PARAÍSO 200 ANOS

Cidade dos Ipês completa 200 anos de pujança e lutas

Por: Redação | Categoria: Cidades | 25-10-2021 06:00 | 292
Foto: Roberto Nogueira

Luciene Garcia

*Especial para o Jornal do Sudoeste

“Ó! Paraíso, terra estremecida,
Que vive sempre em nosso coração,
Tu és o bem maior de nossa vida,
Celeste luz de nossa inspiração,
Teu doce nome que nos ilumina,
Traduz, cantando a glória batismal,
Que sintetiza o amor que nos anima
E nos transporta em busca do ideal”. 

Assim diz a primeira parte do Hino a Paraíso, com letra do professor Ary de Lima e música do Maestro Aniceto Matti. “Teu doce nome que nos ilumina”. Essa frase quer dizer que São Sebastião do Paraíso, ah, vamos deixar como todo mundo chama, Paraíso, um convite ao bem-estar e de estar bem em um lugar. Vamos voltar no tempo. O ambiente era encantador; dois compadres contemplavam o horizonte. Antônio Soares quebra o silêncio proferindo estas palavras, que geração após geração são repetidas: “Compadre Antunes Maciel, isto aqui é um Paraíso, aqui deverá ser construída a Capela”.

Sim, tens razão, isto aqui é um Paraíso!”. Estava assestado o lugar adequado, faltava à oficialização que efetivou sob a pena do tabelião Pedro José Correia de Jesus. A cópia autenticada deste termo encontra-se no arquivo do Escritório da Santa Casa de Misericórdia local.

Dentro de pouco tempo estava construída a capela, inicialmente de sapé, logo substituída por uma mais ampla, de alvenaria. Casas, a princípio modestas e acanhadas foram se alinhando ao redor do novo ponto de convergência dos moradores da região.

A Capela de São Sebastião, formando um largo que se tornou pouso obrigatório para os viajantes que vinham e iam para São Paulo/SP, Jacuí/MG e demais povoados sul mineiros. O lago, do atual Parque da Lagoinha, servia de repasto para as tropas sedentas e carregadas de mercadorias. Terra progressista, que aceita e acata quem nela chega, quem vive nela oferecendo o doce sabor do Paraíso.

Paraíso chega aos 200 anos com muitas glórias, com a sua brava gente a lutar por dias melhores, como uma referência em cidadania, como exemplo de progresso e espelho de fé. Somos 71.915 habitantes, temos área de 822,295 km², temos como principais rios Ribeirão Fundo, Ribeirão São Domingos e Rio Santana e somos da Bacia do Rio Grande.

Tradicionalmente ligada ao campo, nos últimos anos a economia do município tem migrado também no setor de serviços, comércio e indústria. No setor agropecuário destacam-se a produção cafeeira, responsável por boa parte da produção nacional de cafés finos, produção esta que chega a 78% do café produzido no município e exportado para os países de maior  exigência em qualidade como Japão e Itália. Ainda neste setor também se destaca a produção de leite, a fruticultura, de grãos e outros.

No setor de saúde Paraíso abriga um Hospital Regional, a centenária Santa Casa de Misericórdia, além de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e dezenas de Unidades de Saúde da Família. Na parte educacional, oferece vários cursos superiores e técnicos que atraem estudantes de toda a região.

Também funcionam em nossa cidade na área do Poder Judiciário, quatro varas da Justiça estadual, uma da Justiça do Trabalho e uma da Justiça Federal, o que gera uma forte demanda de profissionais da área e serviços indiretos.

O comércio paraisense oferece uma gama diversificada de empresas que atraem compradores das cidades circunvi-zinhas interessados nos mais variados produtos e preços convidativos. Nos últimos anos São Sebastião do Paraíso tem se destacado como pólo industrial principalmente nos setores de material cirúrgico, confecção (principalmente lingerie e couros), desde curtumes até as fábricas de calçados, empregando muitas pessoas que geram desenvolvimento maior do nosso comércio.

Em 2015, os alunos dos anos iniciais da rede pública da cidade tiveram nota média de 6.9 no IDEB. Para os alunos dos anos finais, essa nota foi de 5.2. Na comparação com cidades do mesmo estado, a nota dos alunos dos anos iniciais colocava esta cidade na posição 53 de 853. Considerando a nota dos alunos dos anos finais, a posição passava a 107 de 853. A taxa de escolarização (para pessoas de 6 a 14 anos) foi de 97.8 em 2010. Isso posicionava o município na posição 395 de 853 dentre as cidades do estado e na posição 2,411 de 5.570 dentre as cidades do Brasil.

A taxa de mortalidade infantil média na cidade é de 16.39 para 1.000 nascidos vivos. As internações devido a diarreias são de 0.1 para cada 1.000 habitantes. Comparado com todos os municípios do estado, fica nas posições 251 de 853 e 658 de 853, respectivamente. Quando comparado a cidades do Brasil todo, essas posições são de 1.763 de 5.570 e 4.734 de 5570, respectivamente.

