ELA por ELA

RITA CAPARELLI

Por: Reynaldo Formaggio | Categoria: Entretenimento | 22-03-2021 06:51 | 880
Rita Soares Caparelli
Rita Soares Caparelli Foto: Wilian Jackson

A aquinense Rita Soares Caparelli é uma mulher em constante evolução. Filha de Miguel Caparelli e Mathildes Soares Caparelli, irmã de Miguel Júnior, sua busca a levou a experiências profundas e transformadoras. Graduada em Filosofia, Rita é detentora de um vasto currículo profissional tendo sido professora, funcionária pública concursada e comerciante. Mas é na vida pessoal que ela mergulha fundo e, entre saberes e sabores, enveredou pelo artesanato, aromaterapia, gastronomia, comunicação e inúmeros cursos e práticas de autoconhecimento. Parte de sua trajetória e uma preciosa dica para quem pretende se conhecer melhor, Rita compartilha com o leitor nesta inspiradora entrevista.

Rita, como foi sua infância? Qual a melhor memória que tem dessa época?
Tive uma infância paradoxal, feliz, mas também com dificuldades. Meus pais tinham vida bem modesta e não tínhamos tanto conforto. Mas pra mim era o suficiente. Sou natural de São Tomás de Aquino, vindo a residir em Paraíso em 1966, por transferência de meu pai, Miguel Caparelli, para o Fórum local, onde foi Escrivão por 40 anos. Mas isso não diminuiu minha alegria nas brincadeiras e meninices, própria da idade. Tenho saudades de minha infância sapeca, saudades do tempo que tudo era brincadeira, da pipoca do Sr. Dito Pipoqueiro, do pão de queijo do Sr. Saturnino Padeiro, dos amigos (alguns já partiram), da Rua Tiradentes, das queimadas, esconde-esconde... Se pudesse escolher nomear um sabor pra minha infância seria o doce de leite com amendoim do Bar do Sr. Levindo, na Oliveira Rezende. Memórias que fazem parte da minha história, ainda em construção como pessoa.

Como foi sua trajetória profissional?
Fui aplicadíssima nos estudos, nenhuma bomba (risos). Precoce nos estudos, aos 10 anos me certifiquei no Campos do Amaral; aos 14 anos no Ginasial do Clóvis Salgado; aos 17 na Escola de Comércio São Sebastião. Sonhava em fazer Psicologia, porém as condições de menoridade, financeira e geográfica não me permitiram. Aguardei os dezoito anos e fiz Faculdade de Filosofia, em Passos. Lecionei na extinta Escola de Comércio, na Escola Estadual Paraisense e Clóvis Salgado também. Comecei meu trabalho no Fórum local aos 13 anos, trabalhando no Cartório Eleitoral. Posteriormente prestei o concurso do TJMG, em 1992/93 tomando posse em 1994, permanecendo até 2009, sendo que durantes os últimos 7 anos, atuei junto à Administração do Foro, quando então me aposentei.

Você é uma pessoa espiritualizada e em constante busca por conhecimento pessoal. É uma mulher de fé? Como começou esse caminho?
Sim sou uma mulher de fé. Creio que sou uma velha alma neste planeta e aprendi que ter fé, é acreditar ser possível fazer as coisas acontecerem. Venho de uma criação católica, porém muito cedo descobri em mim a intuição de algo que transcendia a tudo que poderia tocar e daí veio a vontade de buscar o transpessoal. Estudei a Bíblia nos treinamentos – TLC-Treinamento de Liderança Cristã, na Diócese de Guaxupé; encontros vocacionais no extinto Seminário do Sion; fui uma das primeiras integrantes do Movimento Juvenil AFLA, onde nos reuníamos na Cripta da Matriz de São Sebastião, aos domingos, após a missa das 9:30h. Mas não aceitava algumas respostas pra muitas perguntas que fervilhavam em minha mente, indo então estudar as obras de Kardec e me encantei pela precisão e lógica das respostas que as mesmas traziam. Passei então em 1998 a facilitar aulas de estudo espiritual na Casa Espírita Bezerra de Menezes, aos domingos. Paralelamente ao trabalho profissional, fiz inúmeros cursos na área holística, tais como: Formação completa da Universidade da Paz - núcleo de Altinópolis; Biopsicologia transpessoal em Porangaba- SP - Parque Holístico Visão Futuro; Reiki Usui – Magnifield Healing – Karuna Reiki; Apometria Quântica e Geometria Sagrada em São Paulo-SP, entre workshops e vivências das mais variadas nesse segmento, entre leituras de várias obras também no mesmo segmento holístico.

Também ligado ao autoconhecimento você apresenta já há alguns anos o programa “Sinergia” pela Rádio Apar Fm. Como é a experiência?
No ano de 2013 fui convidada pelo Mauro Pimenta, diretor da Apar-FM, por sugestão/indicação da minha saudosa e grande amiga Marilena Westin, para compor o quadro Debates Populares. Logo em seguida iniciei o Programa Sinergia, por incentivo dos mesmos, levando até ao ouvinte temas de autoconhecimento e espiritualidade, estando até a presente data contribuindo como voluntária. A experiência foi e continua sendo riquíssima, pois, ao pesquisar sobre os temas escolhidos ou por sugestão de ouvintes, aprendo muito e cresço ainda mais um pouquinho no conhecimento.

