ELA por ELA

BRUNA SILFFER

Por: Reynaldo Formaggio | Categoria: Entretenimento | 03-04-2021 10:08 | 875
Bruna Fernanda da Silva
Bruna Fernanda da Silva Foto: Arquivo Pessoal

Bruna Fernanda da Silva cresceu em meio à exuberante natureza de Termópolis. Filha de Júlio Gonçalves da Silva e Patrícia Paula da Silva, viveu uma infância repleta de brincadeiras e ludicidade ao lado dos irmãos, Iago Gabriel e Iara Geovana. Mas o povoado ficou pequeno e, sem se esquecer de suas raízes, partiu em busca da realização de seus sonhos. Graduada em jornalismo, adotou o nome Bruna Silffer e aos 23 anos já é dona de uma vasta bagagem cultural e profissional. Apresentadora do programa "Casos&Causos" pela TV Sudoeste, Bruna compartilha nesta prazerosa entrevista, parte de sua trajetória, impressões sobre sua profissão e planos para o futuro.

Bruna, como foi sua infância? Qual a melhor memória que tem dessa época?
Fui criança nos anos 2000, então minha infância tem cheiro de gloss de pêssego e como trilha sonora o pop da Kelly Key. Minhas melhores memórias são de brincadeiras de Barbie com direito a roteiro escrito previamente por mim. Eu, Luana, Katrina e Bia passávamos tardes inteiras na varanda de minha casa recriando cenas típicas de novelas e filmes teens da época. Com direito a vilãs malvadas, patricinhas e galãs. Também fui a irmã mais velha, então sempre tive Iago e Iara de cobaias: os alunos da minha escola, os filhos da minha família e assim por diante.

O que Termópolis representa pra você?
Termópolis pra mim é o que Strawberry Fields era pra John Lennon e é o que a Casa no Campo era pra Elis Regina. Ou seja, um refúgio de paz e tranquilidade que tem um caminho direto pra minha infância e adolescência. É lá que moram muitos de meus grandes amores: vô Chico, vó No-êmia, vó Conceição, papai, mamãe, meus irmãos, tios, tias, padrinhos, madrinhas, primos, afilhada e cachorros. É maravilhoso sair na rua e ver figuras conhecidas e cumprimentar todo mundo. Não existe isso na cidade.

Você sempre teve a curiosidade e a comunicação natas?
Eu sempre fui quieta e introspectiva, porém observadora. Papai me deu livros quando eu nem sabia ler e mamãe me contava histórias pra dormir. E falando em minha mãe, ela é uma fada. Sério mesmo, sempre me incentivou e incentiva em tudo. Isso traz confiança para a criança. Na infância, se eu fazia um desenho feio, ela elogiava. Na adolescência ela fazia questão de escutar curiosidades aleatórias sobre os Beatles. Ou seja, se eu tenho a “bagagem” que eu tenho hoje é graças a este incentivo todo de mamãe e papai.

Onde estudou? Destacaria algum professor que te marcou em especial?
Estudei em três escolas diferentes. Até o quinto ano na Municipal de Termópolis, do sexto ao oitavo na Escola Estadual Benedito Ferreira Calafiori, fiz um ano no Paraisense e voltei pro Ditão no Ensino Médio. Sempre fui CDF, então sempre adorei todos os meus professores, sou grata a cada um. Mas vou destacar alguns de cada escola: Tia Claudinha e Beth em Termópolis; o Edson e a Lílian no fundamental do Ditão; Tia Glau no Paraisense e no Ensino médio do Ditão, Zé Luiz me ensinou ter consciência de classe e Cláudia Zanin a paixão por literatura brasileira.

O que a motivou a escolher o Jornalismo como profissão? Onde cursou sua faculdade?
Eu era a criança que sempre foi a narradora dos teatros escolares e apresentadora das festas juninas. Esta menina comunicativa se perdeu na confusão da pré-adolescência, mas se reencontrou no nono ano do Paraisense. Em uma nova escola com uma turma bem mais receptiva, pude me soltar novamente. Fazia questão de ler e apresentar trabalhos na frente de todos. Até então eu queria ser historiadora, até que a Tia Glau de Geografia me falou que eu levava jeito pra rádio e TV. Desde então passei a pensar sobre o assunto. Assim, em 2016 entrei no curso de jornalismo da Universidade do Estado de Minas Gerais, a UEMG de Passos. Me formei em 2019 com direito a nota 10 no TCC.

