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Imperial Presentes desde 1973 uma referência no comércio paraisense

Por: Nelson de Paula Duarte | Categoria: Cidades | 11-09-2021 22:29 | 954
Nilson Campi
Nilson Campi Foto: Nelson Duarte

Nilson Campi, descendente de italianos, família de agricultores e pecuaristas, é proprietário da Imperial Presentes, empresa que abriu as portas em 16 de abril de 1973 na rua Coronel Francisco Adolfo, 28, área central de São Sebastião do Paraíso. Cinco anos depois foi para seu tradicional endereço, na rua Padre Benatti, 1184. “A Imperial Presentes se tornou nome forte, todos conhecem e estamos há 43 anos neste local. Ponto comercial central, mas escondido, no entanto nossa clientela cresce. Continuamos sempre firmes no mercado”, diz Nilson Campi.

Quando criança, conforme conta, ele foi com o seu pai a uma farmácia. Encantou-se com as bobinas de papel que ficavam sobre o balcão, usadas para embalar os produtos. Num primeiro momento ocorreu-lhe o pensamento como era feito para que ficassem tão bem enroladas. “E hoje, nesses anos todos de comércio, não tenho ideia de quantas bobinas desenrolei”, disse, ao lembrar que há mais de 60 anos trabalha no comércio paraisense.

Começou aos 12 anos na loja de senhor Adolfo Biava, esquina das ruas Pimenta de Pádua com Soares Neto Depois  trabalhou no Lar Moderno (de Geraldo Ferreira e Jair Fidelis Marques), quando ainda era na Praça Comendador José Honório, um casarão ao lado do fórum, local onde atualmente é a agência do Banco do Brasil.  Depois foi trabalhar com Geraldinho Feliciano com quem disse ter aprendido muito, e se tornou seu grande amigo. “Com aquela calma dele, me ensinou comprar, marcar”.  Voltou para o Lar Moderno, já na confluência da rua Soares Neto com Dr. Placidino Brigagão, onde permaneceu por quatorze anos.

Foi em 1972 que Nilson Campi “começou a trabalhar por conta própria”, quando em sociedade com Moacir de Pádua montaram a loja Miveste (rua Coronel Francisco Adolfo). No seu ponto de vista, atualmente as condições para alguém se estabelecer são melhores, mais favoráveis que na época em que começaram. “Não tínhamos capital. Comecei com o dinheiro recebido de meu Fundo de Garantia, que era uma mixaria. Eu e Moacir ficamos mais de um ano sem fazer retiradas, apenas pequenos valores”, lembra.

Depois de um ano, Nilson deixou a Miveste e associou-se à Imperial Presentes que teve suas atividades iniciadas em 16 de abril de 1973 (rua Coronel Francisco Adolfo, 28). Integrou-se a outros cinco sócios, Geraldo Marques de Paula, Geraldo Dutra de Pádua, Joaquim Goulart, Sebastião Quirino Borges, Sebastião Marques de Paula.

Loja com produtos diversificados, desde 1978 na rua Padre Benatti, Nilson Campi afirma que com o passar dos anos permaneceram ele e Geraldo Dutra, sociedade que durou trinta e três anos. “Geraldinho faleceu em 2002 e por mais dez anos sua filha Sílvia Dutra de Pádua foi minha sócia”.

Sobre o crescimento da empresa, diz ter sido “passo a passo, sempre trabalhando corretamente. Nosso maior patrimônio é o consumidor, e graças a Deus e aos nossos fregueses nos dando “aquela força”, conseguimos superar momentos difíceis”.

Lembra que no início da Imperial Presentes, eram poucos concorrentes. “No nosso caso apenas o Lar Moderno. Hoje é diferente”. Observa que “Paraíso é um mistério não temos indústria e o comércio continua fluindo. Na atual crise que em outras cidades houve demissos, o comércio praticamente não foi afetado porque nossa economia é baseada em sua maior parte na cafeicultura. Há 30 anos Paraíso dependia somente da lavoura”.