Sempre relacionado à saúde e bem-estar você também desenvolve um trabalho com artesanato criando lindas peças, também aromas e essências, pães e bolos especiais. Segue a filosofia “mens sana in corpore sano”?
Sim. As ações devem estar alinhadas com o pensamento. Artesanato de um modo geral sempre me encantou, desde muito cedo já arranhava uns desenhos do Tio Patinhas, Mickey (risos). Aromas também são muito importantes pra mim, pois eles estão ligados a algumas memórias afetivas, como café coado na hora, bolos que minha mãe fazia... Sempre busquei a saúde da minha espiritualidade e ainda tenho um longo caminho a percorrer, para alinhar os hábitos físicos. Então, estamos buscando mudá-los, adotando uma rotina mais saudável também.

Qual a maior dificuldade ao iniciar a busca do autoconhecimento? O que diria pra quem pretende começar neste caminho?
Ignorância não é pecado, mas se recusar a aprender é. Diria que a maior dificuldade que encontramos é o de estar frente a frente com a gente mesmo, olhar o outro lado sombrio da nossa personalidade, se aceitar com reconhecimento de nossas falhas. Todo processo de autoconhecimento exige coragem e isso sempre dói.

E sobre a família que constituiu? Qual a importância deles pra você?
Família é um bem inestimável. Família é um projeto amoroso e de renúncias. Me casei e tive três filhos: Priscila, Ariane e Glenio. São filhos maravilhosos, cada um com a sua identidade e juntos formamos o nosso núcleo de amor. Hoje eles também já constituíram suas famílias. Tenho cinco netos: Pietro, Clara, Helena, Pedro Arthur e Aieva. Tenho um companheiro, o Dimas Travesso.

Qual a personalidade que mais admira na história da humanidade e por que?
Tenho admiração por muitos, escolhi alguns: Jesus – amor incondicional; Chico Xavier – humildade, Albert Einstein - buscava trazer o absoluto (Deus) para a relatividade; Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) - harmonia entre a fé inabalável e a razão; Fernando Pessoa – um múltiplo que encanta.

O que gosta de fazer nas horas livres?
Ler um bom livro, tomar um café da tarde com amigos.

Você também é Acadêmica Honorária na Academia Paraisense de Cultura. Na sua opinião, o que a APC representa pra cidade e qual a importância da cultura para um povo?
A cultura é um elemento transversal na formação do ser humano e pelo pouco tempo que faço parte percebi que a Academia tem estabelecido um diálogo mais próximo entre os ambientes artísticos, os artistas com seus vários talentos, tirando-os do anonimato e apresentando-os à sociedade, tornando seus trabalhos conhecidos e apreciados.  Quando conhecemos nossa cultura e a mantemos viva na nossa memória, eternizamos quem somos, nossas características, nosso modo de viver. Nada é mais forte como marcador da identidade de um povo do que a cultura em que este mesmo povo se define.

São Sebastião do Paraíso se aproxima do seu bicentenário. O que daria de presente pra nossa cidade?
Parabéns à nossa querida Paraíso. Cidade linda de se ver e viver. Mas no seu aniversário eu daria uma ar-borização abundante, tornando-a ainda mais  agradável, bem como mais opções de lazer e Cultura, tanto para os pequenos quanto para os adultos.

As relações mudaram, a economia foi atingida, muitas vidas foram perdidas e muitos conflitos surgiram. Qual sua visão sobre a pandemia que nos assola?
Estamos vivenciando um caos de incertezas, agitação social, notícias voláteis, informações desencontradas, muito medo. Seria um sistema de controle? Criação de um certo padrão de comportamento? Seria os finais dos tempos que nos fala o Apocalípse de João – separação do joio e do trigo? Não importa se isso ou aquilo, o momento é único em ambos os casos. No meio holístico, diz-se que essa pandemia é o Virus da consciência. Um alerta para uma maior consciência - dentro de nós e do planeta. Embora possa parecer o contrário para a maioria, esse surto evidencia a rapidez com que a consciência já está despertando em todo o mundo. Vejo a pandemia do Coronavírus como um aviso para toda a humanidade: trata-se de despertar o maior número possível de pessoas que ainda estão dormindo. O confronto com a doença e a morte em tão grande escala trazido à consciência pública é uma chance de despertar do profundo sono do espírito na escura estrada do materialismo, de buscar novamente valores espirituais mais elevados. É o momento para aproveitarmos desse isolamento social, para buscar aquele encontro com a gente mesmo. Buscar agir com respeito mútuo, cumprir com as leis e normas indicadas pela Vigilância Sanitária. Este é um momento de redefinição global em todos os aspectos econômicos, políticos, saúde, educação etc.. O vírus durará exatamente o tempo necessário para facilitar as oportunidades de mudança e nem mais um minuto. Acredito também que nosso planeta está em transição, bem como nós como humanidade, e emergiremos a partir destes tempos difíceis, com novas perspectivas, maior clareza. E um sentimento de solidariedade mais apurado. Acalento a esperança em meu coração.

Rita, você se sente realizada? Tem algum sonho que pretende realizar?
Diria que vivo processos de realizações. Dizer que sou realizada é colocar um ponto no propósito, no sonho. Todo dia algo é acrescentado, uma pitada. Viajar a lugares maravilhosos do planeta está na lista. Atravessamos um momento de grandes desafios.