Como chegou à TV Sudoeste? Quais trabalhos já desempenhou na emissora?
Eu estava no final do primeiro ano do curso de jornalismo quando a TV Sudoeste me abriu as portas. Sou muito grata, afinal a Sudoeste é maravilhosa nisso de dar oportunidades para pessoas jovens e inexperientes. Nem era hora de começar estágio, mas nerd que sou, já queria um. Nesta época eu já sabia editar vídeo, então meu pai falou disso com um amigo bombeiro dele chamado Ricardo que conhecia a Paula Santos -que era produtora do programa “De mulher pra mulher” da Maria Pia - e queria uma equipe só de ‘mujeres’. E assim entrei. Ali também passei pelos núcleos de jornalismo, “Jogo Aberto”, produção de propagandas e agora tenho meu programa.

Como surgiu a ideia para o programa “Casos&Cau-sos”? Como tem sido a receptividade?
O “Casos” é a melhor coisa que me aconteceu na Sudoeste. Um programa só meu que une história e cultura? Perfeito! A ideia surgiu depois do sucesso de uma matéria sobre o triste Caso Zezé Rosa. Assim, o diretor da TV na época, disse que um programa nos moldes daquela matéria seria uma boa. Eu adorei a ideia, depois de um tempo apresentei pra Maria Pia e pra Thaissa, que adoraram também. Assim, nasceu meu filho. É incrível o sucesso que fez. São milhares de visualizações nas redes sociais da TV Sudoeste e pessoas velhinhas que me param na rua para me parabenizar. Até as professoras usam os episódios em aulas!

Na sua opinião, qual o papel do jornalismo nos dias atuais?
São tempos difíceis, estes últimos anos serão destaque nos livros de história daqui um tempo. O jornalismo está aqui pra registrar tudo isso. De preferência de maneira crítica e ética. Além disso, com a popu-larização das mídias sociais, as fakes news ganharam enorme força. Logo, o jornalismo feito de maneira séria, existe para combater este mal também.

A informação não pode parar. A pandemia prejudicou ou alterou o modo de se fazer jornalismo?
Com certeza a pandemia abalou a estrutura do jornalismo como conhecemos e aprendemos na universidade. Principalmente no telejornalismo, que é minha área. Foi necessário cortar o contato olho no olho. Muitas entrevistas passaram a ser por Skype ou por vídeos feitos por celulares. Repórteres de rua trabalhando dentro de casa. Nunca imaginávamos nada disso.

Você apresenta uma grande maturidade para sua idade e, além do comportamento, aprecia um visual “retrô” e demonstra valorizar muito a história passada. Acha que nasceu na época errada?
Espiritualmente me sinto bem mais velha. Sinto que vivi outros tempos. Por outro lado, fico muito feliz em viver nesta época, pois posso ter acesso a todas as músicas, artistas, filmes e estilos de outras épocas. Além disso, sabemos que outras épocas eram maravilhosas desde que você fosse homem, branco e rico. Mas, que eu sonho com viagens no tempo, eu sonho. Principalmente para os anos 1950 e 1960!

Você tem um canal com seu nome no Youtube. Descreva um pouco sobre a proposta dele. O que pensa sobre as novas formas de comunicação?
Eu fui youtuber antes de ser jornalista. Amo internet, produzo conteúdo pra todas as mídias possíveis (Youtube, Facebook, Twitter, Tik Tok e Tumblr). Aliás me sigam: @bsilffer. A internet não é mais o futuro da comunicação, a internet já é a comunicação! E quanto ao Youtube, eu gravo desde 2013, peguei firme em 2015 e nunca mais parei. No momento, meu canal tem como foco casos criminais. Mas também aposto em história, música e nostalgia. Sou muito grata ao que se tornou o meu canal, estou com quase 6 mil inscritos e o vídeo “Lolita da vida real” ultrapassa as 122 mil visualizações. Não são números gigantes, mas pra mim já é maravilhoso.

O que gosta de fazer nas horas livres?
Nas horas livres gosto de ler, no momento estou lendo a série da Anne de Green Gables. Também amo escutar música bem alto e cantar junto. E claro que eu não fiquei fora da modinha do momento: o Tik Tok. Adoro fazer vídeo pra lá, como assistir também.

Nossa cidade completa 200 anos. Que presente daria para Paraíso?
Na festa de 200 anos de Paraiso eu chegaria com um embrulho bem grande enfeitado de ipês amarelos. Dentro teria mais diversão, mais alegria, mais arte, mais igualdade, mais boemia e mais tolerância.

Bruna, ainda muito jovem, você já galgou muitos degraus em sua caminhada. Onde se vê daqui a 20 anos?
No auge dos meus vinte e três anos eu tenho pensado muito nisso. Eu sou uma pessoa muito família, então eu terei a minha própria família. Além disso, terei lançado um romance. Também terei feito algo grande, não sei ao certo o que ainda, mas terei feito. É como canta Caetano Veloso: “De modo que o meu espírito, ganhe um brilho definido. Tempo, tempo, tempo, tempo...”