CRÔNICA HISTÓRICA

Escola Doméstica Santa Therezinha

Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cultura | 03-03-2021 09:21 | 364
Correio da Manhã. rio de Janeiro, 15 de março de 1936
Correio da Manhã. rio de Janeiro, 15 de março de 1936 Foto: Reprodução

Entre as entidades que prestaram relevantes serviços sociais em São Sebastião do Paraíso, Sudoeste Mineiro, no início dos anos 1930, está a Escola Doméstica Santa Therezinha. Criada pelo pároco da matriz local, monsenhor José Felipe da Silveira, com a finalidade específica de ministrar cursos regulares de costura, bordado, culinária e arranjos florais, para moças e senhoras. A inauguração ocorrida em 1 de março de 1933 foi um evento de grande relevância social, no sentido de contribuir na ampliação efetiva das condições de acesso à educação profissional para as mulheres. Até então, esse tipo de entidade profissional somente existia em algumas cidades maiores.

Conforme foi noticiado no Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, edição de 15 de março de 1936, a partir de informações redigidas por um correspondente jornalista residente em Paraíso, naquele momento, a Escola Doméstica Santa Therezinha estava iniciando o seu terceiro ano de funcionamento, contando com a matrícula de 60 alunas. Cumpre observar que além de ministrar cursos profissionais, funcionava ainda uma aula de alfabetização para mulheres que ainda não tinham tido a oportunidade de frequentar uma escola de primeiras letras.

Parte das alunas dessa Escola morava no Instituto Jesus Crucificado, orfanato que teve a sua denominação alterada, na década seguinte, para Instituto Monsenhor Felipe. Mas a maioria das alunas era de famílias paraisenses. As concluintes dos cursos podiam ampliar as limitadas possibilidades de serviço, existentes na cidade, trabalhando como costureiras, bordadeiras ou empregadas domésticas ou mesmo para o exercício das chamadas “prendas do lar”. As aulas eram ministradas pelas Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, que também dirigiam o orfanato e prestavam serviços voluntários como auxiliares de enfermagem na Santa Casa de Misericórdia.

Ficou na memória local a relevância do trabalho prestado pelas Irmãs que tanto fizeram para o desenvolvimento social em Paraíso, particularmente, para aqueles das classes populares. Na fase inicial de seu funcionamento, a Escola  Doméstica Santa Therezinha foi dirigida pela madre Leontina, com apoio importante de um grupo católico, que todos os anos celebrava a festa de Nossa Senhora das Dores, com a participação do jornalista João Borges de Moura, conforme memória publicada no Libello do Povo, principal órgão da imprensa paraisense dos anos 1930.

Fonte: Correio da Manhã Rio de Janeiro, 4 de janeiro de 1933