Apresenta 97.4% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 79.6% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 15.1% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio). Quando comparado com os outros municípios do estado, fica na posição sétima de 853, 218 de 853 e 514 de 853, respectivamente. Já quando comparado a outras cidades do Brasil, sua posição é 95 de 5.570, 2427 de 5.570 e 2284 de 5.570, respectivamente.

 

História

Mas nada disso seria possível sem a luta dos desbravadores. Com a corrida provocada pela descoberta de minas de ouro no sul do Estado de Minas Gerais, isto no final do século XVIII, surgiu Jacuí (1750), cidade Mãe de todas as cidades da região.

Com o declínio da mineração, cujos vestígios ainda podem ser vistos, nos limites do perímetro urbano desta cidade, seus moradores foram se dedicando tanto à agricultura quanto à pecuária, numa adaptação natural. Daí surgiram inúmeras fazendas, e dentre essas, a “Fazenda da Serra”, de propriedade da abastada família Antunes Maciel, constituída de descendentes de destemidos sertanistas e minerados, ora transformados em conceituados criadores de gado.

Paralelamente à expansão do café da região de Campinas/SP para o oeste paulista, impulsionou a cafeicultura em Ribeirão Preto/SP e toda a região. Esta proximidade com a zona cafeicultora paulista e a vocação agrícola, fez de Paraíso uma das maiores produtoras de café do estado, chegando a colher, no final do século XIX, doze milhões de sacas anuais. Participar do surto cafeeiro do Segundo Reinado fez com que a cidade fosse beneficiada com a vinda das primeiras levas de imigrantes que chegavam aqui ainda em carros de boi, depois de desembarcar na última estação da Cia. Ferroviária São Paulo e Minas, em Mococa/SP.

Ainda em 1870, já temos crianças de pais Italianos registradas no Cartório Local. As primeiras estações de trem, no entanto, só chegaram em 1910, apesar de preencherem desde 1901 as atas da Câmara dos Vereadores. O Distrito foi criado em 18 de Maio de 1855, pela lei n.º 714.

A Vila foi criada em 13 de Setembro de 1870, pela lei n.º 1641.

A família Maciel fez com que Antônio Antunes e os demais parentes doassem, a 25 de outubro de 1821, uma sorte de terra de cinco alqueires, para a edificação da capela e patrimônio a São Sebastião, que se constituiu um ponto de partida para a formação de um povoado que, num crescente tomou aspecto de Vila, até se transformar na crescente e pujante Cidade dos Ipês, da atualidade.

O comércio e intercâmbio com os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo foram intensificados através da propaganda e trabalho dos mercadores e mascates ao alardearem a beleza impressionante destas paragens, a exuberância e a qualidade do solo, a suavidade do clima, rincões cobertos de extensas matas, de ótimas aguadas e nascentes, algumas termominerais, escarpas ondulantes, que provocaram a cobiça e o interesse dos pecuaristas e agricultores de outras bandas que para ali foram chegando e dilatando os limites da respeitável Vila Paraisense.

Deste fluxo dinamizador, composto de forasteiros de todas as camadas sociais, resultou emancipação político-administrativa, uma melhoria intelectual, comercial e social de São Sebastião do Paraíso, que já ansiava pela sua emancipação político-administrativa.

E esta veio com a lei Provincial n.º 2042, de 1o de Dezembro de 1873, que a elevou à condição de cidade, sede de um vasto município, reconhecimento do Governo Provincial do Dr. Venâncio José Oliveira Lisboa, do franco desenvolvimento e da influência liderativa da cidade dedicada a São Sebastião. Na ocasião, era composto o município pelos distritos de São Sebastião do Paraíso (sede), Espírito Santo da Prata, Peixoto e São Tomás de Aquino-MG. Atualmente é composto pelos distritos: São Sebastião do Paraíso (sede) e Guardinha.

Eis que depararam com uma campina verdejante, ornada com alguns Ipês e uma fonte de água cristalina. Caía a tarde de 21 de Outubro... raios solares eram filtrados por coloridas nuvens que restaram da chuva que caíra horas antes.

Jacuí crescia e igualmente aumentava a população do novo povoado que já em 1845 recebe a visita do Padre Antônio Bento da Costa (Livro de Batizado n.º1), da Igreja Matriz de São Sebastião.

Em 1853, um grande passo é dado tendo em vista a emancipação administrativa paraisense.

Dom Antônio Joaquim de Melo, Bispo de São Paulo, “cura” a capela de São Sebastião, o que vale dizer que religiosamente já não dependiam de Jacuí.

No Livro de Batizados da Igreja Matriz de São Sebastião do Paraíso, encontramos os membros da família Antunes Maciel, ora batizando seus filhos, ora servindo como testemunhas.

Por isso, paraisenses presentes e ausentes, comemorem e agradeçam cada palmo do chão que pisas porque, estejas certo, recebe os seus pés com carinho, gratidão e esperança!