FINANCIAMENTOS

Pedida a suspensão das parcelas de financiamentos para os cafeicultores

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Agricultura | 14-08-2021 14:35 | 283
Representantes dos produtores do café durante reunião com a ministra da Agricultura Tereza Cristina
Representantes dos produtores do café durante reunião com a ministra da Agricultura Tereza Cristina Foto: Carlos Silva/Mapa

Após a reunião de lideranças representantes do setor produtivo do café, com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na quinta-feira,12, o governador Romeu Zema pediu à União, na sexta-feira,13, apoio e suspensão das parcelas de financiamentos para cafeicultores mineiros atingidos pelas geadas há 20 dias.

A ministra sinalizou que o setor contará com ajuda de R$ 1,35 bilhão do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para financiar o custeio da produção. A medida foi elogiada pelo deputado estadual Antônio Carlos Arantes, que enfatizou que antes de político ele também é produtor rural.

O governador Romeu Zema e a secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abaste-cimento, Ana Valentini, entregaram, para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ofício com as demandas para apoio aos cafeicultores mineiros afetados pela geada que atingiu o estado no mês passado e as ações já conduzidas pelo Governo de Minas.  A entrega do documento foi em Brasília.

Após o encontro, o governador explicou que o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) se comprometeu a destinar R$ 1,35 bilhão do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) aos produtores afetados pela geada. “O Banco do Brasil também reservará um montante para atender ao setor. Além disso, o Governo de Minas dará todo suporte aos laudos para que os produtores recebam os seguros”, afirmou.

O Mapa trabalhará a parte técnica, como a definição dos juros, número de parcelas e carência. Segunda a secretária, cada produtor precisa de uma modalidade de financiamento.

Também foi feito um pedido em relação aos investimentos realizados pelo produtor, sobretudo no setor de maquinário. “Para aqueles produtores com dívidas com vencimento de curto prazo, e que perderam a lavoura, o pedido é que essas parcelas sejam suspensas e alongadas para o final do financiamento”, explicou Ana Valentini.

Ainda de acordo com a secretária, as demandas apresentadas são resultado de uma construção coletiva, liderada pelo Sistema Estadual da Agricultura em prol do atendimento e socorro aos produtores atingidos pela geada.

 

Crédito e custeio

Em relação às demandas de crédito e custeio, foram solicitadas a redução da taxa de juros (inclusive do Funcafé) para o custeio da safra 2021/2022 e a liberação de linha específica de crédito para recuperação das lavouras danificadas, com carência mínima de três anos e mais sete anos para pagamento, dependendo da intensidade apontada nos laudos e a ampliação do acesso ao crédito aos produtores atingidos pela geada.

Os produtores também solicitam liberação de crédito para outras lavouras anuais ou atividades pecuárias, que permitam retorno financeiro rápido para os anos 2021/2022, além do alongamento dos prazos de pagamentos das parcelas de investimento, suspendendo as parcelas dos próximos três anos e a postergação para o final do contrato vigente. Outro ponto abordado no documento é a necessidade de criação de nova modalidade de seguro rural que contemple, com prêmio subsidiado pela União, a cobertura dos prejuízos com a recuperação das áreas atingidas, a perda da produção atual causada pela geada e também as perdas de produção das safras que seriam colhidas nos anos 2022 e 2023.

A negociação de apoio de fundos nacionais e internacionais para recuperação da cafeicultura, principalmente para os agricultores familiares, com recursos a fundo perdido, também está entre as demandas apresentadas, além da liberação de crédito para cooperativas e revendas de insumos para fazer frente à possibilidade de produtores não conseguirem honrar compromissos firmados para contratos nas safras a serem colhidas nos dois próximos anos.

 

Reuniões

Ainda na quarta-feira,11, o deputado Antônio Carlos Arantes e o presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles tiveram reunião em Brasília com a ministra da Agricultura Tereza Cristina e com o Secretário Executivo do Ministério, Marcos Montes. Eles cobraram agilidade, ações rápidas e efetivas para a situação alarmante enfrentada pelos cafeicultores. “É sempre bom lembrar que estou deputado, mas sou produtor rural e conheço na pele o que enfrenta o homem do campo que teve sua lavoura atingida pelas geadas, disse Arantes.

Ele lembrou que desde que as geadas aconteceram, foram realizadas diversas ações em defesa dos produtores. “Visitei lavouras atingidas; participei do encontro em Alfenas com a Ministra Tereza Cristina; fiz reuniões no Banco do Brasil e na Emater buscando soluções de crédito; realizei audiência pública na Assembleia para tratar do assunto e agora estou em Brasília e não vou parar até que as demandas dos produtores sejam atendidas, enumera.

Por sua vez Carlos Melles destaca que o estrago que as geadas provocaram nas regiões produtoras de café, com prejuízos aos produtores e também aos pequenos negócios, que já sofrem com a pandemia tem motivado seguidas reuniões com representantes do Governo Federal. Na reunião no meio de semana participaram prefeitos e representantes de oito municípios atingidos. “Além da questão das geadas, reforçamos a solicitação para viabilização dos pedidos das prefeituras que estão formalizados junto ao Ministério”, finalizou.

Ministra sinalizou que setor contará com ajuda do Funcafé para financiar o custeio da produção