ÁGUA

População de Paraíso sofre há quatro dias com o desabastecimento de água

Moradores tiveram de apelas para o costume antigo de pegar água da mina até para beber
Por: Roberto Nogueira | Categoria: Cidades | 14-09-2021 09:28 | 758
Diversas pessoas foram buscar água nas minas, dizendo que estava melhor do que a ofertada quando tinha
Diversas pessoas foram buscar água nas minas, dizendo que estava melhor do que a ofertada quando tinha Foto: Roberto Nogueira

Moradores de alguns bairros em São Sebastião do Paraíso amanheceram na segunda-feira,13, com o quarto dia sem nenhuma gota de água na torneira de suas casas. As reclamações surgiam nas redes sociais de vários pontos diferentes da cidade, com pessoas desesperadas, inclusive com relatos de quem se quer tinha um copo de água para beber. De outras regiões da cidade de onde o abastecimento foi normalizado as queixas são em relação a qualidade do produto que estava chegando em tom amarelado e ainda com forte cheiro e gosto de fumaça.

A Copasa responsável pelo tratamento da água informa que fez os reparos na estação de captação e que estava trabalhando para normalizar o serviço ainda neste dia, em todos os bairros atendidos.

Desde a noite de quinta-feira,9, após a ocorrência de uma “chuva negra”, - resultado da chegada da fumaça das queimadas que se junta a alta carga de poluição atmosférica – que os moradores começaram a reclamar da falta de água em suas casas.

A Copasa informou inicialmente que a queda de uma árvore na rede elétrica fez com que as bombas que fazem a sucção de água no rio Santana parassem de funcionar. Apesar dos esforços dos funcionários para a manutenção o problema somente foi solucionado na manhã do sábado,11. Ainda assim a informação era de que o abastecimento somente seria normalizado posteriormente com o enchimento dos reservatórios que atendem as partes mais altas da cidade.

No entanto, o caos já estava estabelecido, uma vez que os moradores estavam com os quintais e suas casas sujas e o consumo era grande, com muitas pessoas utilizando a água que chegava para lavar as residências.

Desta forma o produto não chegava aos locais mais distantes. Ainda assim, as reclamações foram grandes já que o líquido que chegava nas torneiras estava sujo e com forte cheiro de fumaça. “Não sabemos se tem condições de consumo, tem um gosto estranho de fumaça”, reclama a dona de casa Maria Ângela Martins, moradora no Jardim Bernadete.

Também no mesmo sábado foi grande a procura por água mineral no comércio e o produto acabou ficando escasso nas prateleiras dos supermercados, adegas e distribuidores. “Procurei em vários lugares, porque temos uma criança pequena em casa, não tínhamos água nem para beber”, comenta a vendedora Silvana de Assis Ferreira, moradora do Jardim São José.

Para piorar nos poucos locais em que se encontrava um galão de água os preços foram aumentados e muita gente desistiu de comprar por não concordar com a situação. “Onde já se viu tem gente explorando querendo ganhar muito e lucrar em cima da gente”, protestou o auxiliar de serviço geral Anderson Costa.

Por outro lado, muita gente começou a ir buscar água nas minas em diversos pontos do município. “Infelizmente não tem outro jeito, minha cozinha está suja, não tem água nem para dar descarga no banheiro, imagina a situação”, relatou Maria Ozélia Oliveira, moradora do bairro Santa Tereza.

“Meu marido sabia deste lugar é o que vai nos ajudar em casa pelo menos para lavar a louça que desde ontem está suja lá em casa”, comentou a dona de casa Juliana Moura, enquanto esperava sua vez de pegar água em uma das minas do Jardim Canadá. “Fiquei sabendo que em outros lugares a fila está enorme, até naquela que vai para Jacuí tinha fila de espera com 50 pessoas”, conta o aposentado José Geraldo Souza, residente no bairro São Judas.

Providências
Enquanto a população penava e muitos reclamavam em todos os lugares desde os encontros nas esquinas, nos estabelecimentos comerciais e nos encontros com amigos e familiares, nas redes sociais vereadores tentavam mobilização para a tomada de providências contra a Copasa.

Vinício Scarano Pedroso (Solidariedade) fez boletins de ocorrências e promete que irá acionar a ARSAE (Agência Reguladora dos Serviços de Água e Esgoto). “Precisamos estar munidos de documentos para fazer a coisa certa, não podemos mais aceitar este tipo de situação”, protestou.

O presidente da Câmara, Lisandro José Monteiro, postou um vídeo de dentro da área de captação da Copasa onde demonstrou sua indignação. “Ontem disseram que tinham solucionado, mas as pessoas estão sem água em casa. Aqui as bombas estão funcionando, então tem de ter água, só que em muitos lugares as torneiras estão secas e aonde chega, a água está cheirando mal e em muitos lugares até suja. Isso não vai ficar assim”, disse. Ele afirmou que mais uma vez fará denúncia ao Ministério Público contra a Copasa.

O prefeito Marcelo Morais em programa na Rádio da Família na manhã desta segunda-feira também afirmou que tomará providências enérgicas em relação à Copasa.

Ainda no domingo,12, a Copasa divulgou um informe em que anunciava que a situação do abastecimento em São Sebastião do Paraíso estava em processo de normalização. “A Companhia esclarece que os reservatórios estão cheios e as equipes da empresa permanecem mobilizadas para restabelecer o fornecimento de água para todos os moradores. A Copasa ressalta ainda que o abastecimento ficou prejudicado desde a última quinta-feira (09/09), quando foi registrado um alto consumo de água em função da chuva de fuligem, causada pelo incêndio”, diz a nota.

A empresa conclui pedindo para que os moradores economizem no consumo e evite o desperdício de água. “Neste momento, a Copasa pede a compreensão da população quanto ao uso racional e recomenda: consumir sem desperdiçar, é garantir o acesso à água para todos”, finaliza o comunicado.