ENTRETANTO

Entretanto

Por: Renato Zupo | Categoria: Justiça | 10-03-2021 10:43 | 121
Foto: Reprodução

Vacinação trôpega
A imunização é uma microcontaminação. Só nos contaminando iremos nos livrar do vírus da Covid 19, seja esta contaminação proveniente do contato social ou da vacinação. O que importa é que a contaminação das ruas seja gradual, porque se as pessoas pegarem Covid em massa haverá caos na saúde e mortes desnecessárias.  O que poderia facilitar muito a nossa vida seria uma vacinação mais eficiente, rápida, atingindo camadas diferentes da população ao mesmo tempo. Ainda que a CORONAVAC não seja essa coca cola toda de vacina, já dá uma imunizada razoável e impede casos graves da doença se alastrando.  Só que não nos preparamos e nem contingenciamos os imunizantes ou sua matéria prima, os insumos, como deveríamos. Uma grande parcela do governo perdeu tempo discutindo se a vacina chinesa seria ou não eficaz, ou quem seria o “pai” da Coronavac: Dória ou o Butantan. Também perdemos tempo com procedimentos burocráticos desnecessários para validar o uso de outras vacinas, como a Sputnik russa, no país. Quantas vidas poderiam ter sido poupadas com mais celeridade?

Perigosos precedentes
A Constituição Federal só exige que os candidatos à vaga no Supremo Tribunal Federal tenham notável saber jurídico e reputação ilibada. Sequer precisam ser juízes de carreira, membros do Ministério Público ou advogados. Eros Grau era professor, bem como o finado Carlos Alberto Menezes Direito.  Dos atuais, confira: Barroso era advogado, Gilmar Mendes procurador do Estado, Fux e Lewandowski desembargadores, Rosa Weber e Marco Aurélio juízes do Trabalho, Toffoli advogado geral da União e antes disso procurador fazendário, Carmem Lúcia professora e procuradora do estado, Facchin advogado, Alexandre de Moraes ex-promotor que abandonou o MP para se dedicar à política e literatura, Kassio Nunes era desembargador federal. Ufa: eis os onze supremos. A maioria deles com nenhuma experiência anterior na magistratura. Tivessem-na, não criariam os perigosos precedentes que vêm criando. Instauraram inquérito para apurar o crime de Fake News, inexistente em nosso ordenamento jurídico. Revigoraram a Lei de Segurança Nacional, embolorada, inconstitucional e em desuso. Criaram a absurda tese de flagrante perpétuo ao prender o deputado Daniel Silveira. Tiraram das redes sociais ativistas e jornalistas que menoscabaram do STF, agindo como vítimas e juízes ao mesmo tempo. Isso tudo, amigos, cria jurisprudência! Vai ser aplicado por outros tribunais e juízes brasileiros. Não por acaso, os autores dessas teses, conquanto notórios juristas, não possuem histórico na magistratura, experiência anterior como juízes e a necessária prudência para entender que o Poder Judiciário é pacifista, contemporizador e, sobretudo, sereno.

Ataques institucionais
Se for para considerar ataque às instituições o menoscabo de figuras públicas, estou querendo entender o que irão fazer com caras como Guilherme Boulos, João Dória, Ciro Gomes, e muitos outros desafetos de nosso presidente da República, que peregrinam nos meios de comunicação chamando Bolsonaro de assassino, genocida, louco, etc... Se não é possível ofender nas redes ao Ministro Alexandre de Moraes ou a seus pares, procuro entender porque, contra Bolsonaro, tudo pode. Ele é o único presidente do mundo que não pode nomear gente de sua confiança para... cargo de confiança. Ele é o único presidente do mundo que não tem controle sobre a atividade do seu gabinete de segurança institucional e seu serviço de inteligência, a ABIN. Ele não pode editar decretos, porque quando o faz é imediatamente manietado pelo STF. Em suma, nosso presidente é o único da história que é vítima de ataques sucessivos, midiáticos e judiciários, e que não pode se defender porque seu batalhão de choque vai preso ou é expulso do mundo virtual das redes sociais, ou tem seu canal de Youtube fechado, ou é processado com base na espúria Lei de Segurança Nacional.

Estranhos silêncios
Estranho é ver, não a eloquência dos desafetos do presidente, mas os silêncios dessa tropa de formadores de opinião. Diante dos escândalos da Petrobras e empreiteiras, não ouvi Chico Buarque e Caetano, os mais politizados dentre as celebridades, se manifestarem sobre assunto tão premente e atual. Preferem, como outros, falar do regime militar e das torturas lá dos distantes idos de 1964. Adélio Bispo foi visto frequentando o gabinete do então deputado Jean Willis. Depois, tenta matar Bolsonaro e Willis renuncia e foge para a Alemanha porque “teme por sua vida” (sic). Em seguida e no rastro da Vaza Jato se descobrem áudios de Willis com o deputado Davi Miranda, aliás seu suplente, aliás beneficiado assumindo o cargo de deputado quando da renúncia do titular, aliás “marido” do jornalista Glen Greenwald, o dono do site Intercept Brasil, especializado em mexericos virtuais e em receptar informações hackeadas.  E o que as conversas entre Willis e Davi Miranda resgatam? O primeiro cobrando dinheiro do segundo para viver na Europa. Aliás, cobrando do marido de Davi, o jornalista gringo, a quem ambos os interlocutores chamam carinhosamente de “GG”. O que se falou disso, desse escândalo? Nada. Estranhos silêncios.

O Dito pelo não dito:
“Há quatro características que um juiz deve possuir: escutar com cortesia, responder sabiamente, ponderar com prudência e decidir imparcialmente.” (Platão, filósofo grego).

RENATO ZUPO, Magistrado, Escritor