POLEPOSITION

Espetáculo na pista e show da TV

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 03-04-2021 09:19 | 214
A Band brindou os fãs da F1 com um show de transmissão jamais visto na TV brasileira
A Band brindou os fãs da F1 com um show de transmissão jamais visto na TV brasileira Foto: Divulgação

Por onde começo? A essa hora, todo mundo já viu, ouviu e leu sobre o GP do Bahrein, uma das corridas mais espetaculares dos últimos anos e que marcou a estreia de um novo conceito de transmissão da F1 no Brasil.

Então, vamos a alguns pontos do último final de semana. Começo pela Band que deu um show de cobertura jamais visto na televisão brasileira. Uma pré-hora, ao vivo, com mais de três horas de duração, e a cereja do bolo: o pódio que há muito tempo os fãs não viam, e a extensão da transmissão com comentários por mais algum tempo! 

A Band comemorou o crescimento em 400% de sua audiência com a transmissão do GP do Bahrein, com pico de 6,4 e média de 5,2 pontos de Ibope na Grande São Paulo, ficando com o terceiro lugar, e sempre próxima da vice-liderança no horário. As plataformas digitais da emissora paulista tiveram aumento de 65% de novos usuários. As redes sociais da Band bombaram com 3,2 milhões de novas impressões. 62 mil tweets, sendo que 28 mil deles, inclusive este colunista, usaram a hashtag: ‘F1 na Band’, sem contar o primeiro lugar dos assuntos mais comentados do Twitter, no Brasil.

São números expressivos, e como escreveu o colega jornalista, Américo Teixeira Jr, em suas redes sociais, “a partir de agora, nenhuma emissora poderá apresentar menos do que vimos desde a sexta-feira na tela da Band”. É verdade. Havia uma atmosfera tão irradiante que a estreia da Band foi abençoada com uma grande corrida!

Dito isto, na pista o show foi protagonizado pelas estratégias de Mercedes e Red Bull que provocaram suspense até a bandeirada num duelo de gigantes entre Lewis Hamilton e Max Verstap-pen. Se a Red Bull acreditou que ter o carro mais rápido seria suficiente para derrotar a Mercedes, ficou provado na disputa que só isso não basta quando se tem no cockpit do carro adversário um piloto com a capacidade e o talento de Lewis Hamilton, sem intenção alguma de querer diminuir o trabalho do não menos genial Max Verstappen.

A Red Bull falhou, mas não foi na decisão de manter Verstappen com os pneus médios depois do primeiro pit stop. Isso foi feito porque a equipe guardou apenas um jogo de pneus de composto duro para o holandês, enquanto Hamilton tinha dois jogos novinhos em folha do mesmo pneu, e o composto duro era o que proporcionava melhor desempenho no asfalto abrasivo do Circuito de Sakhir.

Os estrategistas da Red Bull ainda foram primorosos ao mudar a tática para dar a Verstappen a chance de poder atacar Hamilton nas voltas finais e lutar pela vitória da qual ele era o favorito. O problema foi ter ultrapassado Hamilton fora do limite da pista e ter que devolver a posição, e depois não haver mais tempo para uma nova tentativa. Por ironia da Red Bull, a volta a menos que a corrida teve por conta do apagão do carro de Sergio Pérez, na volta de apresentação, acabou sendo a volta que faltou para Verstappen, quem sabe, ultrapassar Hamilton novamente.

Aqui cabe um parêntese: (na reunião do diretor de prova com os pilotos, na sexta-feira, ficou acertado que quem ultrapasse o limite da pista na curva 4 teria o tempo deletado na classificação do sábado, mas poderia colocar as quatro rodas fora do traçado sem punição na corrida desde que não levasse “vantagem duradoura”. Entende-se “vantagem duradoura” a forma como Verstappen ultrapassou Hamilton, fora do traçado).

O inglês por várias vezes contornou a tal curva com as quatro rodas além da linha branca que limita a pista, mas dentro do que havia sido combinado com a direção de prova na sexta-feira. Por isso não foi punido, e no caso de Verstappen, obrigado a devolver a posição. Portanto, apesar de confusa, a regra foi cumprida.

Menções para a corrida de recuperação de Sergio Pérez (5º) depois de largar dos boxes, a boa estreia do japonês Yuki Tsunoda, o 343º piloto a pontuar na F1, e o 65º da história a marcar pontos na estreia. A McLaren saiu na frente na corrida pelo ‘título de melhor do resto’; Fernando Alonso vinha tirando a ferrugem depois de dois anos fora da F1, mas abandonou por superaquecimento dos freios provocado por uma embalagem de chocolates; e por fim, o desastroso recomeço de uma nova era para Sebastian Vettel na Aston Martin.