SAFRA & NEGÓCIOS

Diretor da Safra & Negócios analisa mercado e possível tendência de preços do café

Por: Nelson de Paula Duarte | Categoria: Arquivo | 13-03-2021 17:53 | 166
Gilson de Souza, diretor da Safra & Negócios
Gilson de Souza, diretor da Safra & Negócios Foto: Arquivo

O diretor da Safra & Negócios, Gilson de Souza, disse que o “mercado busca e precisa de um fato novo para que a tendência de preço do café continue de alta”. O fato novo, segundo ele, está muito mais vinculado a clima, e político-econômico.

Ele analisa que o mercado brasileiro de café em fevereiro e início de março teve momentos agressivos de alta, principalmente focados na questão de oferta e demanda, e uma informação de que o consumo mundial teria possibilidade de crescimento, estaria em curva ascendente, de crescimento, porém não tão inclinada.

“Os estoques deram de cair um pouco nos destinos, principalmente na América do Norte, notadamente nos Estados Unidos, e isso fez com que o preço corresse e tivesse aumento substancial. O mercado saiu dos 124, 125 cents de dólar, chegando próximo a 133, 134 cents”.

Isso, conforme explica, fez com que o preço em Real deslocasse das bases de R$ 600, que estava sendo praticado, e em alguns momentos chegou a ser negociado a R$ 800, a saca do arábica tipo 6.

Fator que também influenciou foi a questão cambial, com o dólar saindo da casa de R$ 5,30  R$ 5,40 chegando à máxima de R$ 5,85 com crises principalmente no exterior, e no Brasil.

“Por último tivemos na semana passada e retrasada, certa possibilidade do ministro Paulo Guedes, da Economia, se demitir, e isso fez com que o mercado ficasse muito especulado.  Depois, na segunda-feira (8/3), uma decisão do STF a respeito do julgamento feito pelo ex juiz Sérgio Moro na “Operação Lava Jato” fez com que o mercado ficasse um pouco nervoso, e que os preços também continuassem, em Real, na faixa de R$ 700, a R$ 800 a saca”, enfatiza Gilson de Souza.

No tocante à tendência de preços daqui para frente, de acordo com o diretor da Safra & Negócios, o mercado precisa de um fato novo. “A questão da safra de 2021 o mercado praticamente já cessou essas informações, e só basta colher o que foi previsto. Todos os ajustes e fluxo já foram sanados pela maioria das empresas, sejam as tradings ou torradores, não muito diferente também, do consumidor. Isso eu diria que já é notícia velha”.

O mercado conforme análise de Gilson busca e precisa de um fato novo  para que a tendência continue de alta, e  o fato novo está muito mais vinculado a clima, e político-econômico. “Não eram previstas essas tendências que estamos passando, isso pode mudar o patamar não apenas do café, mas de todas as commodities, e tirar o nível de preço em que está para patamar até mais alto”, prevê.

“Tecnicamente o mercado continua num canal de alta,   continua respeitando esse movimento,  principalmente porque  o volume de oferta por parte da origem, ou seja do produtor, é resistente. Se esta resistência permanecer, as vendas acontecerem em doses homeopáticas, a tendência continua ascendente. Não veremos o preço explodindo por conta desse movimento. Ele pode explodir, repito, em cima de clima e fatos políticos e econômicos com que, daqui para frente, vamos nos deparar”.

Até o momento vai muito bem a situação da porteira para dentro. O produtor está em estágio de ótimas condições, as lavouras se recuperaram daquele momento crítico pelo qual passaram. As atividades estão em dia, o processo de vegetação e formação dos grãos, em condição normal, dentro do esperado. Até o momento não teremos problema em fazer a colheita de 2021, observa.

Sobre a safra 2022, Gilson aponta  existirem alguns comentários isolados  sobre o que será, porém não é o foco neste momento, até por que outras informações são prioritárias, por exemplo a questão cambial, e a da Covid, de vez que temos mudança no mundo todo a respeito da evolução, apesar de que o processo de vacinação, imunização, vêm acontecendo de forma geral, mas com resultados ainda incertos, no que poderá influir na oferta e demanda.