida e na de muitas alunas que passaram por nós. Hoje temos alunas que são filhas de alunas.  É muito bonito vê-las aos três anos ingressando de cor de rosinha com aqueles olhinhos de “onde será que estou”, ficarem com a gente dez, doze anos e saírem, belas moças, que se formaram, e têm o momento de receberem de volta tudo o que doaram, ver que as famílias ficaram felizes no que se tornaram.

“Gostaria de agradecer por ter sido convidada para esta entrevista. Fico muito honrada. Agradeço a ACISSP, que é uma referência e desenvolve um bom trabalho em Paraíso, é muito bem organizada. Foi ela quem nos trouxe o tão sonhado Teatro que fazia muita falta na cidade. Mudou a nossa apresentação e a vida da gente. Agora sim, temos lugar próprio para mostrar nosso trabalho. Além disso, a ACISSP dá muita assistência, está sempre preocupada em trazer informações, um trabalho muito bem feito”.