HISTORIADOR

“O embate entre os capitães – mores”

Por: Redação | Categoria: Cultura | 20-02-2021 15:18 | 46
Praça Comendador João Alves (1910)  (antiga Praça da Independência)
Praça Comendador João Alves (1910) (antiga Praça da Independência) Foto de Reprodução

Existia, como ainda existe, em Lavras (MG) uma Praça Grande, hoje toda ajardinada. Os moradores daquele tempo pretenderam construir algumas casas no centro da praça e abrir uma rua. Com a ideia, porém não concordaram alguns capitães-mores, o que levou a ser posta em prova a valentia do célebre Januário Garcia e do capitão Mateus Luiz Garcia, que foi homem de bem e honrado, respeitado e temido.

Preferiu os árduos trabalhos do plantio das terras, que tanto enobrecem o homem, a mineração do ouro por ser naquela época presa fácil, a todos seduzia. Como era conhecido o velho rifão sertanejo: de três coisas há de se temer o homem venha ser três barras: barra de saia, barra de ouro e barra de demandas, que não raro acaba em tragédia.

Mas, vamos aos fatos: Januário tomou as dores dos que insistiam na modificação do largo construindo casas. Mateus, do lado oposto, impunha a opinião contraria dos capitães- mores.

Januário sabedor de certas informações, escreve a Mateus a seguinte carta- aviso:

Primo amigo e Senhor. Constando-me que V.S quer arrasar, as casas construídas na praça, vou rogar-lhe que tal, não faça quando não...!

Januário Garcia.

O capitão Mateus, que jamais sentia o temor do medo, responde:

Primo amigo Senhor. É verdade que queremos arrasar as casas da praça, por isso vou rogar-lhe que não se intrometa nisso, quando não...

Mateus Luiz

E ficou só naquele “quando não”, pois na noite marcada os capitães-mores acompanhados de seus escravos, compareceram na cidade, armados de foices, picaretas, e arrasavam as casas construídas no largo. Depois, transportavam os destroços para o alto da cidade, em franco desafio e ficavam à espera dos valentes, inclusive Januário Garcia.

A prudência parece haver aconselhado aceitar o fato sem maiores complicações, e Januário Garcia, talvez em sinal mudo e cauteloso protesto, transferiu sua residência para Mato Grosso.

Convém salientar que o benemérito Capitão João Alves de Figueiredo é descendente direto do Capitão Mateus Luiz Garcia, tem seu nome nos seguintes logradouros de Paraíso: Praça Comendador João Alves (Praça da Fonte) e o campo Associação Atlética Paraisense, e o grupo Escolar na Vila Mariana.

Sebastião Pimenta Filho Cronista
– Historiador

Comendador João Alves e Esposa Dorotéia e Filhos