POLE POSITION

Lewis e sua “diva”

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 05-11-2017 21:11 | 2080
Pode ter parecido fácil, mas Lewis Hamilton teve muito trabalho para domar a ‘diva’
Pode ter parecido fácil, mas Lewis Hamilton teve muito trabalho para domar a ‘diva’ Foto de Steven Tee / LAT Images

É nas vezes em que não dispõe do melhor carro que um piloto se mostra o quanto é grande. Para quem viu Ayrton Senna correr é fácil lembrar os títulos que ele conquistou em 1988, 90 e 91, mas o seu melhor ano na Fórmula 1 nem de longe foram os que venceu, e sim o que mais sofreu com um carro que tinha enorme déficit de potência em relação à Williams-Renault, de Alain Prost, e até da Benetton-Ford de Michael Schumacher. E Senna fez mágica com aquela McLaren-Ford, capenga, de 1993. Venceu cinco corridas e terminou vice-campeão no ano do tetra de Prost.
Lewis Hamilton chegou ao tetracampeonato, domingo passado, no México. Igualou os feitos de Prost e do rival, Sebastian Vettel. Atrás deles apenas Schumacher com 7, e o lendário Juan Manuel Fangio com 5 títulos.
Mas o que faz Hamilton ser tão especial como está sendo em 2017? O fato de não ter o melhor carro. Ainda que possa ter parecido fácil vencer o campeonato com duas corridas de antecipação, o W08 Hybrid, da Mercedes esteve longe de ser o carro dominante como foi nos três últimos anos quando a equipe não teve adversários e os títulos foram decididos em casa, entre o próprio Hamilton e o aposentado Nico Rosberg.
O modelo deste ano é tão manhoso às condições climáticas, de temperaturas do asfalto, e de adaptação aos compostos de pneus mais macios da Pirelli, em especial os ultramacios, que recebeu o apelido de “diva”. E domar a diva foi preciso muito trabalho, suor, e acima de tudo talento, característica que ficou ainda mais evidente neste inglês de 32 anos, que amadureceu de tal modo que dificilmente comete erros.
Hamilton só foi assumir a liderança do Mundial pela primeira vez no GP da Itália, 13ª etapa de um total de 20. Vettel dominou a tabela de classificação desde a primeira corrida do ano, mas a partir de Monza a Ferrari entrou em colapso. Primeiro com a infeliz largada de Vettel, em Cingapura, onde se autoeliminou com Verstappen e Kimi Raikkonen de uma corria onde fatalmente retomaria a liderança do campeonato, e depois nas quebras da Malásia e do Japão, abrindo caminho para a arrancada de Hamilton que não desperdiçou as chances que apareceram. 
Até aqui Hamilton venceu 9 corridas e fez 11 pole positions com um carro difícil de domar. Isso por si só já dá parâmetros para que sua capacidade como piloto seja visto com outros olhos. Afinal, não se chega por acaso a números impressionantes com quatro títulos, 62 vitórias, 72 pole positions e com uma carreira que pode ainda levá-lo a mais longe.
Seguramente Lewis Carl Davidson Hamilton, filho de um operário que trabalhou em dois empregos na Inglaterra para bancar as primeiras aceleradas do garoto de 13 anos, no kart, está entre os melhores pilotos de todos os tempos da Fórmula 1.  
A Fórmula 1 tem agora dois tetra-campeões em atividade, e o primeiro encontro deles nesta condição será em Interlagos, no GP do Brasil, no próximo final de semana. Acompanhe a cobertura no site do Jornal do Sudoeste.