PARAÍSO 200 ANOS

A história do centro de São Sebastião do Paraíso vista atrás de um balcão

Ao longo de 50 anos de atividades comerciais no centro da cidade, Milton Delfante foi testemunha viva de grandes transformações que marcaram a história de Paraíso.
Por: Redação | Categoria: Cidades | 25-10-2021 05:12 | 646
Foto: Arquivo Pessoal

Nascido em 1947 em São Sebastião do Paraíso o senhor Milton Delfante viu a transformação acontecer diariamente durante cerca de 50 anos no centro da cidade. Bancos, comércios, hotéis, cinemas e até mesmo a praça da matriz passaram por mudanças marcantes e que mostram como o comércio movimentou uma das áreas mais valorizadas da cidade.

Milton Delfante começou a trabalhar no comércio aos 12 anos de idade. Começou na Casa Jamil, estabelecimento que ficava na rua Pimenta de Pádua. Passou ainda pela Casa Primavera, onde hoje é o Cine A, depois pela Casa Dois Irmãos (atualmente Castro Modas) e a loja A Maioral Confecções, que funcionava onde hoje é a Desfile Calçados. Em 1978 ele abriu sua própria loja, a Milton Confecções, que funcionava na rua Coronel Francisco Adolfo, número 19. Até que em 1985 mudou de ramo e abriu um Bar e Pastelaria do Milton.

O estabelecimento comercial funcionou até meados de 1983 quando ele se aposentou. Pouco depois prestou concurso para a Guarda Municipal de Paraíso no qual foi aprovado e trabalha até hoje. “Já estou me preparando para me aposentar da Guarda. Já cumpri meu papel junto à instituição”, analisou Milton Delfante.

Ao longo de todo esse tempo mudanças e transformações foram testemunhadas por ele. Bancos e comércios que deixaram de existir, a abertura e o encerramento das atividades do Cine São Sebastião e a reforma da Praça da Matriz são lembranças sempre comentadas por este senhor que é um entusiasta e apaixonado pela cidade.

“Quando comecei a trabalhar no comércio era totalmente diferente. A rodoviária ainda era onde hoje é a Biblioteca Municipal Professor Alencar Assis, existia a escola de Farmácia onde hoje é o Banco Itaú. A Caixa Econômica Federal era na praça da Matriz onde hoje é a loja Pé Quente Calçados, depois a agência mudou para a rua Coronel Francisco Adolfo, onde atualmente é a Compasso Calçados antes de se fixar no endereço onde está agora. O Banco do Brasil também já foi ali na mesma rua, onde hoje é a Miveste antes de ir para o local atual”, lembra Delfante.

Milton lembra ainda de outras agências bancárias que existiam nas proximidades da praça. “O Santander era antigamente o Banco da Lavoura, depois passou a ser Banco Real, até este ser comprado. Na esquina da frente onde atualmente é a Candiani Joias funcionada o Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais, que depois passou a ser o BEMGE (Banco do Estado de Minas Gerais). E na praça da matriz havia o Banco Credireal, embaixo do edifício que leva o mesmo nome”, lembrou.

Ao longo dos anos Delfante viu a reforma da Praça Comendador José Honório realizada pelo então prefeito Waldir Marcolini e destaca que a reforma obrigou os desfiles da congada e do carnaval a mudar de local. “Os desfiles de congada e carnaval eram na lateral da praça que depois foi transformada em calçadão. Passavam os ternos e escolas de samba em frente ao antigo Cine São Sebastião e a Lanchonete Achei. Eram apresentações lindíssimas”, recorda Milton.

Os costumes da época também são lembrados, como o footing na praça da Matriz. “Era um costume da época. As moças caminhavam num sentido e os rapazes na direção contrária e ocorriam as paqueras que depois eram celebradas com o amendoim torrado e com a pipoca que eram vendidos na praça”, destaca o senhor Milton que lembra ainda as grandes filas para as disputadas sessões das 18h30 e das 20h30 no Cine São Sebastião. “O Cine São Sebastião funcionava onde hoje é o Magazine Luiza e as filas chegavam na esquina da Casa Dois Irmãos, hoje Castro Modas, principalmente em filmes como “Os 10 Mandamentos” e “Ben Hur” que foram grande sucesso. Era onde a mocidade se divertia, além das famosas “vacas pretas” e “vacas amarelas” da Sorveteria Spósito, que para nossa alegria funciona até hoje”, comemora.

Depois de relembrar vários fatos do passado, Milton Delfante olha com alegria para a época que passou diariamente no centro de Paraíso. “Vi grandes transformações acontecerem. Pude presenciar o desenvolvimento de nossa cidade de uma forma muito rápida e com alegria recordo desses momentos”, analisou o ex comerciante que também se alegra com o atual momento de Paraíso.

“Nossa cidade está bonita, boa para se viver, bem cuidada e bem administrada. Fico muito feliz de ter sido testemunha de uma parte dessa sua história e contribuído nesses 200 anos de nossa amada São Sebastião do Paraíso”, finalizou emocionado o agora eficiente e prestativo Guarda Municipal.
(Luiz Fernando de Souza)

Senhor Milton Delfante