ONDA ROXA

Vereadores criticam anúncio da onda roxa em todo o estado e apoiam aquisição de vacinas

Por: Redação | Categoria: Política | 17-03-2021 07:00 | 610
Foto: ASSCAM

A necessidade de agilizar a imunização contra a Covid-19 foi o principal ponto abordado pelos vereadores durante debate sobre o novo coronavírus na sessão ordinária dessa segunda-feira (15/3. O governador Romeu Zema anunciou que todas as regiões de Minas Gerais entrarão na onda roxa por 15 dias, a partir desta quarta-feira (17/3). O anúncio recebeu críticas no Legislativo paraisense. Também durante a sessão ordinária, foi aprovado e encaminhado para sanção do prefeito o projeto de lei que autoriza o Poder Executivo a adquirir vacinas contra a Covid-19 para o município.

O vereador Vinicio Scarano (CIDADANIA) manifestou repúdio a quem "não respeitou os protocolos, fez aglomeração e festas clandestinas. Porque quem transmite, de acordo com as informações, é esse tipo de pessoa, e quem tem a letalidade são os idosos". Ele afirmou que a vacina comprovadamente diminui a letalidade de quem está imunizado e que o prefeito municipal Marcelo Morais deve encaminhar à Câmara um protocolo de intenção de compra de R$ 1,8 milhões. "A partir do momento que tivermos a intenção de compra, prefiro que a própria Prefeitura seja autorizada a comprar do que ficar a mercê do governo federal".

Para Sérgio Gomes (PTB), a situação atual poderia ser evitada. Ele criticou a atuação do governo federal no trato com a pandemia e a aquisição de vacinas. "Estamos procurando alternativas para a nossa comunidade. Falei com representante da vacina Moderna que tem interesse em trazer o produto para cá, com a dose a 20 dólares, entrega em 15 dias e pagamento após o recebimento. Temos que procurar trazer a vacina para a nossa comunidade o mais rápido possível porque só assim não teremos esse terrorismo que vamos passar nos próximos 15 dias". Ele lembrou do projeto de sua autoria, que autoriza a Prefeitura a comprar as vacinas sem intermédio da União ou do estado. A proposta foi aprovada e encaminhada para sanção.

Lisandro Monteiro (SD) classificou a situação como lamentável e afirmou que muitas pessoas e estabelecimentos estão sendo imprudentes, citando casos recentes de eventos clandestinos na cidade. "Os inocentes vão pagar pelos pecadores, porque vai fechar tudo. Aí as famílias vão para as chácaras ficar 15 dias "de férias". Tem que seguir os protocolos. Agora temos dois caos: o econômico e o vírus. Enquanto não for adquirida a vacina, isso não vai ser resolvido". Juliano Reis (PP) opinou que o contexto de saúde reflete a "falta de empatia de pessoas egoístas que não entendem o cenário que estamos vivendo".

Marcos Antonio Vitorino (PSC), Luiz de Paula (PP) e José Luiz das Graças (PRB) parabenizaram a atuação da gestão municipal para coibir desrespeitos aos protocolos de segurança. "Nosso povo é muito ordeiro, tiveram situações de pessoas que extravasaram, mas a maioria respeitou o decreto. Não é surpreendente que nossa cidade está na onda verde, fizemos nosso dever de casa. Estamos sendo penalizados por erro de outras cidades do estado e até da nossa região", defendeu Marcos. Luiz de Paula acrescentou: "em vez de escolherem ficar em casa, as pessoas não acreditam que a doença existe. É uma doença muito, traiçoeira, misteriosa - por mais cuidado que a pessoa tenha , ela aparece".

Já José Luiz disse que o prefeito municipal fez todo o possível para evitar o fechamento dos estabelecimentos e pausar o trabalho. "Vamos vencer esses 15  dias. Espero que possamos dar condições para a compra das vacinas, assim que tiver disponibilidade de entrega porque dependemos de fornecedor. O que for possível aprovar nesta Casa, estamos todos aqui para ajudar a resolver esse problema tão grande. Quanto mais instrumentos tivermos para garantirmos essa vacina, melhor; não podemos ficar só esperando o governo federal ou o estado", ressaltou o vereador. 

