ÓBITOS x NASCIMENTOS

Cartório registra 1º semestre com mais óbitos e menos nascimentos

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Cidades | 01-08-2021 13:35 | 626
Índice de nascimento foi menor desde o início do período de pandemia em Paraíso
Índice de nascimento foi menor desde o início do período de pandemia em Paraíso Foto: Divulgação

Nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco em um primeiro semestre como em 2021. A pandemia da Covid-19 vem causando um profundo impacto nas estatísticas vitais da população mineira. São Sebastião do Paraíso faz parte deste contexto onde os registros de falecimentos têm crescimento expressivo, e a diferença dos registros de todo ano de 2020 para os primeiros seis meses de 2021, é de apenas 145 casos.

Além das mais de 50 mil vítimas fatais atingidas pela doença, o novo coronavírus vem alterando a demografia de uma forma nunca vista desde o início, em 2003, da série histórica dos dados estatísticos dos Cartórios de Registro Civil de Minas Gerais. De acordo com o levantamento, desde o início da pandemia em 16 de março do ano passado o estado registrou 53.394 mortes com números contabilizados até o meio dia da quinta-feira,29 de julho. Em Paraíso, em 2020 foram 50 vítimas de corona-vírus ano passado e agora em sete meses de 2021, este número já alcança a casa dos 250 óbitos, um aumento de cinco vezes.

Um levantamento realizado pela reportagem foi apurado que neste ano em Paraíso, foram registrados 467 nascimentos, 135 casamentos e 511 óbitos, até a data de 23 de julho. Em 2020, foram 874 nascimentos, 226 casamentos e 594 óbitos. Antes da pandemia a cidade registrou 978 nascimentos, 318 casamentos e 556 óbitos em 2019.

No ano anterior, 2018, foram 965 nascimentos, 308 casamentos e 548 mortes. Abril de 2018 foi o mês com maior quantidade de nascidos,114, enquanto que janeiro deste ano foi o menor com apenas 52 nascimentos. Quanto aos óbitos janeiro de 2021, foi o maior com 93 casos e março de 2018, o menor com apenas 38 ocorrências.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia. registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País.

O sitio é administrado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

O Jornal do Sudoeste também fez uma consulta direta ao Cartório de Registro Civil de Paraíso que também apresentou informações sobre nascidos e falecidos. Pelo levantamento apresentado, em 2020 foram registrados em 2020, 866 nascimentos. Neste ano, no período de janeiro a junho foram 411 nascidos, sendo que em julho até o dia 28, somaram-se 52 nascimentos. Entre os falecidos, 2020, somou 585 óbitos e nos primeiros seis meses deste ano 400 casos, sendo que até em 28 de julho ocorreram mais 74 mortes.

A reportagem obteve ainda informações em separado sobre os casos de mortes por Covid-19 de Paraíso. O primeiro caso registrado após a decretação da pandemia em março de 2020, ocorreu em 14 de abril do ano passado. Até o final de 2020, ocorreram ainda outros 49 falecimentos atribuídos à doença. Já neste ano o total de mortes praticamente quintuplicou e estava em 249 ocorrências, conforme o boletim epidemiológico divulgado na quarta-feira, 28 de julho.

O dia 13 de janeiro foi o que teve a maior quantidade de mortes com sete casos. Depois aparecem os dias 8 de outubro, 15 de novembro de 2020; 31 de março e seis de abril de 2021, que tiveram cinco ocorrências cada. 

Crescimento x Redução
Em números absolutos os cartórios mineiros registraram 103.181 óbitos até o final do mês de junho. O número, que já é o maior da história em um primeiro semestre, é 70,8% maior que a média histórica de óbitos no Estado, e 54,6% maior que os ocorridos no ano passado, com a pandemia já instalada há quatro meses no Estado. Já com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o aumento no número de mortes foi de 59,4%.

Com relação aos nascimentos, Minas Gerais registrou o menor número de nascidos vivos em um primeiro semestre desde o início da série histórica em 2003. Até o final do mês de junho foram registrados 125.736 nascimentos, número 8,9% menor que a média de nascidos no Estado desde 2003, e 2,64% menor que no ano passado. Com relação à 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o número de nascimentos caiu 6,76% em Minas Gerais.

O resultado da equação entre o maior número de óbitos da série histórica em um primeiro semestre versus o menor número de nascimentos da série no mesmo período é o menor crescimento vegetativo da população em um semestre no Estado, aproximando-se, como nunca antes, o número de nascimentos do número de óbitos. A diferença entre nascimentos e óbitos que sempre esteve na média de 77.605 mil nascimentos a mais, caiu para apenas 22.555 mil em 2021, uma redução de 70,9% na variação em relação à média histórica. Em relação a 2020, a queda foi de 63,8%, e em relação a 2019 foi de 67,8%.

“O Portal da Transparência vem sendo usado por toda a sociedade para ter um retrato fiel do que tem acontecido no Estado neste momento de pandemia”, explica Gustavo Renato Fiscarelli, presidente da Arpen-Brasil. “Os números mostram claramente os impactos da doença em nossa sociedade e possibilitam que os gestores públicos possam planejar as diversas políticas sociais com base nos dados compilados pelos Cartórios”, completa.