POLEPOSITION

Do rosa para o verde

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 07-03-2021 05:24 | 590
Sebastian Vettel tem a chance de renascer na F1 depois de perder créditos na Ferrari
Sebastian Vettel tem a chance de renascer na F1 depois de perder créditos na Ferrari Foto: Aston Martin / Divulgação

Sessenta e um anos depois de uma breve passagem pela Fórmula 1 com apenas 5 GPs entre 1959 e 1960, a marca Aston Martin está de volta graças à investida de Lawrence Stroll, um bilionário, campeão em reerguer marcas importantes com dificuldades financeiras.

A Aston Martin não vinha bem das pernas e recebeu uma injeção de dinheiro e ânimos injetados por Stroll que tornou-se acionista da montadora britânica de carros de luxo, e juntou a marca à sua equipe, Racing Point, para transformá-la na Aston Martin.

Sai o rosa pink e entra o verde escuro, cor oficial da montadora e que num passado distante era a cor predominante dos carros britânicos em corridas de automóveis.

O lançamento do modelo AMR21 foi um dos mais aguardados desta agitada semana que conheceu o A521 da Alpine, marca pertencente à Renault e que a partir de agora assume a divisão esportiva da montadora francesa e trás de volta Fernando Alonso para a F1; o VF21 da Haas, e a Williams apresentada ontem.

Ano passado a “Mercedes Rosa” foi um dos centros das atenções da F1 pela polêmica semelhança com o carro que de Lewis Hamilton e de Valtteri Bottas, usaram em 2019, e acabou punida com a perda de 15 pontos no Mundial de Construtores pela adoção dos mesmos dutos de freios da equipe alemã. Mesmo assim a Racing Point terminou o ano na quarta colocação e venceu uma corrida com o mexicano Sergio Pérez, que deixou a equipe para a chegada de Sebastian Vettel.

O alemão caminhava para um final de carreira melancólico, avisado por telefone pelo chefe da Ferrari de que seria demitido no final da temporada passada, e acabou entrando nos planos de Lawrence Stroll para promover a Aston Martin.

As últimas temporadas de Vettel foram conturbadas entre seus próprios erros e os da Ferrari, e ainda desconfortável com o comportamento do carro que não casava com seu estilo de pilotagem. 

Nenhum competidor vence campeonatos por caso, e muito menos quatro títulos(!), mas os problemas vividos na Ferrari levantaram as dúvidas se Vettel era mesmo piloto para quatro títulos na F1, todos conquistados nos tempos de Red Bull entre 2010 e 2013.

E a Aston Martin cai como uma luva para este alemão, prestes a completar 34 anos, agora num campo neutro e sem a pressão sobre seus ombros, poder mostrar ao mundo qual Vettel é esse, o tetracampeão dos tempos de Red Bull, ou o instável e errático da Ferrari? Uma boa temporada dentro dos trilhos numa equipe em franca evolução, poderá fazer com que seu conceito seja revisto por quem acredita que Vettel não é piloto para o número de títulos que possui.

A Aston Martin adotou no AMR21 a mesma traseira da Mercedes W11, de 2020, só que agora dentro do regulamento que permite comprar peças homologadas de outras equipes, e sem gastar as chamadas “fichas de desenvolvimento” que cada equipe tem o direito de usar durante o ano.

Nenhuma aposta é 100% segura na F1, mas o histórico dessa equipe que alcançou tantos bons resultados, mesmo com o orçamento apertado nos tempos de vacas magras, quando não passava de uma Force India da vida, e que para não fechar as portas virou Racing Point, salva por Stroll, não há como não dar certo, agora com um nome forte por trás e dinheiro em caixa.