No Grande Expediente, o vereador Antonio Picirilo (PSL) também deu sua opinião. "Ficamos entristecidos por ver tantas pessoas morrendo e outras que fatalmente vão morrer por falta dessa vacina, de recursos. Mas sou totalmente contra a situação que Minas Gerais vai entrar. A vacina é a saída para nós. Tive notícia que uma fábrica mandou 70 pessoas embora, e vai piorar se continuar assim. Daqui a 15 dias, não vai ter mais ninguém morrendo de Covid, mas vai ter muita gente passando necessidade, fome, deixando de ter energia, água... Deixem de preocupar tanto em proibir o povo de trabalhar e ponha pão na mesa deles, depois pode fechar tudo. Meu protesto é que parem de fazer política em cima da desgraça do nosso povo".

Restrições

De acordo com informações do Governo de Minas Gerais, conforme Deliberação nº 130, de 3 de março de 2021, do Comitê Extraordinário Covid-19, durante a vigência da onda roxa, somente poderão funcionar as seguintes atividades e serviços, e seus respectivos sistemas logísticos de operação e cadeia de abastecimento e fornecimento.

I – setor de saúde, incluindo unidades hospitalares e de atendimento e consultórios;
II – indústria, logística de montagem e de distribuição, e comércio de fármacos, farmácias, drogarias, óticas, materiais clínicos e hospitalares;
III – hipermercados, supermercados, mercados, açougues, peixarias, hortifrutigranjeiros, padarias, quitandas, centros de abastecimento de alimentos, lojas de conveniência, lanchonetes, de água mineral e de alimentos para animais;
IV – produção, distribuição e comercialização de combustíveis e derivados;
V – distribuidoras de gás;
VI – oficinas mecânicas, borracharias, autopeças, concessionárias e revendedoras de veículos automotores de qualquer natureza, inclusive as de máquinas agrícolas e afins;
VII – restaurantes em pontos ou postos de paradas nas rodovias;
VIII – agências bancárias e similares;
IX – cadeia industrial de alimentos;
X – agrossilvipastoris e agroindustriais;
XI – telecomunicação, internet, imprensa, tecnologia da informação e processamento de dados, tais como gestão, desenvolvimento, suporte e manutenção de hardware, software, hospedagem e conectividade;
XII – construção civil;
XIII – setores industriais, desde que relacionados à cadeia produtiva de serviços e produtos essenciais;
XIV – lavanderias;
XV – assistência veterinária e pet shops;
XVI – transporte e entrega de cargas em geral;
XVII – call center;
XVIII – locação de veículos de qualquer natureza, inclusive a de máquinas agrícolas e afins;
XIX – assistência técnica em máquinas, equipamentos, instalações, edificações e atividades correlatas, tais como a de eletricista e bombeiro hidráulico;
XX – controle de pragas e de desinfecção de ambientes;
XXI – atendimento e atuação em emergências ambientais;
XXII – comércio atacadista e varejista de insumos para confecção de equipamentos de proteção individual – EPI e clínico-hospitalares, tais como tecidos, artefatos de tecidos e aviamento;
XXIII – de representação judicial e extrajudicial, assessoria e consultoria jurídicas;
XXIV – relacionados à contabilidade;
XXV – serviços domésticos e de cuidadores e terapeutas;
XXVI – hotelaria, hospedagem, pousadas, motéis e congêneres para uso de trabalhadores de serviços essenciais, como residência ou local para isolamento em caso de suspeita ou confirmação de covid-19;
XXVII – atividades de ensino presencial referentes ao último período ou semestre dos cursos da área de saúde;
XXVIII – transporte privado individual de passageiros, solicitado por aplicativos ou outras plataformas de comunicação em rede.

As atividades e serviços essenciais acima deverão seguir o protocolo sanitário previstos pelo plano Minas Consciente e priorizar o funcionamento interno e a prestação dos serviços na modalidade remota e por entrega de produtos.

As atividades de operacionalização interna dos estabelecimentos comerciais e as atividades comerciais que se realizarem por meio de aplicativos, internet, telefone ou outros instrumentos similares, e de entrega de mercadorias em domicílio ou de retirada em balcão, vedado o consumo no próprio estabelecimento, estão permitidas, desde que respeitados o protocolo citado acima.
(Ascom CM)