Período muito bom para a empresa conforme lembra, foi entre 1975 a 1985. “Chegamos ter doze funcionários, época que vendemos demais. Depois veio a inflação que era coisa de louco, cedo um preço à tarde outro. Não gosto nem de ouvir esta palavra. Foi terrível para o comércio e para consumidores”.

A diversificação na linha de produtos oferecidos ao consumidor foi decisiva. “Quando montamos a loja cheguei ir duas vezes por semana a São Paulo, de ônibus, adquirir produtos. Fiz isso demais. Ia às ruas José Paulino, Oriente, à 25 de Março tudo à pé. Eu passava três, quatro dias comprando mercadorias e as deixava em um hotel onde eu me hospedava, próximo à rodoviária onde sempre havia carregadores.  Dois três bagageiros vinham cheios. E não tinha calculadora para marcar as mercadorias. Era papel e caneta”, diz Nilson Campi.

A venda de confecções foi de grande importância na história da Imperial Presentes. “O Geraldinho era bancário e foi trabalhar em uma cidade que havia indústria de confecções, e começamos comprar blusa de frio, e vendemos muitas. Tínhamos confecções para montar quatro lojas, sem mexer no estoque”.

Volumes muito expressivos de venda também ocorreram quando começaram chegar ao país relógios automáticos das marcas Orient, Seiko, Technos, Mondaine. “Chegamos vender 500 relógios por mês, e o mesmo aconteceu em relação às bicicletas Monark e Caloi, quando foram vendidas em um mês mais de mil unidades”, conta.

Comparando, Nilson Campi avalia que com o correr dos anos comerciantes passaram a ter mais facilidades para efetivar as vendas. Cita como exemplo o sistema de cartões de crédito utilizados por clientes, que em sua opinião, “foi a salvação do comércio”.

“Antes dos cartões sofremos demais, porque não tínhamos dinheiro para bancar o crediário em maior volume. Era feita uma ficha, marcávamos e o freguês pagava mensalmente, por sinal eram muito corretos. Outro sistema era com cheques pré-datados. Mas crediário próprio tinha também seu lado bom porque clientes vinham efetuar os pagamentos e sempre adquiriam algum produto”, enfatiza.

A informática proporcionou outros benefícios, como o difícil controle de estoque que era todo manual. “Você tem tudo na mão. Para fazer pedidos, anteriormente eram enviados dados cadastrais para os fornecedores e demorava-se até sessenta dias para serem liberadas as compras. O sistema de pagamento é ágil, e também o sistema de cupom fiscal foi um avanço”, salienta.

Se hoje os preços de equipamentos de informática são acessíveis, Nilson Campi lembra que para adquirir para a Imperial Presentes o primeiro computador que era muito caro, seu sócio Geraldinho Dutra vendeu um lote de terreno na avenida Afonso Pena, no Jardim Coolapa.

Com a experiência e bagagem de empresário bem sucedido, ele afirma que “o retorno financeiro de uma loja é semelhante ao de uma lavoura que é plantada e leva algum tempo para produzir. É passo a passo, a estrutura tem que ser boa desde o começo”.

Diz da importância de haver em São Sebastião do Paraíso uma Associação Comercial e Industrial atuante. “Se você tem algum problema eles resolvem, a ACISSP está funcionando muito bem, o SPC sempre foi nossa fonte de consulta”.

Comerciante exemplar, Nilson Campi nesses quarenta e oito anos de Imperial Presentes tem atendido algumas gerações de clientes. Alguns deles, crianças acompanhavam seus pais, (algumas meninas choravam querendo bonecas), e hoje, não raras vezes vão acompanhadas de seus netos.

Aos 74 anos de idade, dos quais 60 no comércio, 48 somente na Imperial Presentes, Nilson Campi afirma “não estar cansado”, pois “se sente bem e descansa trabalhando”, mas diminuiu um pouco suas atividades junto à empresa.